FESTIVAL DE TEATRO DE CURITIBA COMPLETA BODAS DE PRATA COM PÚBLICO DE 180 MIL PESSOAS

O idealizador e diretor do Festival de Teatro de Curitiba, Leandro Knopfholz. Foto: Festival de Curitiba/ Annelize Tozetto
O idealizador e diretor do Festival de Teatro de Curitiba, Leandro Knopfholz. Foto: Festival de Curitiba/ Annelize Tozetto

CURITIBA – O Festival de Teatro de Curitiba fechou sua 25ª edição com sucesso. Esse é o balanço da nova curadoria assinada pelo ator Guilherme Weber e o diretor Márcio Abreu e endossada pelo idealizador e diretor do evento Leandro Knopfholz.

O ano de crise encolheu o número geral do evento: o ano passado foram 200 mil espectadores e neste ano 180 mil. Ainda assim, o Festival não só impressiona pela grandeza como se mostra consolidado nos 25 anos que carrega de história.

A mostra oficial conseguiu trazer espetáculos consagrados pela crítica e público como Um Bonde Chamado Desejo  e Caranguejo Overdrive. As duas montagem, inclusive, esgotaram na primeira semana de vendas.

O olhar para Curitiba foi outro destaque. Das quatro estreias nacionais do Festival, duas eram da cidade: Nuon, da Ave Lola Espaço de Criação, e La Cena, da G2, uma das companhias de balé do Teatro Guaíra. Além disso, a Mostra abriu espaço para 24 paranaenses interpretando os 24 cantos da Ilíada, em 24 horas de teatro. Nena Inoue ainda foi responsável pela curadoria da Curitiba Mostra, que apresentou autores locais em cinco espetáculos.

Dos 400 anos autor inglês William Shakespeare à arte contemporânea de Wagner Schwartz em La Bête, a variedade e a diversidade de linguagem e estilos foi contemplada.  Do dia 22 de março a três de abril, as pessoas puderam acompanhar quase 350 espetáculos em 65 espaços da cidade.

No sentido de proximidade com a cidade, o Fringe, mostra paralela do Festival, buscou a interação com os moradores, indo para quatro terminais de ônibus e 11 praças. O Festival também manteve os eventos simultâneos: Gastronomix – com atrações gastronômicas de todo o país -, MishMash – uma programação de variedades para a família -, o Guritiba – com espetáculos voltados para o público infantil e, este ano, uma exposição interativa de brinquedos gigantes da década de 80 – e o Risorama – com apresentações de Stand Up Comedy.

Como começou
Nos 25 anos de história do Festival de Curitiba nada mais justo do que relembrar como ele nasceu.
Os estudantes Leandro Knopfholz e Carlos Eduardo Bittencourt, então com 18 e 22 anos, tinham acabado de ver a peça New York, New York, de Edson Bueno, no Teatro Guaíra e no jantar após o espetáculo surgiu a ideia de organizar um festival na cidade. Carlos ficou na dúvida, mas Leandro lhe desarmou com um “Por que não?”.
Em dezembro de 1991, eles promoveram a festa de lançamento do Festival, que iria estrear no dia 19 de março do ano seguinte.

A primeira edição do Festival de Teatro de Curitiba inaugurou a Ópera de Arame e trouxe ao Paraná grandes nomes do teatro brasileiro, como Antunes Filho, José Celso Martinez Correia e Gabriel Vilella.

O Festival cresceu com o Fringe…
Em 1998, na 7ª edição, o Festival de Teatro de Curitiba importou uma ideia que nasceu na Escócia, que era criar um mostra paralelo à margem do oficial, que seria mais democrático, aberto e sem curadoria.

Assim nasceu o Fringe e o Festival virou vitrine brasileira e a cidade de Curitiba passou a respirar arte.

No Fringe, qualquer grupo que tenha 80% de seus participantes com  DRT, registro de ator, podem participar.

O Festival em Números
Até a edição passada o Festival de Teatro de Curitiba soma cerca de 4.500 espetáculos para um público estimado em 2.5 milhões de pessoas ao todo.

Kyra Piscitelli

Kyra Piscitelli é jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e fez pós-graduação em Globalização e Cultura pela Faculdade de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Escreve sobre teatro e arte desde de 2009. Integra os Juris da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e do Prêmio Aplauso Brasil. Ávida por conhecimento, se não está em viagem ou estudo, só há um lugar para achá-la: o teatro!

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