FTC: Duas pérolas dominaram a Mostra Oficial 2013

Michel Fernandes*, do Aplauso Brasil (Michel@aplausobrasil.com.br)

A artista JaRam Lee em performance aclamada no Festival de Teatro de Curitiba
A artista JaRam Lee em performance aclamada no Festival de Teatro de Curitiba

CURITIBA – Entre as dezenas de espetáculos que já encerraram suas temporadas no 22º Festival de Teatro de Curitiba, dois, do que assisti, merecem registro especial: Pansori Brecht UKCHUK-GA, espetáculo coreano, e A Marca da Água, da carioca Armazém Companhia de Teatro.

Afogando em sensibilidade com a Armazém

Quando decidimos assistir a um espetáculo da carioca Armazém de Teatro, as expectativas positivas em relação ao que vamos conferir é acréscimo de responsabilidade ao grupo. A Marca da Água, de Mauricio Arruda Mendonça e Paulo de Moraes, também diretor da montagem, é das pérolas de sensibilidade que o escafandrista, pertencente à memória da protagonista da peça, desvela ao público.

Um peixe enorme é encontrado por Laura, Pstrícia Selonk em sensível e memorável composição, na frente da piscina de sua casa. A plástica cenográfica (do próprio Paulo de Moraes), as inserções em vídeo projetadas na espécie de porta que ocupa o fundo do cenário sugere a atmosfera surreal que nos recorda Renè Magritte, em lampejos líricos que formam as memórias vividas e, também, as imaginadas por Laura.

A premiada Patricia Selonk como Laura em  A Marca da Aguá
A premiada Patricia Selonk como Laura em A Marca da Aguá

A fragmentação da dramaturgia com seus avanços e recuos no tempo, as memórias criadas em que protagonizam personagens que,tão somente, habitam a mente da protagonista dão a chave que conduzem a cena: submergimos ao intimo de Laura e somos encharcados por sensibilidade e poesia.

Ricardo Martins dá a seu personagem tonalidades tão vibrantes que nos questionamos se o trauma que traz melancolia à Laura é, efetivamente, físico ou emocional: a morte prematura de um pai apaixonante.

 

 

 

Espetaculo coreano se apropria do ritmo pop mesclado à sonoridades tradicionais
Espetaculo coreano se apropria do ritmo pop mesclado à sonoridades tradicionais

Brecht em coreano

Pansori, segundo informação da assessoria de imprensa do 22º Festival de Teatro de Curitiba, “é um gênero, muito popular na Coreia, de canções narrativas sempre interpretadas por um cantor e um percussionista”. PansoriProjects ZA utilizaram o formato das canções narrativas para contar/ cantar a peça Mãe Coragem e Seus Filhos, do dramaturgo alemão Bertolt Brecht, mesclando elementos da tradição coreana, caso da presença da percussão tradicional do Pansori, à liberdades poéticas de mais músicos compondo a cena evocando,inclusive, uma batida pop  com direito a um globo espelhado.

A potência nuclear atingida pelo espetáculo reside na fascinante, poderosa e todos os adjetivos que louvem JaRam Lee. Além da exuberante técnica de voz, potente e bela, a artista ensina, sem que tenha intenção, a arte de interpretar as palavras que canta.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

*Michel Fernandes viajou à convite do Festival de Teatro de Curitiba

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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