SÃO PAULO – Estreia no próximo dia 27 de junho, quarta, às 21 horas, o espetáculo Transex, inspirado no texto da montagem de 2004 feita pelos Satyros. O espetáculo surgiu no período inicial do grupo na Praça Roosevelt, quando a região era dominada pelo tráfico de drogas, criminalidade, assaltos e prostituição de michês e travestis. O texto lida com as questões surgidas naquele período turbulento em que o grupo se viu, muitas vezes, ameaçado pela ação de traficantes e passou a ter uma relação de proximidade e companheirismo com as mulheres transexuais e travestis que viviam da prostituição na região. O Espetáculo vai cumprir um mês de temporada.

A presente montagem se inspira diretamente na psicodélica, no rock e na pop art do final dos anos 1960 e começo dos 1970. Embalada por uma trilha sonora baseada em sucessos de Mutantes, Velvet Underground, The Animals, Jerry Adriani e Wanderléa, a peça conta a história de uma travesti prostituída que vive de favor no apartamento de uma famosa atriz de pornochanchada e se envolve emocionalmente com um extraterrestre. Os descaminhos desse amor marcam a ação até a chegada de seu professor de pintura transexual e uma revelação.

O espetáculo conta com a participação especial de Nicole Puzzi, no papel de Marlene Bréa, a “deusa da pornochanchada”. Transex é uma homenagem a Phedra de Córdoba – falecida em 2016 –, que completaria 80 anos no último mês de maio. Os Satyros, também, organizam uma exposição fotográfica de Phedra, com momentos de sua carreira. A exposição ficará em cartaz até o final de agosto no Espaço dos Satyros Um.

No espetáculo, a personagem Phedra será interpretada por importantes personalidades da comunidade LGBTI+ e amigos próximos da atriz, como forma de homenagem à grande diva que foi Phedra de Córdoba. Maria Clara Spinelli, TchaKa, Edy Star, Salete Campari, Paula Cohen, Cléo de Páris, Juan Manuel Tellategui e Márcia Dailyn são alguns dos nomes que darão vida a essa personagem histórica na luta pelos direitos das pessoas transgêneras. A estreia ficará por conta da atriz transexual Leona Jhovs.

A Trilogia do Antipatriarcado
O momento que o País atravessa é de profunda tensão social, conservadorismo exacerbado e intolerância. Uma fase na qual a dignificação do ser humano, o respeito às diferenças e às necessidades pessoais são fundamentais. Foi pensando nessa realidade que, em 2017, Os Satyros deram início à Trilogia do Antipatriarcado.

Em Pink Star, espetáculo estreado em setembro de 2017, o texto aborda as relações da pós-família com as questões de gênero e a teoria Queer, a partir de textos teóricos de Judith Butler e Paul B. Preciado, entre outros. O espetáculo parte da discussão de como a família, a escola, a religião e todas as outras instituições sociais constroem o homem ou a mulher que perfaz a nossa identidade pessoal. Pink Star deu início à Trilogia e continua em cartaz no Estação Satyros.

Cabaret Transperipatético, a segunda parte da Trilogia, teve sua estreia em maio de 2018. O espetáculo trouxe o primeiro elenco inteiramente não-cisgênero, com artistas transexuais, intersexo, agênero de Os Satyros. A discussão, calcada nas biografias do elenco, traz ao palco a performatividade dos corpos transgêneros livres de forma crua.

A remontagem de Transex finaliza a Trilogia do Antipatriarcado com fábula sobre o amor. A partir de uma história de amor inesperada entre uma prostituta transexual e um extraterrestre, o espetáculo discute temas como a solidão, o isolamento social e as possibilidades de sobrevivência do amor em tempos de ódio.

No elenco de Transex, teremos as atuações de Ivam Cabral, que participou da montagem original e Márcia Dailyn, dividindo o papel de Tereza, a jovem transexual apaixonada por um extra-terrestre. Nicole Puzzi interpretará a deusa da Pornochanchada de nome Marlene Bréa. Léo Perisatto, ator transexual interpretará o papel do professor transexual René, que na montagem original era interpretado pelo crítico de teatro e ator Alberto Guzik. Além destes protagonistas, vários atores cisgêneros, transgêneros e agêneros desempenham os outros personagens do espetáculo.

Ficha Técnica
Direção: Rodolfo García Vázquez
Assistência de direção: Felipe Moretti
Dramaturgia: Rodolfo García Vázquez
Foto: André Stéfano

Elenco:

Tereza – Ivam Cabral / Márcia Dailyn

Marlene Bréa – Nicole Puzzi

René – Léo Perisatto

Tarcísio – Tiago Leal

Bibi – Daniela Funez / Henrique Mello

Márcia – Diego Ribeiro / Fernanda Kawani

Jussara – Silvio Eduardo

Wanderléia – Gustavo Ferreira

Janete – Maiara Cicutt

Gorete – Fabio Penna

Homem – Eduardo Chagas / Guttervil Guttervil

Phedra de Córdoba – Maria Clara Spinelli, Leona Jhovs, Edy Star, Salete Campari, Paula Cohen, TchaKa, Cléo de Páris, Juan Manuel Tellategui, Márcia Dailyn e outros convidados especiais

Cenografia: Dan Oliveira e Rafael Santos

Design de Aparência: Cinthia Cardoso e Lenin Cattai

Sonoplastia: Ivam Cabral

Iluminação: Rodolfo García Vázquez

 

Serviço

Espetáculo: Transex

Duração: 85 min.

Local: Satyros Um – Praça Roosevelt, 214 – tel. 3258 6345

Dias: Quartas e quintas, 21h

Temporada: 27/6 a 30/8

Ingresso: R$20,00 (inteira) | R$10,00 (meia) | R$ 5,00 (morador da Praça Roosevelt) | Pessoas não binárias, transexuais, travestis e agêneros entram de graça.

Telefones para reservas: 3258 6345 / 3231 1954

Recomendação: Livre