Crônica: Estou dentro, estou fora!

EM REDE -Levantou-se. Vestiu-se com um sorriso bom e compreensivo; acompanhei-a até o elevador. Voltei, permaneci no quarto sem saber o que fazer. Nunca imaginei Roberta deitada em minha cama, a mulher mais desejada do mundo, no entanto ali estava a prova, sua lingerie propositadamente esquecida. No sexo usamos máscara, luvas, camisinha, lubrificante, álcool em gel… higiene antes, higiene depois. Em certo momento pensei não se tratar de Roberta, mas de alguma dessas bonecas que se compra pela internet.

Sinceramente?! Não senti Roberta em meus braços, não senti um cheiro verdadeiro, nem mesmo um pum seu escapuliu para eu contrair minhas narinas e sentir alguma coisa mais autêntica naquela noite.

De tarde saio, compro um bom vinho. De noite Roberta volta e abre as pernas sobre a mesa da sala, não posso recusar, porém começo a ter aversão por sexo casual. Parece ironia.
De que forma direi isso para Roberta?

Ela dorme…

Boa parte da noite eu fico ali, admirando seu corpo perfeito. Penso em acordá-la e começarmos o nosso ritual de higienização para depois nos embalarmos e depois nos lambuzarmos de produtos eróticos… mas desisto! Viro de bruços na cama e me largo feito um peso morto. Não tenho paciência pra isso. Um desgosto incomum toma conta de mim. Perdoem-me as novas gerações, no entanto eu preciso de algo mais primitivo do que isso.

Estou dentro, estou fora!
Hoje tudo me parece uma conspiração da TV, da internet, dos jornais, da indústria pornográfica. A ideia de não a sentir causa em mim certo desespero.
Repentinamente saio da cama, mal percebo e já sai de casa, quando me dou conta estou dentro do carro, depois olho uma placa na estrada e já estou em outra cidade. De que forma direi isso para Roberta?

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