Michel Fernandes, especial para o Último Segundo (michelfernandes@superig.com.br)

FARSA esteve no FESTIVAL DE CURITIBA
FARSA esteve no FESTIVAL DE CURITIBA

 

Nesse terceiro artigo em que, segundo o que vi, destaco os espetáculos teatrais que considero pertinentes em ganharem um espaço privilegiado de minhas reflexões, peço licença para destacar a efervescência promovida por festivais de teatro Brasil afora como o Festival de Curitiba, Festival Internacional de Londrina (FILO) e Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto, que fizeram circular espetáculos marcantes, do país ou estrangeiros. Também peço licença para destacar a atuação do SESC SP que, presidido pelo professor Danilo Santos Miranda, responde por projetos e espetáculos de pesquisa e qualidade indiscutível.

As curadorias dos festivais de teatro estão, cada vez mais, direcionadas à trazer para suas cidades de origem um quadro de excelência qualitativa cada vez maior. E a cada ano são apresentados, também, espetáculos de dança, ampliando para as artes do corpo nossa atenção, mesmo por que o hibridismo entre as linguagens se faz necessária de notação.

Dentro do FILO deste ano, a abertura do festival para espetáculos e artistas com diferentes possibilidades físicas e intelectuais, além de um profícuo debate focado na reflexão e discussão da “arte inclusiva” representou um diferencial vanguardista do Festival Internacional de Londrina que, espero, seja contínuo e influencie outros festivais. 

SESC SP

cafe muller 01Dentre as pérolas com que o SESC SP nos presenteia a cada ano, em 2009 o Ano da França no Brasil reservou aos amantes das artes uma saudável aproximação com o fazer artístico francês, numa espécie de continuidade do Ano do Brasil na França, realizado em 2005.

 O Ano da França no Brasil trouxe, entre tantos destaques de diferentes meios artísticos, espetáculos como Le Grand Inquisiteur e La Douleur, ambos dirigidos por Patrice Chéreau, conhecidos por seu ótimo desempenho cinematográfico na direção de filmes como Gabrielle e A Rainha Margot. Em La Douleur há que destacar-se também o impecável desempenho de Dominique Blanc nesse denso e espinhoso texto de Marguerite Duras.

Pudemos, também, conferir o tratamento cênico vigoroso de Bob Wilson, um dos representantes do “teatro pós-dramático”, segundo o crítico e estudioso alemão Hans Thies-Lehman em seu livro O Teatro Pós-Dramático, para o texto do, também alemão, Heiner Muller, Quartett, leitura peculiar de Muller, sobre o romance As Relações Perigosas, do francês Chordelos de Laclos. Protagonizado por uma exuberante Isabelle Hupert, Quartett uniu o virtuosismo plástico de Bob Wilson ao virtuosismo interpretativo de Huppert. Muitos outros espetáculos de teatro franceses circularam de norte a sul do país, mas outras áreas culturais como a música, as artes plásticas, o circo e a dança tiveram um privilegiado 2009 graças ao Ano da França no Brasil.

 

São Danilo dos Santos Miranda

A classe teatral paulista, bem como o comitê dos Festivais Internacionais do Brasil, deveria unir-se e lançar uma chapa pedindo a Dionísio, o deus do teatro, livre acesso a Danilo dos Santos Miranda, diretor regional do SESC SP, no Olimpo.

Brincadeiras à parte, é unânime o reconhecimento de que o SESC SP é responsável pela mais profícua agitação do universo teatral de São Paulo.

 Dia desses, participei de um debate dentro do 2º Vira Cultura, da Livraria Cultura do Conjunto Nacional, mediado pelo ator Dan Stulbach, em que abordamos o papel do SESC que, juntamente, ao Programa de Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo, aos coletivos teatrais da cidade, entre outros, cumpre o papel de possibilitar à cena teatral de São Paulo, ocupar privilegiado espaço, em relação ao restante dos estados brasileiros, na dedicação a um teatro que prioriza e valoriza a pesquisa de linguagens de forma séria e continuada, como bem apontou durante o bate-papo no Vira Cultura, Maria Thaís, professora de teatro da ECA/ USP e diretora da companhia teatral Balangans.

 Além do Ano da França no Brasil, o SESC trouxe à capital excelentes companhias chilenas, num festival de teatro de peças desse país latino-americano, o que, além da qualidade que vimos, serviu para nos aproximar da cena teatral latina, tão próxima geograficamente e tão distante de aproximações. Um dos grupos que se destacaram nessa mostra com o espetáculo Neva marcava seu retorno ao Brasil. Eles haviam participado de uma das edições do Festival Latino-Americano de Teatro de Grupo promovido pela Cooperativa Paulista de Teatro que, esse ano, completou seu 30º aniversário.

Finalizando o artigo que destaca festivais, não podemos deixar de dizer que a Temporada de Dança 2009, foi estupenda.