Excessos e registros de interpretação dissonantes incomodam em Os Penetras

Michel Fernandes, do Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com)

"Os Penetras", em cartaz no Teatro Jaraguá

Quase sempre o menos é mais no teatro; e o mais é o excesso que transborda, essa tese se aplica à perfeição ao espetáculo Os Penetras, texto de Mike Leigh dirigido por Mauro Baptista Vedia, em cartaz no Teatro Jaraguá, há uma dissonância drástica no registro seguido por cada um dos atores, o que acarreta numa incômoda falta de unidade.

Apesar de certa reverência ao autor e cineasta Mike Leigh – que tem em seu currículo o excelente longa-metragem Segredos e Mentiras –, Smeeling a Rat (Os Penetras), de 1988 traz um enredo que é um fio de navalha – a história de um empresário, dono de dedetizadora, que se esconde no armário para escutar a conversa de um de seus funcionários que passou em sua casa para ver se “estava tudo em ordem” que, por sua vez se esconde, com a esposa, em outra porta do armário, quando chega o filho rebelde com sua namoradinha tresloucada –, exige uma encenação ágil e pragmática, para que os qüiproquós sejam risíveis.

A ótima atriz Paula Arruda está em "Os Penetras"

Entretanto a peça é mais complexa que um vaudeville, é uma espécie de “falso vaudeville”, por esse motivo a tentativa de fazer rir a qualquer preço soa como um ruído que incomoda o público.

Em Os Penetras há um fundo temático – explanar os valores sociais contemporâneos, seu caráter eminentemente consumista, endeusando o dinheiro como fim redentor da felicidade – que, apesar das tentativas, não tem forças para durar mais que um terço do que dura o espetáculo.

Talvez o problema não seja apenas o texto de Mike Leigh, mas a bifurcação no tratamento cênico de Vedia que não conseguiu dar unidade ao espetáculo.

Em contrapartida temos interpretações inspiradas como a de Paula Arruda como a espevitada Melanie e a clownesca Ana Andreatta, na pele de Charlene.

ELENCO: Marcello Airoldi, Ana Andreatta, Kiko Vianello, Paula Arruda e Pedro Guilherme

FICHA TÉCNICA: TEXTO: Mike Leigh / DIREÇÃO: Mauro Baptista Vedia

ASSITENTE DE DIREÇÃO Patricia Luize e Renata Calmon TRADUÇÃO/ADAPTAÇÃO : Mauro Baptista Vedia / André Carvalho CENÁRIO : Chris Aizner/ FIGURINO : Maitê Chasseraux/ILUMINAÇÃO Hugo Peake/ TRILHA SONORA-Mauro Baptista Vedia / Fernanda Galetti /DIREÇÃO DE PRODUÇÃO– Carlos MambertiPRODUÇÃO EXECUTIVA : Daniel Palmeira /PRODUÇÃO ELENCO :Fabiana Carlucci/CAMAREIRA : Silvia Lopes / ADM FINANCEIRA-Cleonice Macedo Chaves AGENCIA DE COMUNICAÇÃO Acomz / ASSESSORIA DE IMPRENSA:Marra Assessoria de Comunicação

OS PENETRAS

Temporada até 28 de novembro

Teatro Jaraguá – (www.teatrojaragua.com.br)

Endereço: Rua Martins Fontes, 71 – Bela Vista

Fone: (11) 3255-4380   (11) 3255-4380

Horário: Sexta às 21h30, sábado às 21h e Domingo às 19h

Preços: sextas e domingos: R$ 50,00 (cinquenta reais),

sábados R$ 60,00 (sessenta reais).

50% estudantes, aposentados e idosos

Gênero: Comédia

Duração: 90 minutos

Lotação: 270 lugares

Estacionamento: com manobrista R$ 15,00

Possui ar condicionado e acesso para deficientes.

Censura: 16 anos

Televendas: Ingresso Rápido- 4003-1212

www.ingressorapido.com.br


Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.