EVA WILMA E NICETTE BRUNO PROTAGONIZAM “O QUE TERÁ ACONTECIDO A BABY JANE?”

Michel Fernandes, do Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com.br)

O QUE TERÁ ACONTECIDO A BABY JANE?
O QUE TERÁ ACONTECIDO A BABY JANE?

SÃO PAULO – Pouco antes de morrer, em 2006, Henry Farel seu romance, que originou o o clássico cinematográfico O Que Terá Acontecido a Baby Jane?  (What Ever Happened to Baby Jane?), em peça teatral, cuja estreia mundial acontece logo mais no Teatro Porto Seguro, sob a batuta de Charles Möeller e Cláudio Botelho (que, pela primeira vez, se debruçam num espetáculo que não é um musical), trazendo Eva Wilma e Nicette Bruno como as irmãs-rivais Jane e Blanche Hudson.

“Diferente do filme, a peça acompanha todas as fases da vida de Jane e Blanche”, adianta o diretor Charles Möeller  que, também, aponta a semelhança aos universos rodriguiano – sobretudo Vestido de Noiva, cujo embate entre as duas irmãs se dá após o acidente que envolve uma delas -e ao  drama de memórias que envolvem as obras de Tennessee Williams, acompanhando a vida dessas irmãs, bem como os acontecimentos artísticos que envolvem a trajetória de ambas.baby

“Estamos lidando com uma vertente que fala muito sobre a decadência de gêneros.  A Jane  era estrela do Vaudeville Americano, um teatro de variedades que era baseado em estrelas, Blanche já era estrela de cinema, ao seja, é a história da rivalidade entre duas irmãs e ao mesmo tempo há uma rivalidade entre gêneros”, afirma Möeller.

Claudio Botelho, que também assina a direção da montagem, conta que o elenco mirim foi escolhido por meio de testes e, as que fazem Jane e Blanche na adolescência “ procuramos escolhes aquelas que tinham a mesma tessitura vocal, nos inspiramos na interpretação da Eva e Nicette, para criar a interpretação delas”.

Além da consagração na história do cinema, o longa-metragem de 1962 carrega algumas lendas. Entre elas, o clima tenso nos sets de gravação que contribuíram para a excelência da película, isso porque as atrizes Bette Davis e Joan Crawford, respectivamente intérpretes de Jane e Blanche, se detestavam.

Isso não é a realidade da montagem teatral, já que, como afirma Nicette Bruno:

Baby Jane_crédito Daryan DornellesDivulgação“Eu acho que nós atrizes aprendemos a exercitar as diversas formas de humanidades como criaturas, como seres, então para eu poder executar uma cena em que eu tenha que puxar um ódio, uma dor, eu tenho que remexer dentro de mim algum ponto para que isso venha, seja aflorado. Por que eu acho que todos nós temos em nosso interior todas as gamas de sentimentos, e de emoções, depende de como você elabora sua caminhada, sua trajetória terrena para seguir um lado ou outro lado. Então, o que nós fazemos é: quando termina uma cena muito forte, nós damos as mãos, damos um beijinho para gente criar um distanciamento. Mas em realidade no momento de execução, você tem que puxar alguma coisa, por que ela está lá encoberta as vezes embutida de todos nós. E as vezes a gente nem percebe, e nós atores temos este privilégio, nós remexemos as individualidades, por isso nós faz ter a pretensão de conhecer um bocadinho o ser humano. E é não julgar levianamente por que as vezes você enxerga uma determinada atitude ou ação que você já vivenciou no palco”, explica Nicette Bruno que acredita existir entre Jane e Blanche “um embrião de amor fraterno, mas totalmente deturpado. E o grande vilão sem dúvida alguma foi o pai!”.

Eva Wilma conta sobre a paixão em mergulhar no universo de amor e ódio proposto pelo autor e acentua seu “prazer” em estar em cena em O Que Terá Acontecido a Baby Jane? “enfim, a qualidade do texto e nosso entrosamento , a proposta da encenação, sobretudo o desafio de mergulhar tão profundamente em um drama beirando a tragédia, sem perder a leveza e o humor”.

A adaptação teatral embaralha os acontecimentos da vida das irmãs e mistura passado, presente e fantasia em cena. Jane e Blanche serão vividas pelas crianças Sophia Valverde e Duda Matte e também por Rachel Rennhack e Juliana Rolim, na juventude. Licurgo Spínola, Nedira Campos e Teca Pereira completam o elenco.

 

 

EVA WILMA POR EVA WILMA

“ Dentro da minha formação foi muito forte o lado musical por parte materna e paterna, em minha 2ª e 3ª infância mergulhei pra valer na música, nessa magia, tanto que eu estava certa em seguir a carreira de bailarina clássica, foi o meu primeiro emprego com carteira de trabalho, e a gente tirava carteira em um lugar que era de todas mulheres de vida fácil assinada ,  e com isso tive a oportunidade, por causa de uma mestra sensacional Maria Olenewa, ela criou o corpo de baile do Teatro Municipal  do Rio De janeiro por exemplo, ela  era fantástica, foi minha primeira grande mestra  e ela bolou levar o São Paulo Ballet de Maria Olenewa em uma turnê , era uma turnê de navio até Manaus , era um navio que levava uma exposição da indústria de São Paulo, era pré industrialização, anos 49, eu não pertencia ao corpo de baile, pois eu com meus 14 anos para 15 anos, mas ela me convidou para integrar, por que ela precisava integrar o corpo de baile, daqui até Manaus, todas as capitais, e o fato de nós podermos nos apresentar nestes verdadeiro templos que nós temos em cada capital do Brasil inteiro, é uma coisa magica muito forte, eu acho que aí que eu peguei para sempre esse problema, este objetivo. E outra que eu sinto que enfim, quero colocar á disposição de vocês, a experiência de ter começado, tive que fazer a primeira escolha muito difícil em sua vida, pedir demissão do ballet IV Centenário mesmo sem ter me apresentado, pois  tive  convites para fazer teatro, cinema e televisão no mesmo ano, eu consegui equilibrar estes três veículos sem nunca perder a opinião de que o teatro é a escola, eu digo sempre para os jovens: olha é aonde você estará ao vivo de corpo inteiro, de alma inteiros se integrando. É importante para esta juventude que entra na cilada de se tornar famoso, de se tornar estrela, representar sempre para câmera, pro close, o close é uma coisa terrível de deixar qualquer um em desespero. Eu sempre gosto de passar para o jovem este tipo de proposta de que sim é muito importante, cinema é fascinante, televisão é fascinante, ela traz uma velocidade das coisas que nos dá uma escola incrível na medida em que tenha a vontade de levar a sério você usa esse exercício como um grande exercício. Eu sempre brinco, por que eu conto uma coisa que é verdade, quando tem uma cena muito difícil no cenário de um estúdio de televisão eu aproveito bem o cenário atrás das tapadeiras e fico correndo de um lado para o outro para fazer o aquecimento, para poder controlar a emoção e mostrá- la sem apelar para nada e com verdade e técnica, e com verdade e emoção. A grande escola pra valer é o exercício do oficio no espaço cênico livre , eu prefiro inclusive falar isso, porque todos falam o palco o palco, como a minha formação foi durante dois anos na arena, no teatro de arena, tem muito a ver com o circo, o espetáculo me fascinou envolveu, e não só a mim como ao público principalmente, se chamava uma mulher e três palhaços, e era de certa maneira um espetáculo circense onde eu interpretava uma bailarina, então eu digo sempre que o grande exercícios do ator, é onde o ator evolui e poderá evoluir sempre que eu acho que é por isso que eu e Nicete estamos aqui, a gente sabe disse, é uma coisa que nós temos em comum, é um desafio, este tipo de proposta foi um grande desafio que nos foi proposto por este dois produtores, atores e músicos e etc., então é isso, a gente evoluiu sempre, e então esta proposta para Nicette e para mim eu sei que a gente está evoluindo e aprendendo, tem sempre mais para aprender, tem que aprender para mergulhar com mais verdade no seu oficio”.

 

NICETTE BRUNO POR NICETTE BRUNO

“Eu tive três teatros. Foram mais de 20 anos de trabalho. E com relação ao processo da música , coincidentemente eu também  comecei, muito criança, e naquela época ainda existiam as revistas e eu participava muito dos grupos dos clubes ginásticos, do clube da Tijuca, porque eu estudei no Instituto Lafaiéte que se preocupava muito com as atividades extra-currículares, o curso de expansão cultural onde nós tínhamos o exercício de declamação, de canto, de dança, eu fiz conservatório de piano até o oitavo ano, então existia um exercíciosempre de shows, fazíamos esquetes… até que eu fui para o teatro estudante do Paschoal Carlos Magno e teatro universitário da Gerusa Camões, onde comecei então a me dedicar mais ao meu lado de exercício para o tetro, o texto, à dramaturgia em si. Então, mas o Paulo mexia muito comigo, quando eu começava a estudar, eu dizia: “ não! Volta, eu quero repetir!” e ele dizia: “ Ai Nicete, você com sua mania do piano”, por que o piano você tem que bater, bater, bater… enfim, eu queria fazer isso, chega, você já sabe, já está decorado mas digo, volta por que tem aquele pedaço…’ (risos) Então, elas caminham juntas, você não pode fazer teatro sem ter uma experiência musical, sem pelo menos que não tenha a experiência em si, mas pelo menos o conhecimento da sua sensibilidade musical, isso é fundamental para nós, então as coisas estão correndo paralelas sempre”.

 

 

Ficha técnica:

EVA WILMA e NICETTE BRUNO em O QUE TERÁ ACONTECIDO A BABY JANE?

Um espetáculo de CHARLES MÖELLER & CLAUDIO BOTELHO

Com LICURGO SPÍNOLA, NEDIRA CAMPOS, TECA PEREIRA, RACHEL RENNHACK, JULIANA ROLIM e as crianças SOPHIA VALVERDE e DUDA MATTE.

Autor: HENRY FAREL. Adaptação: CHARLES MÖELLER. Tradução: CLAUDIO BOTELHO. Direção: CHARLES MÖELLER & CLAUDIO BOTELHO. Cenografia: ROGÉRIO FALCÃO. Figurinos: CAROL LOBATO. Iluminação: PAULO CÉSAR MEDEIROS Visagismo: BETO CARRAMANHOS. Design de som: ADEMIR MORAES JR. Coordenação Artística: TINA SALLES. Direção de Produção: BEATRIZ BRAGA. Produção Executiva: EDSON LOPES. Realização: MÖELLER & BOTELHO.

 

Serviço:

De 19 de agosto a 30 de outubro
Sextas e sábados, às 21h. Domingos, às 19h.

Ingressos: R$ 120 (plateia) e R$ 90 (balcão).

Classificação: 14 anos.

Duração: 90 minutos.

 

TEATRO PORTO SEGURO

Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos – São Paulo.

Telefone (11) 3226.7300.

Bilheteria: Terça a sábado, das 13h às 21h e domingos, das 12h às 19h.

Capacidade: 508 lugares.

Clientes Porto Seguro têm 50% de desconto na compra de 1 ingresso + acompanhante.

Formas de pagamento: Todos os cartões de crédito e débito.

Acessibilidade: 10 lugares para cadeirantes e 5 cadeiras para obesos.

Estacionamento no local: Estapar R$ 20,00 (self parking) – Clientes Porto Seguro têm 50% de desconto.

Serviço de Vans: TRANSPORTE GRATUITO ESTAÇÃO LUZ – TEATRO PORTO SEGURO – ESTAÇÃO LUZ. O Teatro Porto Seguro oferece vans gratuitas da Estação Luz até as dependências do Teatro. COMO PEGAR: Na Estação Luz, na saída Rua José Paulino/Praça da Luz/Pinacoteca, vans personalizadas passam em frente ao local indicado para pegar os espectadores. Para mais informações, contate a equipe do Teatro Porto Seguro.

Happy Hour Restaurante Gemma – quartas, quintas e sextas das 17h às 21h.

 

Vendas: www.ingressorapido.com.br

Site: http://www.teatroportoseguro.com.br

Facebook: facebook.com/teatroporto

Instagram: @teatroporto

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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