Festival Ibero-Americano de Teatro acontece até domingo em SP

Redação do Aplauso Brasil (redacao@aplausobrasil.com)

Espetáculo "Decameron". Foto: divulgação
Espetáculo “Decameron”. Foto: divulgação

 

SÃO PAULO – O VII Festibero – Festival Ibero-Americano de Teatro de São Paulo começou no dia 22/04 (terça), mas os eventos seguem até 27/04 (domingo). Ao todo, durante essa semana são 15 espetáculos (de palco e de rua), oficinas e mesas redondas. As atividades são realizadas no Memorial da América Latina e todas são gratuitas.

O festival promove uma grande festa teatral como parte das comemorações do aniversário de 25 anos do Memorial. A programação pode ser conferida no site www.memorial.org.br. 

"Relampião". Foto de Arô  Ribeiro
“Relampião”. Foto de Arô Ribeiro

Esta edição do Festibero traz uma programação eclética com montagens que levam à cena autores clássicos e contemporâneos, espetáculos com estéticas diversas que transitam entre a linguagem tradicional e a de vanguarda. Além de produções nacionais, seis países são representados: Portugal, Espanha, Argentina, Bolívia, Paraguai e México.

Neste ano, o festival acontece em homenagem aos atores Eva Wilma e Paulo Goulart (1933-2014), falecido recentemente.

O VII Festibero tem Curadoria do gestor e produtor cultural Efren Colombani, do dramaturgo e diretor teatral Guilherme Bonfin e do ator e diretor teatral Luiz Amorim, parceria com a SP Escola de Teatro, na realização de palestras e oficina, numa produção da Associação São Pedro Pró-Cultura. Segundo o coordenador geral do Festival, Luis Avelima, “o intuito do Festival é mostrar a diversidade cultural e mapear a produção contemporânea das artes cênicas, além de traçar um paralelo entre a produção dos países da América Latina, Portugal e Espanha”.

"Dentro é Lugar Longe". Foto: Cristiane Forcinito
“Dentro é Lugar Longe”. Foto: Cristiane Forcinito

 Festibero – Festival Ibero-Americano de Teatro de São Paulo
Concebido para pensar o papel do teatro na sociedade atual, evidenciando as tendências de cada região e como elas assimilam e respondem às questões contemporâneas. Com esta realização, o Memorial cumpre a missão de promover o diálogo e estreitar ainda mais os laços culturais entre países irmãos.

O Festibero reúne grupos teatrais que vêm se destacando em seus respectivos países, dando um panorama das artes cênicas da Península Ibérica e da América Latina. Cerca de 9.000 ingressos são distribuídos aos paulistanos que podem apreciar todos os gêneros teatrais: comédias, tragédias e dramas. O festival é uma rara oportunidade para ver espetáculos que dificilmente viriam ao Brasil e, assim, apreciar o trabalho de importantes grupos teatrais dos países envolvidos.

Serviço
VII Festibero – Festival Ibero Americano de Teatro de São Paulo
De 22 a 27 de abril – terça-feira a domingo

Memorial da América Latina
Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664. Barra Funda/SP
Metrô: Estação Barra Funda. Tel.: (11) 3823-4600
Ingressos: Grátis. Bilheteria: a partir das 14h. Recomendado p/ maiores de 12 anos
Atividades a partir das 17 horas
Entrada: Portão 12. Estacionamentos: Portões 4 e 15 (R$ 10,00 ); Portão 8 (R$ 7,50 +  R$ 1,50 por hora adicional)

Programação completa no www.memorial.org.br

PROGRAMAÇÃO – VII Festibero – de 24/04 até 27/04

 24 de abril – quinta-feira
 19h – Praça da Sombra / Lona Principal
Peça – BOLÍVIA – Y si Te Canto Canciones de Amor
Duração: 90 min – Gênero: comédia – Classificação: 14 anos. Lotação: 700 lugares

Um estranho casal – Pachi e Fidel – compartilha um apartamento para dividir despesas. Ela é professora e tem um amante casado, com filhos pequenos e pouca perspectiva de se divorciar da esposa. Ele é homossexual, cujo namorado de muitos anos o deixou para ficar com uma mulher. Festivamente, os dois decidem cometer suicídio no dia 24 de dezembro, data odiada por ser o dia em que mais sentem solidão. Desde a primeira cena, eles preparam o dia do acerto de contas com a vida como se fosse uma comemoração.

Ficha técnica
Com Cia. Artística Tucura Cunumi
Texto: Dino Armas
Direção: Yovinca Arredondo Justiniano
Elenco: Diego Paesano e Janaina Prates
Vozes: Luis Ernesto Arredondo (Zacarias), Elizabeth Iannone (Mamá) e Daniel Quiñones (Federico)
Fotografia: Yovinca Arredondo Justiniano
Figurino: Gabriela Sandoval
Desenho de luz: Ricardo Guillen
Produção: Yovinca Arredondo Justiniano

20h – Praça da Sombra
Intervenção poética – BRASIL – Polvos Poéticos
Com o Grupo Sensus. Criação e direção: Thereza Piffer
Classificação: Livre. Duração: 60 min

A intervenção Polvos Poéticos tem como intenção de popularizar o gosto pela poesia. Os atores usam capacetes repletos de conduites de plásticos, criados pela atriz e diretora Thereza Piffer para o Grupo Sensus, e, inspirados na popular brincadeira do telefone sem fio, declamam poesias em um dos conduites que são ouvidas por mais seis pessoas, através dos outros conduites.

20h45 – Praça da Sombra / Lona Principal
Homenagem ao ator Paulo Goulart (1933-2014).

 21h – Praça da Sombra / Lona Principal
Peça – BRASIL – Genet: o Poeta Ladrão
Duração: 80 min – Gênero: Drama – Classificação: 18 anos. Lotação: 700 lugares

A peça inicia em 1969 com a vinda de Genet (Ricardo Gelli) a São Paulo para a estreia da montagem brasileira de O Balcão, dirigida por Victor Garcia, encenada quando o Brasil enfrenta forte censura e repressão militar. Ao saber das inúmeras prisões de artistas e intelectuais, ele relembra de seus tempos na prisão e de todo o submundo que fez parte de sua vida marginal. Na intimidade de sua cela, em uma espécie de delírio, ele evoca os seres da noite, nesse lugar entre o sagrado e o profano, e recria um mundo imaginário de desejos e prazeres. Todas as personagens são inertes, abatidas pelo destino, fragmentos de um mundo decadente; e Genet é um deus bárbaro que se compraz no sacrifício humano. Para construir a peça, o autor Zen Salles se baseou nas personagens de Genet. “Mas, eu não sou totalmente fiel à história de vida dele. Nem ele mesmo o foi, pois como costumava dizer, ‘a poesia é a ruptura entre o real e o irreal’. É justamente esse Genet que me interessa e é retratado na minha dramaturgia: um Genet que habita as sombras, que ama os que erram, que tem atração pelo crime, que é poeta e sabe esgotar o mundo com a sua poesia viva”, explica.

Ficha técnica
Texto: Zen Salles – baseado na obra de Jean Genet
Direção: Sérgio Ferrara
Elenco: Ricardo Gelli, Fransérgio Araújo, Nicolas Trevijano, Rogério Brito, Felipe Palhares, Ralph Maizza, Gabrielle Lopez, Jhe Oliveira, Magno Argolo, Tiago Stechinni e Bruno Bianchi.
Figurino: Iraci de Jesus
Cenário: Sergio Ferrara
Iluminação: Rodrigo Alves
Sonoplasta: Sergio Ferrara
Fotos: Vivian Fernandez
Direção de produção: Elder Fraga
Realização: Fraga e Ferrara Produções

25 de abril – sexta-feira
 19h – Praça da Sombra / Lona Principal
Peça – ESPANHA – Decameron
Duração: 80 min – Gênero: comédia – Classificação: 14 anos. Lotação: 700 lugares

Boccaccio escreveu sobre um grupo de crianças, filhos das famílias mais ricas de Florença, que estão fugindo de uma mortal epidemia e encontram refúgio em uma de suas casas de campo. Para se entreterem, elas contam histórias engraçadas uns para os outros. O Decameron é um dos marcos da literatura Européia banido pela Inquisição por ser obsceno e irreverente. Cheio de humor e erotismo o texto quebra a obscuridade Medieval e anuncia a Renascença. A montagem Decameron de Candido Pazo adaptou vários contos da história original – aqueles mais engraçados e mordazes que, atualmente, têm maior proveito metafórico – adaptando-os para a cena.

Ficha técnica
Adaptação da obra de Boccaccio: Cándido Pazó
Direção e narração: Cándido Pazó
Composição e direção musical: Manuel Riveiro
Gravação musical: Harry C (viola, violino, bandolim), Manuel Riveiro (guitarras, percussão, piano, programação)
Cenário e figurino: Carlos Alonso
Iluminação: Afonso Castro
Assistente de direção: Afonso Castro
Produção senior: Avelino Cores “Faber”
Distribuição: PemáisPe
Produção: Belém Pichel

20h – Praça da Sombra
Intervenção poética – BRASIL – Polvos Poéticos
Com o Grupo Sensus. Criação e direção: Thereza Piffer
Classificação: Livre. Duração: 60 min

A intervenção Polvos Poéticos tem como intenção de popularizar o gosto pela poesia. Os atores usam capacetes repletos de conduites de plásticos, criados pela atriz e diretora Thereza Piffer para o Grupo Sensus, e, inspirados na popular brincadeira do telefone sem fio, declamam poesias em um dos conduites que são ouvidas por mais seis pessoas, através dos outros conduites.

21h – Praça da Sombra / Lona Principal
Peça – BRASIL – Cabeça de Papelão
Duração: 70 min – Gênero: Comédia musical – Classificação: 14 anos. Lotação: 700 lugares

Livremente inspirado em O Homem da Cabeça de Papelão, de João do Rio (1881-1921), Cabeça de Papelão narra por meio de quadros revisteiros, a história de Antenor que, por dizer a verdade verdadeira em vez da verdade conveniente, não é aceito em nenhum dos circuitos sociais do País do Sol, local onde vive. Cansado de não se adequar, ele decide deixar sua cabeça para conserto no relojoeiro e coloca em seu lugar uma cabeça de papelão. Carregada de ironia, a Cia. da Revista apresenta a veia satírica e politizada do cronista carioca nesta comédia musical. Na juventude, Antenor (interpretado por Pedro Bacellar, Adriano Merlini e Pedro Henrique Carneiro, em fases distintas) tentou ser firme nos ideais de bom moço. Bastou encontrar obstáculos para esquecer as convicções do passado.

Ficha técnica
Com Cia. da Revista
Dramaturgia: Ana Roxo
Direção, cenografia, figurinos e iluminação: Kleber Montanheiro
Elenco: Adriano Merlini, Bruna Longo, Daniela Flor, Gabriela Segato, Heloisa Maria, Luiza Torres, Natália Quadros, Paulo Vasconcelos, Pedro Bacellar e Pedro Henrique Carneiro.
Assistência de Direção: Deborah Penafiel
Direção musical, preparação vocal e composição: Adilson Rodrigues.
Músicos: Nina Hotimsky (acordeom) e Gabriel Hernandes (violão)
Operação de luz e projeção: Rodrigo Oliveira
Produção e execução: Cia. da Revista da Cooperativa Paulista de Teatro

26 de abril – sábado
 18h – Auditório da Biblioteca Victor Civita
Mesa de discussão – O Teatro Brasileiro Contemporâneo
Por SP Escola de Teatro
Palestrantes: Alexandre Dal Farra e Soraya Belusi
Mediador: Valmir Santos
Duração: 60 min. Lotação: 150 lugares

17h – Em frente ao Auditório Simon Bolívar
Teatro de rua – BRASIL – Dentro é Lugar Longe
Duração: 90 min – Gênero: Drama – Classificação: 14 anos. Lotação: 28 lugares

A peça Dentro é Lugar Longe foi escrita a partir de história oral dos artistas-pesquisadores da Trupe Sinhá Zózima. A dramaturgia é permeada, sobretudo, por memórias da infância dos narradores, em que lembranças de nascimento e morte são contadas compondo a metáfora da vida como estirada, estrada longa. A vida é desvelada como viagem, caminhada das distâncias, num itinerário em que malas vazias ou abarrotadas são carregadas como símbolo de conquistas e de pelejas. A encenação ocorre em um ônibus em movimento (característica singular do grupo), potencializando a ideia de viagem, de partida, que ao mesmo tempo é também chegada.

 

Ficha técnica
Com Trupe Sinhá Zózima
Dramaturgia: Rudinei Borges
Direção: Anderson Maurício
Elenco: Alessandra Della Santa, Junior Docini, Maria Alencar, Priscila Reis e Tatiane Lustoza.
Direção musical: Junior Docini e Priscila Reis
Cenário e figurino: Anderson Maurício e Maria Alencar
Iluminação: Anderson Maurício e Otávio Dias
Produção: Thais Polimeni
Assistente de produção: Maria Alencar
Documentarista: Luciana Ramin
Fotografia: Christiane Forcinito e Danilo Dantas
Redação: Rudinei Borges
Orientação na confecção das malas cênicas: Adalberto Lima

 17h – Auditório da Biblioteca Victor Civita
Mesa de Discussões – O Teatro Latino-Americano Contemporâneo
Por SP Escola de Teatro
Palestrantes: Beto Benites e Alexandre Mate. Mediadora: Silvana Garcia
Duração: 75 min. Lotação: 150 lugares

17h – Praça da Sombra
Teatro de rua – BRASIL – Marias da Luz
Duração: 60 min – Gênero: Comédia Grama. Classificação: Livre.
Ficha Técnica: Com As Graças. Dramaturgia: Daniela Schitini e Nereu Afonso da Silva (em colaboração com o grupo, a partir de depoimentos e histórias de frequentadores do Parque da Luz). Direção artística: André Carreira. Elenco: Eliana Bolanho, Juliana Gontijo, Daniela Schitini e Vera Abbud.

18h – Praça da Sombra / Lona Principal
Peça – MÉXICO – A Vivir
Duração: 1h20 – Gênero: Drama – Classificação: 12 anos – Lotação: 700 lugares
Ficha técnica: Roteiro e direção: Odin Dupeyron. Interpretação: Odin Dupeyron.

20h  Praça da Sombra / Lona Principal
Peça – PORTUGAL – Aos Nossos Filhos
Duração: 90 min – Gênero: Drama – Classificação: 14 anos. Lotação: 700 lugares
Ficha técnica: Texto: Laura Castro. Direção: João das Neves. Elenco: Maria de Medeiros e Laura Castro.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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