FIT BH – Domingo é a última apresentação de Villa e Discurso

Nanda Rovere, do www.mondobhz.com.br/fit-bh-2012, parceiro do Aplauso Brasil na cobertura do FIT- BH

Atrizes do grupo chileno Playa

BELO HORIZONTE – O Teatro Playa trabalha com temas políticos porque considera muito importante discutir essa questão, na medida em que no Chile as instituições não funcionam. Segundo o diretor Guillermo Calderón, que também assina o texto original, o teatro pode ser um meio de conscientizar as pessoas sobre os problemas sociais do Chile.

“O teatro não faz justiça, mas propõe reflexões,” afirma Guillermo.

A atriz Macarena Zamudio, integrante do grupo, acrescenta: ”Apresentamos um tema que precisa ser tratado com atenção sempre, já que o Chile viveu muitos anos sob um sistema fechado e repressor”.

O Teatro Playa surgiu em 2010. Villa e Discurso são os primeiros trabalhos do grupo, que estrearam em janeiro de 2011 participando, também, de vários festivais nacionais. São artistas que se uniram pelo desejo comum de realizar um teatro engajado, com profundidade e que apresente temas atuais e concretos.

O grupo traz a BH montagens que têm um elo em comum – o foco na política e as dificuldades dos governantes em realizar reformas que beneficiem toda a população.

Em Villa, três mulheres buscam estratégias para reconstruir a Villa Grimaldi, o principal centro de tortura e extermínio da ditadura do general Pinochet. A intenção é transformar o local num espaço de preservação da memória das vítimas da ditadura.

Na segunda peça, Discurso, são propostas reflexões sobre a mulher e o seu papel na sociedade a partir da história da ex-presidenta chilena Michelle Bachelet, primeira mulher a assumir a presidência no país e que foi vítima de torturas.

Os atores apresentam o discurso imaginário da sua despedida do poder e colocam em questão as aspirações e frustrações de uma geração que elegeu uma governante que tinha como proposta a realização de medidas populares.

“As mulheres foram fundamentais na luta pelo respeito aos direitos humanos e muitas são sobreviventes das atrocidades cometidas no período ditatorial”, ressalta Calderón, diretor que tem uma trajetória pautada por trabalhos que abordam a realidade de seu país.

Mesmo que a peça esteja atrelada à realidade chilena, Calderón afirma que os brasileiros entenderão perfeitamente o seu conteúdo porque também compartilhamos esse cotidiano por muito tempo. “Despertar reflexões e o senso de memória da população devem ser preocupações não somente dos chilenos, mas de todos os povos que vivenciaram repressões”, complementa o diretor.

DETALHES

Vila e Discurso / Domingo, 17/junho, 19:00 / Auditório da Fafich /Rua Carangola, 288 – Bairro Santo Antônio /Telefone: (31) 3409-5050

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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