Eva Wilma completa 60 anos de carreira com peça sobre ‘fazer teatral’

Nanda Rovere, do Aplauso Brasil (nanda@aplausobrasil.com.br)

Pedro Paulo Rangel e Eva Wilma.  dddddddddd
“Azul Resplendor” traz Pedro Paulo Rangel e Eva Wilma (foto)

SÃO PAULO- Azul Resplendor estreia sábado (20), às 21h00, no Teatro Renaissance. Autor: Eduardo Adrianzén, autor de sucesso no Peru. No elenco estão Eva Wilma, Pedro Paulo Rangel, Dalton Vigh, Luciana Borghi, Lu Brites e Felipe Guerra. Direção Renato Borghi e Elcio Nogueira Seixas. Luz: Lúcia Chedieck. Cenário: André Cortez. Figurino: Simone Mina. Trilha Sonora: Aline Meyer.

Os parceiros de longa data, Renato Borghi e Elcio Nogueira Seixas, conheceram a obra Adrianzén de durante o projeto Embaixada do Teatro Brasileiro (2008/2009), que passou por países Ibero-americanos. Ficaram encantados com a comédia, que é ácida e ao mesmo tempo delicada e poética.

Foi Borghi quem convidou Eva Wilma para a montagem e a atriz ao ler o texto, aceitou

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Espetáculo “Azul Resplendor” fala sobre teatro e o ofíco do ator

prontamente o trabalho.

Azul Resplendor marca os 60 anos de carreira e 80 de vida da atriz Eva Wilma. Marca também os 45 anos de carreira de Pedro Paulo Rangel e a primeira direção conjunta entre Renato Borghi e Elcio Nogueira Seixas.

A peça fala de profissionais que trabalham com entretenimento e mostra a diferença entre o que as pessoas aparentam ser e o que elas são. É um “teatro dentro do teatro” e apresenta os bastidores do tablado, a convivência turbulenta de artistas e cenas dos seus espetáculos.

Nas palavras do diretor Renato Borghi, “é uma espécie de anjo exterminador” porque os personagens dedicam todo o seu tempo ao teatro e mesmo quando estão em outros ambientes, é nítido que há alusão ao palco e à arte de representar.

Uma visão urbana e contemporânea do teatro e do ofício do ator, mas que retrata situações comuns a todas as profissões (em qualquer país e em qualquer época), na medida em que mostra o absurdo dos sentimentos e das ações humanas.

No texto, os personagens são arquétipos dos  artistas de teatro e colocam em evidência questões como o ego exacerbado, a competição e a superação de uma escola por outra.

Blanca Estela (Eva Wilma) é uma grande dama do teatro, que não pisa nos palcos há cerca de 30 anos e está desiludida com a carreira. Recebe a visita de seu fã, e também ator, Tito Tápia (Pedro Paulo Rangel), que a convida para retornar ao teatro numa montagem que será dirigida por um famoso diretor, Antônio Balaguer (Dalton Vigh), e promete ser um dos maiores sucessos da temporada.Tito é um ator desconhecido e surpreendentemente Bianca aceita a proposta.

Borghi cita a assistente de direção, interpretada pela sua sobrinha, Luciana Borghi, como personagem mais intrigante da trama, na medida em que é um grande espelho da complexidade das relações humanas em todas as atividades profissionais.

Luciana faz uma profissional que já teve sucesso e que agora vive no ostracismo. Ela está sempre a serviço do diretor Antônio Balaguer, mas ninguém lhe dá o devido valor.

Antônio Balaguer, interpretado por Dalton Vigh, também promete chamar também a atenção do público. Ele se acha um Deus e acaba gerando conflitos com as pessoas com as quais se relaciona.

Vigh salienta que foi interessante perceber que em todos os lugares podemos encontrar artistas que se consideram perfeitos. Por esse motivo Azul Resplendor retrata uma realidade universal.

O diretor Elcio Nogueira Seixas, que divide a direção com Borghi, acrescenta que os diretores no Peru ficaram ofendidos com o autor devido à crítica ao comportamento de alguns profissionais.

Seixas acredita que a classe artística pode ficar incomodada com o relato do seu comportamento, mas salienta que a peça revela a realidade.

Azul Resplendor tem como mérito trazer a união de atores experientes, com outros mais jovens.

Eva Wilma considera um privilégio atuar ao lado de novas gerações de atores e está muito animada com o novo trabalho, citando como destaque a poesia do texto, que diverte e emociona ao mesmo tempo.

Segundo a atriz, além do prazer de ser dirigida pelo amigo Renato Borghi, o texto é apaixonante porque o autor conhece o mundo do teatro e o ofício do ator: “Ele tem conhecimento profundo do que fazemos. Estamos apaixonados e entusiasmados”, diz.

Borghi acrescenta que o processo de ensaios é muito enriquecedor porque há uma troca com várias escolas de interpretação.

Todos estão honrados em participar de um projeto ao lado de Eva Wilma. Foi Borghi quem a convidou e revela que a atriz não decora e sim estuda o texto. “Tem ciência de criar personagens e de penetrar na alma deles”.

Pedro Paulo Rangel comemora 45 anos de profissão e está muito feliz por ter sido chamado para fazer a peça. Para ele, reencontrar Eva Wilma é um privilégio. Eles trabalharam juntos em novelas e o ator nutre por ela uma enorme admiração.

Vighi aceitou atuar na peça no momento em que foi convidado e ressalta:¨Atuar ao lado de Eva Wilma ¨é um sonho¨.

Luciana Borghi destaca a energia de Eva: “A energia deles a gente não tem. A disciplina a gente precisa se espelhar nos mais velhos sim; .eles são a História do Teatro Nacional”,opina a atriz.

A encenação é simples e o cenário é formado apenas por alguns objetos. As cenas são sustentadas pela interpretação dos atores e pela iluminação.

No palco, os atores se dirigem ao público a todo o momento e as cenas ganham maior graça e ironia porque o espectador se sente cúmplice da história que está sendo contada.

O autor não traz uma realidade muito otimista, mas a crítica é pertinente num momento em que a dedicação e o amor pelo teatro dão lugar ao sonho de sucesso fácil e ao desejo de aparecer na TV sem a construção, no entanto, de uma carreira sólida no palco.

Depois da temporada em São Paulo, o objetivo é conseguir patrocínio para levar a peça para todo o Brasil.

Ficha Técnica:

Elenco:EVA WILMA, PEDRO PAULO RANGEL, DALTON VIGH, LUCIANA BORGHI, LU BRITES E FELIPE GUERRA.

Texto:EDUARDO ADRIANZÉN (PERU)

Tradução:RENATO BORGHI e ELCIO NOGUEIRA SEIXAS

Direção Geral:RENATO BORGHI e ELCIO NOGUEIRA SEIXAS

Luz:LÚCIA CHEDIECK

Cenário:ANDRÉ CORTEZ

Figurino:SIMONE MINA

Trilha Sonora:ALINE MEYER

Vídeos:RENATO ROSATI

Fotos:JOÃO CALDAS

Direção de Produção:ANDRÉ MELLO

Realização:RENATO BORGHI PRODUÇÕES

Serviço:

Azul Resplendor

Estreia: Dia 20, sábado, às 21h00

Temporada Até 06/10

Sexta a domingo: horários – Sextas, às 21h30, sábados, às 21h e domingos, às 18h.

Local:Teatro Renaissance
Endereço: Alameda Santos, 2233 – Jardins
Classificação: 12 Anos.

Preços: R$ 80,00 inteira e meia entrada, R$ 40,00 – estudantes, pessoas acima de 60 Anos, Professores da Rede Estadual e portadores de deficiência física. Capacidade do Teatro: 448 lugares

Duração: 90 minutos

Ponto de venda sem taxa de conveniência:
Bilheteria Teatro Renaissance de terça a quinta das 14h às 20h.
Sexta a domingo, das 14h até o início do espetáculo.

Com taxa: Informações e Vendas: (11) 3069-2286 www.ingressorapido.com.br

Estacionamento no Hotel com manobristas – R$ 25,00

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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