FTC: A latente expressividade do Ateliê Voador conta Jean Genet

Michel Fernandes*, do Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com.br)

Duda Woyda e Rafael Medrado em "O Diário de Genet"
Duda Woyda e Rafael Medrado em “O Diário de Genet”

CURITIBA – Um dos mais interessantes espetáculos que estrearam na 22ª edição do Festival de Teatro de Curitiba, O Diário de Genet, texto e direção de Djalma Thürler, teve a marca latente da expressividade corporal para contar a vida do francês Jean Genet e evocar a diversidade clamando por sua liberdade, talvez a pedra fundamental de suas obras.

Duda Woyda e Rafael Medrado fizeram as vezes de autor-rapsodo, narrando fatos do processo de criação, entremeando vida e obras de Jean Genet – autor considerado marginal, que utilizou fatos reais como crimes e pederastia, retirados de sua própria vida ou de notícias de jornal, sob o manto da mais intrigante e criativa ficção -, verticalizando as temáticas básicas de Genet – risco, amor, morte, entrega, entre outros – por meio de partituras corporais, a resposta coreográfica, em que o contato-improvisação imperou, às sensações causadas pela leitura aprofundada do autor. Sem utilizar palavras, Woyda e Medrado fizeram transpirar sensações que temos ao ler Nossa Senhora das Flores, Querelle, As Criadas, só para citarmos algumas das obras que são representadas nessa rapsódia.

A direção de Djalma Thürler é cirúrgica, a ponto de não a percebermos, já que ele aposta no jogo cênico e na potência dos atores. O resultado é a concisão pungente de um espetáculo que propõe aos espectadores autorreflexões sobre a liberdade.

*Michel Fernandes viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.