Espetáculo inédito no Brasil mostra momentos da trajetória de Federico García Lorca

 Redação do Aplauso Brasil (redacao@aplausobrasil.com.br)

"Marica" apresenta últimos instantes da trajetória do dramaturgo e poeta Federico García Lorca (1898-1936). Foto/Crédito: Laercio Luz
“Marica” apresenta últimos instantes da trajetória do dramaturgo e poeta Federico García Lorca (1898-1936). Foto/Crédito: Laercio Luz

SÃO PAULO- Com direção de Marcio Aurelio, interpretação de Washington Luiz e texto do dramaturgo argentino Pepe Cibrián Campo, Marica apresenta momentos da trajetória do dramaturgo e poeta Federico García Lorca (1898-1936), que escreveu inúmeras peças, entre elas Bodas de Sangue e A Casa de Bernarda Alba. O monólogo chega ao Brasil após temporada em Buenos Aires. A estreia é sexta, 3, para curta temporada na Sala Paschoal Carlos Magno do Teatro Sérgio Cardoso.  A produção fica em cartaz somente até 26 de outubro.

Marica narra os últimos instantes de vida de um dos grandes nomes do teatro no mundo. Coloca o dramaturgo e poeta frente ao seu assassino e momentos antes de morrer, Lorca revive fatos que marcaram a sua vida pessoal e profissional.

"Marica" apresenta últimos instantes da trajetória do dramaturgo e poeta Federico García Lorca (1898-1936). Foto/Crédito: Laercio Luz.
“Marica” apresenta últimos instantes da trajetória do dramaturgo e poeta Federico García Lorca (1898-1936). Foto/Crédito: Laercio Luz.

No dicionário, o termo Marica é sinônimo de fraco, covarde e indigno e também de homossexual, mas no texto, o autor Pepe Cibrían subverteu o sentido da expressão, ampliando o seu significado: passa a designar os opressores, os caretas, os assassinos das artes e das ciências, visto que Lorca foi uma das vítimas do fascismo na Espanha, perseguido pelo General Franco devido à grande influência de seu discurso e orientação sexual. “Ao mesmo tempo, marica é o que rompe, ultrapassa, destrói; marica é o que revolta, critica, detona; marica é o que cria, transcende, constrói. Marica é ser inovador. Marica é ousar ser. Marica é transgressão”, ressalta Cibrían.

O ator Washington Luiz é o idealizador do projeto. Conta que a obra chamou a sua atenção especialmente por seu conteúdo lírico e tocante. Além disso, o seu discurso de liberdade foi fundamental para a formulação do objetivo da trama. “O que eu quero passar com esse trabalho é a noção dessa grande pessoa que ele foi e fazer o espectador retomar a poesia do dia a dia aceitando as diferenças e fazendo um mundo melhor. A grande mensagem é que a gente não pode descartas as diferenças, diz Luiz”.

Sobre Pepe Cibrían Campoy
Pepe Cibrián Campoy é considerado o principal nome da comédia musical argentina, pioneiro do gênero no país. Personalidade local graças ao grande reconhecimento de público e crítica, já recebeu inúmeros prêmios por seus trabalhos, entre eles uma condecoração do Senado Argentino, outorgada em 2012, por sua trajetória e importância artística.

Sobre Marcio Aurelio
Marcio Aurelio é um dos mais premiados e reconhecidos diretores do teatro brasileiro. Como encenador, montou espetáculos no Brasil e no exterior a partir de textos de Sófocles, Shakespeare, Bertolt Brecht, Nelson Rodrigues, Goethe, Alcides Nogueira, entre outros. Em 1990, criou a Companhia Razões Inversas com a primeira turma de formandos da Unicamp, na qual dirigiu espetáculos premiados como Senhorita Else de Arthur Schnitzler, A Bilha Quebrada de Kleist, e Agreste de Newton Moreno. Recentemente encenou com sua companhia de teatro os conceituados espetáculos Anatomia Frozen e Anatomia Woyzeck. Já recebeu diversos prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte, do Troféu Mambembe, do Prêmio Molière e do Prêmio Shell, em alguns de seus memoráveis espetáculos, como Lua de Cetim, Pássaro do Poente e Pólvora e Poesia.


Sobre Washington Luiz
Washington Luiz, formado em Artes Cênicas pela Unicamp, iniciou sua carreira profissional pelas mãos do diretor Marcio Aurelio, sendo um dos artistas fundadores da Cia. Razões Inversas. Desde então, vem atuando em teatro, cinema e televisão. Em seus trabalhos em teatro, teve a oportunidade de poder colaborar com outros grandes nomes da cena brasileira como José Celso Martinez Correa, Gabriel Vilella, Cacá Rosset, entre outros. Artista inquieto, Washington Luiz residiu na Europa, na primeira década do século XXI, maior parte do tempo na Espanha, onde pôde aprofundar seus conhecimentos sobre a arte hispânica. 

Ficha Técnica:

Autor: Pepe Cibrián Campoy
Encenador: Marcio Aurelio
Ator: Washington Luiz
Diretora assistente: Lígia Pereira
Estudo do movimento: Marize Piva
Tradução: Washington Luiz
Cenografia: André Cortez
Figurino: Marcio Aurelio e Lígia Pereira
Iluminação: Marcio Aurelio e Silviane Ticher
Trilha sonora original: Daniel Maia
Orientação vocal: Marcello Boffat
Fotografia: Laércio Luz
Costureira: Cleide Mezzacappo
Assistência de Produção: Miguel Marcarian Júnior
Produção Executiva: Washington Luiz

Serviço:
Marica
Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno
Endereço: Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista – São Paulo – SP
Estações do Metrô próximas: São Joaquim e Brigadeiro
Linhas de ônibus: 475M-10 Jd. da Saúde; 967A-10 Imirim/Pinheiros
De 03 a 26 de Outubro
Sextas, Sábados e Domingos às 20h.
Em 25/10 haverá sessão acessível com audiodescrição e interpretação de Libras.
Ingressos: R$ 20 e R$ 10 – meia-entrada para estudantes
Duração: 55 minutos
Classificação: 14 anos
Bilheteria: (11) 3288-0136 (terça a sábado das 14h às 17h p/vendas antecipadas e de quarta a domingo, das 14h até o início do espetáculo p/ vendas para o espetáculo do dia)
Vendas pela internet (sujeito à cobrança de taxa de serviço):  www.ingressorapido.com
Cartões: todos, débito, crédito e vale-cultura
Ar-condicionado. Bar & Café. Wi-fi
Acessibilidade para Pessoas com Deficiência
www.teatrosergiocardoso.org.br
Moradores do Bixiga que apresentarem comprovante de residência pagam meia-entrada em qualquer espetáculo
Capacidade: 144 lugares

 

Kyra Piscitelli

Kyra Piscitelli é jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e fez pós-graduação em Globalização e Cultura pela Faculdade de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Escreve sobre teatro e arte desde de 2009. Integra os Juris da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e do Prêmio Aplauso Brasil. Ávida por conhecimento, se não está em viagem ou estudo, só há um lugar para achá-la: o teatro!

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