Gabriela Duarte é A Garota do Adeus

Nanda Rovere, especial para o Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Edson Fiesch e Gabriela Duarte dividem o palco em peça de Niel Simon

SÃO PAULO – A Garota do Adeus, do dramaturgo norte-americano Neil Simon, é mais uma produção do ator Edson Fiesch, que fez sucesso na capital paulista com o espetáculo Um Estranho Casal, do mesmo autor, em 2009. Neste novo trabalho, o artista está no palco ao lado das atrizes Gabriela Duarte, Julia Gomes, Clara Garcia e do ator Nilton Bicudo. A direção é de Elias Andreato. A estreia é nesta sexta-feira (11) Teatro Renaissance.

A comédia romântica A Garota do Adeus é a primeira adaptação para o teatro do filme Goodbye Girl, de 1977, de Simon, e apresenta a história da dançarina e atriz Paula Menezes (Gabriela Duarte), que  é abandonada pelo namorado. Ele vai para a Espanha fazer um teste para um longa de Almodóvar e, sem o consentimento de Paula, subloca o apartamento em que ela e a filha Luci (Julia Gomes) vivem para o ator Hélio Garcia (Edson Fieschi).

Num primeiro momento, Paula tenta impedir que Hélio entre em sua casa, mas acaba cedendo. Recém-contratado para estrelar uma montagem de Ricardo III, Hélio muda a rotina de Paula e sua filha. Paula e Hélio não têm um temperamento fácil e a convivência entre os dois é conflituosa, mas com pitadas de humor.

Fieschi entrou em contato com A Garota do Adeus através do autor de novelas Gilberto Braga e a leveza do texto chamou-lhe a atenção. Como Simon é um dos autores que mais transita entre o teatro e o cinema, adaptar a obra cinematográfica para a linguagem teatral não foi um trabalho muito complicado.

“No cinema, existem os cortes entre uma cena e outra. Já nos palcos, a dinâmica é bem diferente. Tem trocas de roupas, ambientes, uma outra estrutura”, diz Fieschi.

A peça é fiel ao filme, com algumas mudanças na estrutura dos personagens. Além disso, a trama original, que se passa em Nova York, foi ambientada na cidade de São Paulo e assim o público terá a chance de uma maior identificação com a história dos personagens.

"A Garota do Adeus"

“As referências de Neil Simon são nova-iorquinas, mas o centro da sua obra fala das relações humanas, por isso a história pode ser contada em qualquer lugar do mundo”, declara Fieschi.

Gabriela Duarte foi convidada para fazer a protagonista por Fieschi devido ao seu desempenho na novela Passione.

“Fiquei impressionado como a Gabriela era engraçada sem sair do caminho da verdade”, diz Fieschi.”Precisava da leveza de uma comediante que fosse verdadeira na sua interpretação e Gabriela apresentou essa característica em seu trabalho na TV”, complementa o ator.

A atriz se diz muito satisfeita com esse trabalho por vivenciar o papel de uma mãe num momento em que ela está curtindo a chegada de seu segundo filho,  Frederico, de 5 meses.

“Transitar num universo parecido com a vida real e dar refinamento às cenas está sendo um grande desafio”, conta a atriz.

Gabriela também declara que tem procurado enxergar o lado bom da vida e que, apesar de gostar de fazer qualquer tipo de papel, está muito feliz em atuar numa comédia em que pode mostrar a sua versatilidade enquanto profissional.

A Garota do Adeus marca a volta da atriz para os palcos, cuja última montagem foi há cinco anos, em As Mulheres da Minha Vida, coincidentemente um texto também de Neil Simon. Segundo a atriz, Paula é frágil em muitos momentos, mas também é forte e batalhadora, pois tem que cuidar da sua sobrevivência e da filha.

Paula é deixada no início da peça e ao longo da história ela se transforma, ganhando cada vez mais maturidade.  Não é uma pessoa de sucesso, mas luta para cuidar da casa e da filha, a qual sempre lhe dá apoio.

“Mãe e filha são muito ligadas, como numa simbiose”, salienta Gabriela.

O conceito moderno de sucesso é estar sempre nos centros das atenções, é ser estrela, mas Paula percebe que pode ser feliz com coisas simples, amando e se dedicando à família.

Clara Garcia vive a amiga de Paula e outros personagens pontuais. A atriz, que atuou ao lado de Fieschi em Um Estranho Casal, diz se identificar com a peça porque se afastou dez anos do teatro para dedicar-se ao casamento.  “Eu amo a minha profissão, mas o meu casamento vem em primeiro lugar”, relatou. Se tivesse que escolher entre a profissão e o casamento, a atriz afirma que optaria pelo segundo.

Nilton Bicudo interpreta um diretor de teatro extremamente louco, que acredita que Ricardo III é gay. O seu personagem, conta o ator, promove cenas engraçadas e remete o espectador ao universo do teatro, que é prazeroso, mas também tem muitas ciladas e percalços. Bicudo também vive um coreógrafo paquerador que tem a função de enfatizar a comicidade da montagem.

Um dos destaques da montagem é a presença da jovem atriz Júlia Gomes, que, com 10 anos de idade, apresenta uma desenvoltura que chama a atenção.  Júlia, que aos seis anos brilhou no musical A Noviça Rebelde, é paparicada pelo elenco e pelo diretor. ¨A Lucy é um presente. Fazer o espetáculo é difícil porque exige responsabilidade e disciplina, mas eu sei que eu sou dedicada¨, diz.

Além do espetáculo, Júlia está atuando na novela das sei, da Globo, e afirma que a TV e o teatro são parte de sua vida. ¨Trabalhar com o Elias é uma honra e sei que todos os meus personagens marcarão a minha vida¨, finaliza.

Para Fieschi, trabalhar com este elenco é um privilégio, mas ele destaca  Júlia e também Gabriela, que está com a maternidade à flor da pele. Segundo ele,  as duas atrizes contribuem de modo especial para que o espetáculo prime pela delicadeza , característica que Elias Andreato imprimiu na sua direção.

O diretor Elias também tece elogios ao elenco: “Já dirigi Nilton e sempre que for possível quero estar ao lado dele, com todo seu talento. Clara Garcia é uma atriz versátil e talentosa. O Edson é um grande ator, que busca seu caminho com precisão e muita dedicação. Ele sabe escolher seus personagens e o que pretende com eles. A leveza, humor sutil e carisma da pequena-grande Gabriela Duarte, que quer fazer sua própria história na dramaturgia brasileira, é deliciosa. Serei eternamente grato por poder participar deste momento da vida da Gabriela e de todos estes talentos juntos”, diz ele.

Andreato quer que a peça provoque uma nostalgia semelhante às ¨ sessões da tarde¨ e acredita que atualmente fazer uma peça que prime pela delicadeza é um ato quase político.

“O público sai do teatro feliz. A peça tem uma história simples e o que pretendemos é contar uma linda história de amor, com romantismo e delicadeza”, afirma.

O diretor também destaca que o bom relacionamento do elenco tem contribuído para que a interpretação dos atores seja conduzida para um caminho que provoque encantamento no espectador.

A luz, de Mário Martini, funciona como um personagem, na medida em que dita o tom e o ritmo das cenas. O cenário de José Dias não é realista, mas se inclina para o realismo e neste sentido exige precisão na movimentação dos atores em cena, sobretudo nas entradas e saídas dos personagens.

O figurino é de Fabio Namatame e também dita o ritmo das cenas, visto que várias trocas de roupas acontecem e se elas não forem cronometradas a dinâmica do espetáculo pode sair prejudicada. A trilha, de Aline Meyer, também é de suma importância para a fluidez do espetáculo, pois indica o movimento e o ritmo que Elias imprimiu na encenação.

Ficha técnica:

Texto: Neil Simon.

Adaptação: Edson Fieschi.

Direção: Elias Andreato.

Elenco: Gabriela Duarte, Edson Fieschi, Nilton Bicudo, Clara Garcia e Julia Gomes.

Iluminação: Mário Martini.

Cenário: José Dias.

Figurino: Fábio Namatame.

Produção Geral: Luciano Borges.

Serviço:

A Garota do Adeus

Estreia dia 11 de maio no Teatro Renaissance.

Alameda Santos, 2233 – Jardins – São Paulo. Temporada: sextas, às 21h30, sábados, às 21h e domingos, às 18h. Classificação: 10 anos.

Preços: sextas R$ 70, sábados e domingos R$ 80.  Capacidade do teatro: 462 lugares. Duração: 90 minutos. Até 5 de agosto. Vendas por telefone e internet: Ingresso Rápido

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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