Fabiana Cozza fala com exclusividade ao Aplauso Brasil

Edson Júnior, especial para o Aplauso Brasil (Edson@aplausobrasil.com)

Fabiana Cozza

SÃO PAULO – Confira a entrevista exclusiva que Fabiana Cozza concedeu ao Aplauso Brasil em que fica evidente sua seriedade, consciência social e  política de um cantar popular e sofisticado que espalham elegância e personalidade no cenário da Música Popular Brasileira.

Aplauso Brasil – Desde seu primeiro trabalho em estúdio, você transita entre regravações e canções inéditas, como é seu processo de seleção de repertório?

Fabiana Cozza – Canto somente o que me arrebata. Gosto de me sentir tomada pela música como amor à primeira vista. Não faço concessões à modismos ou quaisquer outros apelos.

AB – Tanto no palco quanto no estúdio é notória a teatralidade das suas interpretações, de onde vem essa expressividade cênica e essa interpretação vocal?

Fabiana Cozza – O mesmo tempo de carreira dedicado à música dediquei também a me desenvolver cenicamente pelo teatro e pela dança. Sempre tive bons profissionais de ambas áreas me orientando e o faço todas as vezes que inicio um novo projeto. O trabalho de interpretação está intimamente vinculado a uma dedicação à leitura e compreensão de signos e movimentos da cançãonior – falo aqui de gestual físico, musical, poético etc.

AB – No show em homenagem as divas do samba você impressionou a platéia com sua interpretação visceral de O canto das três raças, como se dá seu processo de criação? E quem é Clara Nunes para Fabiana Cozza.Fabiana Cozza – Trabalho bastante a leitura do texto aliada à melodia e vou investigando nos ensaios com o diretor de teatro (geralmente um ator) a canção e seus desenhos. A partir daí os movimentos surgem de maneira natural. Muitas vezes é o olho de quem me dirige que aponta para gestuais repetitivos ou que legendam a canção e são desnecessários. Aí entra a mão do diretor e aulas (consciência corporal) onde posso ampliar meu repertório cênico, de conhecimento intelectual até…

AB – Religiosidade, conhecimento da história e cultura afro são questões que você levanta em seus shows, de que maneira sua arte contribui para o respeito à contribuição do negro na cultura da nossa nação?

Fabiana Cozza em CD homônimo

Fabiana Cozza – Cantando o povo negro, o povo do Brasil e tudo o que possa nos identificar enquanto Nação: a terra, os costumes, a culinária, os personagens sociais, os pensamentos da nossa gente, o cotidiano… Acho que este “cantar” é uma escolha política. Canto o meu quintal e através dele me vejo e entendo o mundo. Com ele vou para o mundo e me misturo, me reinvento. Sobre Clara, digo que ela continua sendo, sem dúvida, uma referência artística importante por muitos motivos: pela beleza e força ancestral de seu canto, por uma gama de símbolos e significados que ela carregava como artista, por sua obra que tanto nos ajuda a conhecer melhor o Brasil etc etc.

AB – Quais são os desafios para o interprete de nosso tempo frente ao modelo de indústria fonográfica atual e a internet?

Fabiana Cozza – Acho que são muitos os desafios do artista brasileiro e isso não tem relação com a indústria fonográfica que há muito não investe em artistas. A realidade é que a maioria de nós depende única e exclusivamente de recursos próprios para tocar a carreira em frente e isso exige fôlego, determinação, planejamento e parcerias, muitas. A produção independente sempre existiu. É comum ouvirmos casos de que há 20, 30 anos, um sujeito vendia a “Kombi” pra fazer um disco etc. Acho que a Internet é uma ferramenta, um aliado importante para a divulgação do trabalho, mas não encerra-se em si mesma e está longe de ser a “salvação da lavoura”. O mercado está muito tumultuado, a crise financeira se alastra pelo mundo e enxuga todos os cofres. Isso repercute e afeta diretamente o mercado cultural. A luta pela sobrevivência e pelo espaço é diária.

AB – Que ensinamentos Fabiana Cozza, seu mais novo trabalho lhe deu?

Fabiana Cozza – Que a maturidade traz mais consciência e que o tempo é mesmo senhor.

AB- Como foi cantar Piaf Na França e como se deu sua aproximação com o idioma Francês?

Fabiana Cozza – Não fui à França para cantar “Piaf”. Fui apresentar meu trabalho e cantei uma ou outra canção do repertório da Piaf, o que surpreendeu muito aos franceses. Era um agrado que eu fazia nos shows para um público sempre muito caloroso e afetivo comigo. Me aproximei da língua francesa após aceitar o convite do maestro João Mauricio Galindo, diretor artístico da Orquestra Jazz Sinfônica de SP, para fazer uma homenagem à Piaf. Passei a estudar o idioma enlouquecidamente com dois professores: um de francês e outro de canto.

AB – Oswaldo dos Santos por Fabiana Cozza.

Fabiana Cozza –É quem me ensinou os primeiros passos, é minha primeira referência musical, o professor que me alfabetizou musicalmente.

AB- O que o público fiel de Fabiana Cozza pode esperar para 2012?

Fabiana Cozza – Quero cair na estrada com esse novo trabalho e chegar a Estados por onde ainda não passei. Também há um projeto em andamento de um CD para lançamento no exterior primeiramente e, se Deus me ajudar – e tenho rezado muito e trabalho bastante –, um projeto temático que vai homenagear um ícone da música popular brasileira, cujo nome ainda não posso revelar.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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