FESTIVAL QUE ABSURDO! SE ENCERRA COM PEÇA INÉDITA “A CANTORA CARECA”

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SÃO PAULO – A Cantora Careca encerra a trilogia apresentada no Festival Que Absurdo!, no Teatro Aliança Francesa. De forma rotativa, estão sendo exibidas montagens, com textos do Teatro do Absurdo, termo criado pelo crítico americano Martin Esslin, em 1961, e que  engloba várias obras, de diferentes autores, que utilizam o inusitado, a total falta de sentido, para discutir a linguagem e as relações humanas.

Para o diretor Da peça A Cantora Careca e integrante do grupo Tapa, Eduardo Tolentino de Araujo, a relação com o público permeia essa mostra, e todas feitas pelo grupo até agora. “Sempre que o Tapa apresenta um repertorio, isso é peças em alternância, nós procuramos que esse repertório tenha uma cara, que contextualiza e cria um diálogo com o público”.

O festival já está em cartaz com as peças As Criadas Uma Peça por Outra e em 16 de fevereiro o Grupo Tapa estreia a montagem inédita A Cantora Careca para encerrar a mostra. Tolentino lembra que os espetáculos não são uma de uma mesma corrente rígida e nem fazem parte de um movimento específico, embora tenham pontos em comum, e se encontrem no “absurdo”. “Os três autores abordam questões diferentes, tanto do ponto de vista formal quanto do conteúdo”, afirma.

No caso, a última peça da mostra, A Cantora Careca é considerada a primeira obra batizada Teatro do Absurdo. Escrito em 1949 pelo francês Eugène Ionesco (1909 – 1994), o texto é irônico, com diálogos absurdos que levam a total impossibilidade de comunicação entre os seis personagens.  Em uma das cenas mais conhecidas dois estranhos conversam sobre a vida, onde moram, filhos e por fim descobrem que são casados.

Para o diretor o espetáculo é extremamente atual. “A Cantora Careca é um jogo irreverente sobre a falta do sentido de tudo, das palavras, do teatro, da vida. Escrita por um jovem autor com espírito  anárquico”, diz Tolentino.

Mais do que nunca vivemos uma época absurda no mundo, sobretudo, no Brasil. Quando Ionesco escreve a Cantora, havia uma perplexidade diante de Hiroshima e o Holocausto e a ausência de sentido das conversas cotidianas. De lá para cá, as torres gêmeas, os homens bomba reforçam isso. No entanto, as conversas giram em torno de quem vai sair da casa ou quem vai ser o Master chefe de uma comida que os que assistem nem provaram”, finaliza o diretor que convida todos a compartilhar dessas reflexões no teatro.

Sobre os espetáculos

 As Criadas

de Jean Genet

Direção: Eduardo Tolentino de Araujo

O espetáculo “As Criadas” está no repertório do Grupo Tapa desde 2015. A direção é de Eduardo Tolentino de Araujo, e no elenco estão as atrizes Clara Carvalho, Mariana Muniz e Emilia Rey.

Escrita por Jean Genet (1910 – 1986) em 1947, “As Criadas” é um clássico da dramaturgia francesa. Reconhecido como escritor de extraordinário talento e admirado por escritores como Jean Cocteau e Jean-Paul Sartre, Genet escreveu a maioria de seus textos durante os anos em que esteve preso, o que confere características bastante únicas a sua obra. Sua inspiração para “As Criadas” foi um caso real ocorrido na França, das irmãs Papin, que mataram a patroa e sua filha no ano 1933.

 

UMA PEÇA POR OUTRA

De: Jean Tardieu

Direção: Brian Penido Ross e Guilherme Sant`Anna

 

Uma Peça Por Outra apresenta esquetes curtas que satirizam a comunicação e as convenções teatrais. A peça apresenta um pot-pourri das peças curtas de Jean Tardieu, multipremiado dramaturgo francês, falecido em 1995, expoente do teatro do absurdo ao lado de  Ionesco, Beckett e Pinter.

O tema central é a discussão da linguagem. A constatação da inutilidade das palavras para o entendimento.  Cada história brinca de forma criativa e divertida  com as questões mais críticas da comunicação humana, ou a falta dela, testando, escutando, pesquisando como ela funciona para então partir para a  desconstrução.

As esquetes são atemporais  e percorrem várias décadas. O espetáculo volta ao teatro Aliança Francesa, mesmo palco onde foi apresentado ao público de São Paulo pela primeira vez, em 1987, em montagem assinada pelo Grupo Tapa, com direção de Eduardo Tolentino de Araujo.

 

Ficha Técnica dos Espetáculos:

As Criadas

Texto: Jean Genet

Direção: Eduardo Tolentino de Araujo

Cenário / Figurinos: Marcela Donato

Iluminação: Nelson Ferreira

Elenco:

Clara Carvalho

Emília Rey

Mariana Muniz

Duração: 90 min

Gênero: drama

Recomendação: 14 anos

Produção Executiva: Ariel Cannal

Uma Peça por Outra

Texto: Jean Tardieu

Direção: Brian Penido Ross / Guilherme Sant’Anna

Cenário / Figurino: Ana Lys

Iluminação: Nelson Ferreira

Elenco:

Brian Penido Ross

Clara Carvalho

Camila Czerkes

Emília Rey

Felipe Souza

Ana Lys

Guilherme Sant’Anna

Paulo Marcos

Bráulio Vidile

Jonatan Harold

Gênero: Drama

Duração: 75 min.

Recomendação: 12 anos

Produção Geral: Ana Lys

Produção Executiva: Ariel Cannal

Contrarregras: Jessica Monte / Edgar Pedro

A Cantora Careca

Texto: Eugène Ionesco

Direção: Eduardo Tolentino de Araujo

Elenco:

Clara Carvalho

Mariana Muniz

Emília Rey

Riba Carlovich

Brian Penido Ross

Guilherme Sant’Anna

FESTIVAL – Que Absurdo!

Produção Executiva: Ariel Cannal

Produção Geral: Ariel Cannal

Contrarregras: Alan Foster / Leandro Mazzini / Natalia Beukers

Kyra Piscitelli, do Aplauso Brasil (kyra@aplausobrasil.com.br)

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