FILO 2011: Argentina traz amores iluminados

Guto Rocha/Assessoria de Imprensa FILO

"Amar" - Alejandro Catalán & Cia - Argentina © MARIA SABATO

Espetáculo argentino utiliza a luz e som com códigos do cinema para criar espaços e narrativas cênicos do teatro

Gestos e expressões iluminados por lanternas ganham força narrativa para falar sobre relações amorosas. Em Amar, o aclamado diretor argentino Alejandro Catalán lança um olhar teatral muito particular sobre casais, que em algum momento da vida em comum se perguntam sobre se devem ou não seguir juntos.  O espetáculo será apresentado nesta terça (14) e quarta-feira (15), às 20 horas, na Funcart.

Na montagem, três casais saem para uma noitada regada a bebidas e música, e decidem ir até o litoral. Nesta aventura, seus vínculos começam a ser revelados.

“O espetáculo não é uma tese, nem um tratado sobre o amor. O queremos é que esses casais sejam representativos de uniões singulares e em situações também singulares, mas que tenham coisas comuns a qualquer outro casal”, comenta Alejandro Catalán.

Catalán afirma que o trabalho em conjunto com os seis atores que integram a montagem começou sem que eles tivessem qualquer ideia prévia sobre o material a ser produzido.

O diretor argentino Alejandro Catalán

“Não partimos de um texto, de um tema e nem de um procedimento premeditado. A única coisa com que contava eram os atores”, explica.  Os seis, três homens e três mulheres, também fizeram parte do espetáculo anterior de Catalán.

O diretor diz que, para criar o espetáculo, precisou que os atores lançassem mão de um imaginário próprio.

“Assim foi possível, juntos, inventarmos uma maneira de atuar que produzisse o material ficcional da obra que agora temos”, comenta.  Este processo de criação levou dois anos.

Na montagem, a palavra e a voz se unem a outros elementos cênicos e visuais para que a narrativa aconteça.

“Na medida em que a atuação é assumida como fonte do acontecer teatral, todos os outros itens que compõem a cena, como luz e objetos, se reconfiguram para dar o sentido que buscamos”, afirma.

Em um palco despojado, os atores criam os ambientes que a história sugere no decorrer do espetáculo (como um bar ou uma praia). Isso acontece com a manipulação do espaço que criam com a iluminação feita por eles mesmos, com a utilização de lanternas.

“Percebemos que o uso das lanternas potencializava o trabalho gestual, acentuava a percepção do rosto, produzindo uma espécie de primeiro plano cinematográfico e concentrando a atenção do espectador em tudo o que os atores fazem em cena”, comenta.

Para ele, isso foi essencial por acreditar que no teatro o gesto é tão importante quanto a palavra.

“Um acontecimento gestual pode ser uma inflexão narrativa”, observa.

O diretor afirma que a forma como a iluminação do espetáculo foi concebida expõe o jogo teatral de maneira explícita, sem, no entanto, fazer com que fazer com se perca a magia.

“Mesmo o público podendo ver como os atores iluminam um ao outro, o que acontece dentro da luz ganha uma ficcionalidade que prende e conduz a percepção do espectador”, diz.

O som do espetáculo também foi trabalhado para conduzir a percepção do público para o espaço cênico que os personagens ocupam em cada momento da montagem.

“Modulamos a música para que ela funcione como um plano sonoro cinematográfico também. Em determinado momento, os casais estão dentro de um bar. Quando eles saem, o som é modulado para que se crie um outro ambiente”, explica.

Catalán diz que a ideia de trabalhar com elementos do cinema também surgiu durante o processo de criação. Entretanto, ele tomou cuidado para que os aspectos teatrais não se perdessem.

“Adotamos os recursos cinematográficos para dar maior poder e potência ao jogo de atuação, mas procuramos deixar bem claro os códigos teatrais”, afirma.

Data: 14 e 15 de junho

Horário: 20 horas

Local: Funcart (Rua Souza Naves, 2380)

Direção: Alejandro Catalán

Classificação: Teatro adulto

Faixa etária: 16 anos

Duração: 65 min

LEGENDADO

Web: www.alecatalan.blogspot.com

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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