Espetáculo marca o retorno de Norma Bengell

Luís Francisco Wasilewski, especial para o Aplauso Brasil (lfw@aplausobrasil.com)

diasfelizesEla é uma das mais importantes atrizes do cinema brasileiro. Norma Bengell marcou a nossa cinematografia em filmes como O Homem do Sputnik, de Carlos Manga e Os Cafajestes, de Ruy Guerra. Sua beleza e seu estilo de interpretação foram tão marcantes que ela foi considerada primeiro a nossa Brigitte Bardot e depois, nossa Jeanne Moureau. Já no teatro a carreira de Norma foi intervalada. No entanto, ela estrelou um grande acontecimento das nossas artes cênicas que foi a primeira encenação de Cordélia Brasil, texto de Antonio Bivar, que em 1968, foi protagonizado pela atriz, sob a direção de Emilio Di Biasi.

E é, justamente, Emilio o responsável pela volta da atriz ao teatro com a montagem de Dias Felizes, de Samuel Beckett, que traz de volta, também, aos palcos brasileiros o instigante texto escrito em 1960 pelo grande escritor irlandês. Na concepção de Emilio Di Biasi a peça será um tributo ao trabalho de Norma Bengell, pois a história de Winnie, a personagem que interpreta, se fundirá à obra cinematográfica da atriz através de cenas que serão projetadas no espaço cênico do Teatro do SESC Ipiranga, onde a peça estreia sexta-feira (5), 21h.

Dias Felizes tem ainda no elenco a participação especial de Ariel Moshe, como Willie. A tradução do texto é de Barbara Heliodora, direção musical de Demian Pinto, cenografia de Cesar Rezende, desenho de luz de Erike Busoni, figurino e visagismo de Kleber Montanheiro, trilha sonora e música original de Rodolfo Valente. A direção geral é de Emílio Di Biasi e a direção geral de produção de Alexandre Brazil, ambos responsáveis pela idealização do projeto.

Emílio di Biasi dirige DIAS FELIZES
Emílio di Biasi dirige DIAS FELIZES

O produtor Alexandre Brazil revela que “Emilio, Norma e eu queríamos montar um novo espetáculo após O Relato Íntimo de Madame Shakespeare (2007). Emilio sugeriu Dias Felizes, de Beckett – não por coincidência um texto que Norma Bengell sempre quis fazer. A dramaturgia de Beckett nos dava a chance de realizar o nosso desejo: que a encenação fosse também uma homenagem a Norma, pois permite que entre os sonhos e devaneios da personagem Winnie se encaixem pequenas cenas de alguns dos grandes momentos de sua carreira cinematográfica. Entre esses filmes estão: O Homem do Sputnik (1959, de Carlos Manga, sua estréia no cinema), Os Cafajestes (1962, de Ruy Guerra), O Pagador de Promessas (1962, de Anselmo Duarte), Noite Vazia (1964, de Walter Hugo Khouri), Os Deuses e os Mortos (1970, de Ruy Guerra), A Casa Assassinada (1971, de Paulo Cesar Saraceni), A Idade da Terra (1980, de Glauber Rocha), Rio Babilônia (1982, de Neville de Almeida) e Eternamente Pagu (1987, de Norma Bengell).”

Conselho ao público, por Emílio Di Biasi

Embarque nessa viagem plena de significados… Desde a protagonista de Beckett…

À trajetória de uma estrela de cinema… Subverta este clássico sem culpa…

Sabemos que Beckett será sempre mais forte… Resistirá sempre…

Sua palavra é rica em imagens… E em encontros fragmentados de nossa própria história…

A Peça

A história tem início em um cenário impressionante: uma mulher aparece enterrada até a cintura em uma montanha de objetos que pertencem à sua vida ao longo dos tempos. Ela dorme em cima dos braços até que o som de uma campainha a acorda, e ela começa a agir como se a situação fosse completamente normal: diz que este é mais um dia divino, reza, escova os dentes, olha-se no espelho que retira da bolsa, onde há vários objetos que manipula constantemente. Winnie, a personagem principal, procura se distrair durante toda a peça.

Winnie é o exemplo da personagem que está aí, oprimida por um mundo vazio e estéril, defendendo-se como pode. Ela se refugia nos seus objetos e na sua discursividade, rica em citações e mudanças de estilo, mas confusa e muitas vezes desconexa. Esta confusão e a constante perda da memória revelam o cansaço e a degradação física e mental por que ela passa.

Willie, a outra personagem que habita o espaço, é o marido de Winnie que, de modo semelhante ao que ocorre em outras peças de Beckett, mantém uma relação de amor e ódio com a esposa. Se Winnie fica todo tempo chamando a atenção dele e perguntando se ele a ouve (ela precisa dele para garantir sua existência), Willie, por sua vez, revela-se enfadado e sem paciência, preferindo ficar, na maior parte das vezes, escondido atrás do monte de onde pontualmente aparece em cena.

BATEPAPO

No dia 20 de março, sábado, às 15h, a atriz Norma Bengell fala sobre a sua experiência em viver a personagem Winnie, na peça Dias Felizes, de Samuel Beckett.

A atividade, gratuita, tem retirada de ingressos com 1 hora de antecedência na bilheteria do SESC Ipiranga.

FICHA TÉCNICA

Dias Felizes, de Samuel Beckett. Com Norma Bengell como Winnie, participação especial de Ariel Moshe como Willie. Tradução: Barbara Heliodora / Direção Geral: Emilio Di Biasi /Direção Geral de Produção: Alexandre Brazil / Diretor Musical: Demian Pinto / Cenário: Cesar Rezende / Desenho de Luz: Erike Busoni / Vídeo: SE4 Produções / Figurino e Visagismo: Kleber Montanheiro / Trilha Sonora e Música Original: Rodolfo Valente / Coach: Tati Pasquali e Silvanah Santos / Cenotécnica: Fabio Marcoff / Fotos: Suzane Sabbag e Atos 2 Multimídia / Assistência de Iluminação de Operação de Luz: Duane Bin Nogueira / Operação de Som: Maurício Inafre / Camareira: Sônia Fávero / Designer Gráfico e Ilustração: Olavo Costa / Assistência de Produção: Valter Rocha e Regilson Feliciano / Idealização do Projeto: Emilio Di Biasi e Alexandre Brazil / Gestão de Produção: Escritório das Artes

DIAS FELIZES – Serviço

Estreia: 5 de março de 2010. Sexta, às 21h

Temporada: até 27 de março de 2010

Horários: Sextas, às 21h e sábados, às 20h

Local: Teatro do SESC Ipiranga

(Rua Bom Pastor, 822 – Ipiranga – São Paulo /SP)

Não possui estacionamento

Lotação: 200 lugares

Recomendação etária: 14 anos

Duração do espetáculo: 80 minutos

Ingressos: R$ 4,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes), R$ 8,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino) e R$ 16,00 (inteira). Aceita cartões de crédito: Visa, Mastercard e AmericanExpress. Cheque e dinheiro.

Horário de funcionamento da bilheteria: de terça a sexta, das 8h às 21h30; sábados, domingos e feriados, das 9h às 17h30.

Informações ao público: Tel: (11) 3340-2000 , de terça a sexta, das 8h às 21h30; sábados, domingos e feriados, das 9h às 17h30, no site www.sescsp.org.br ou pelo 0800 118220.


Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

6 Comentários
  1. Delicia rever Norma nos palcos. Eu a vi em Cordelia Brasil, maravilhosa, aliás ela foi pega no hotel Amalia, onde se hospedava , mais tarde em Os Convalescentes no Ruth Escobar, portanto deve ser inesquecível Ela e Emilio de novo juntos.

  2. Não vou! Não vou pra não chorar. Imaginem que eu esperava por essa mulher todas as noites de domingos frente a TV. Vi e revi quase 10 horas seguidas o filme em que ela corre pelada (termo grosseiro, desculpem) atrás de um Buick conversível… Ah, meu Deus! Éra a glória… minha e dela!
    Não vou não, não vou pra não chorar. Que mer#da o tempo faz com a gente hein?

  3. Estou feliz por ver novamente esta grande atriz em ação, após a rápida passagem na tv. Por tudo que ela viveu este papel cai como uma luva. Vejo que a peça tem temporada breve de menos de um mês e creio que, como eu que não posso ir a São Paulo neste período, muita gente gostaria de assisti-la. Minha pergunta: Este espetáculo vai se restringir ao sudeste ou virá ao nordeste, especificamente ao Ceará?

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