RIO DE JANEIRO – “Ai,Ai, Ai,Ai”. Este singelo muxoxo pode passar despercebido em uma cena teatral. Porém, dito por Eva Todor virava uma piada que arrebatava a plateia. Presenciei isto na única vez que vi Eva em cena na comédia Como se Tornar uma Supermãe em Dez Lições, dirigida por Wolf Maya. Eu era criança e fiquei deslumbrado com aquela atriz que eu só conhecia pela televisão, reinar absoluta pelo palco. Depois vi que Marília Pêra tinha este mesmo dom, o de transformar algo corriqueiro como pegar um bombom e fazer disso uma grande cena teatral. Marília assumidamente mimetizou Dulcina de Moraes em sua trajetória artística. E Eva era uma atriz da geração de Dulcina, que não assisti em cena e de Dercy Gonçalves, que também tive o privilégio de ver no palco. As chamo carinhosamente de “Feiticeiras do palco”. Elas sabiam e faziam tudo para conquistar a plateia.

Eva nasceu húngara. Seu nome de batismo era Eva Fodor, o que já era uma piada pronta para o Brasil. Aqui virou Eva Todor. Começou muito cedo na carreira artística. Ao lado do seu primeiro marido, Luiz Iglesias teve uma profícua carreira como atriz.

Foi também dona de companhia teatral. Eva e seus artistas foi um importante grupo e durante anos ela se manteve com eles ininterruptamente em cartaz no Teatro Serrador, no Rio de Janeiro. Lembro quando gravou um depoimento para a série Grandes Damas do GNT, que homenageava atrizes brasileiras. Eva contou que o público chegava na bilheteria e perguntava:”Esta peça é estilo Eva?”. Se a resposta do bilheteiro fosse não, eles voltavam para casa.

Fez muita televisão e pouco cinema. No entanto, protagonizou com Oscarito uma das maiores cenas do cinema mundial no filme Os Dois Ladrões, de Carlos Manga. A cena em que Oscarito se traveste tal qual ela e os dois fazem um simulacro de espelho é genial. Portanto, meu caro leitor, se você não a viu, corra para o Youtube e a procure.Trata-se de uma das muitas grandes interpretações que Eva Todor nos legou.

Luís Francisco Wasilewski (lfw@aplausobrasil.com)