“Gomorra, Crime, Revolta e Dor”  faz  mais 3 apresentações no Pequeno Ato

 

 SÃO PAULO – Depois do sucesso de público na temporada de estreia na Oficina Cultural Oswald de Andrade, o espetáculo Gomorra – Crime, Revolta e Dor, escrito e dirigido por Jean Dandrah, faz mais quatro apresentações no Teatro Pequeno Ato, até  8 de novembro, sempre às sextas, às 21 horas. A peça do Grupo Palco Meu de Teatro retrata uma tragédia urbana com personagens que costumam ter sua humanidade ignorada pelo resto da sociedade.

 

Com uma influência do teatro de Nelson Rodrigues e inspirado livremente em Hécuba de Eurípedes, GOMORRA – CRIME, REVOLTA E DOR lança solene aviso ao opressor. Suas vítimas não permanecerão impotentes. Personagens fortemente pressionadas, podem muito bem se tornar demônios de fúria e ódio e em seu desespero. Um mundo igualmente obscurecido pelo opressor e pelo oprimido. Impossível distinguir vilões dos mocinhos. O espetáculo retrata a crueldade exarcebada de um grupo de excluídos que vivem a margem da sociedade paulistana no final da década de 1970. O retrato de uma desigualdade social crua, nefasta que atravessa décadas num Brasil que insistem em permanecer num limbo sem escrúpulos.

 

Lente de aumento

Traficantes e prostitutas estão em cena e trazem uma alta dose de realismo em seus diálogos e corpos. E, o mais curioso, o público nem sempre repara que a história se dá nessa época. “Vivemos num Brasil cíclico, que ainda não resolveu uma série de questões sociais daquela época. Continuamos sem saber falar sobre prostituição, envolvimento com drogas, além de não saber ou querer lidar com pessoas que se envolvem nessa seara”, explica Jean.

 

Ao trazer essa história para a plateia, Jean buscou colocar uma lente de aumento nessa situação e fez uma extensa pesquisa, conversando com pessoas em situação de tráfico, prostitutas, psicólogos e outras pessoas que dessem pista sobre esse tema. “Eu sempre me preocupei em fazer um teatro que trabalhasse questões importantes. Um teatro das catacumbas, que mexe com os brios do espectador e o deixa incomodado. Para mim, esse é o sentido da arte”, conta o diretor e dramaturgo que também está em cena.

 

Ao lado de Jean, existem mais 12 atores, selecionados a partir de um chamamento do próprio para compor o elenco. São eles: Alessandra Catarina, Daniela Pinfild, Elizeu Costa, Giovanna Colaccico, Lisandro Leite, Litta Mogoff, Luciano Rocha, Maria Luiza Castelar, Maurício Fiori Júnior, Pedro Bonilha, Renata Bittencourt e Wilton Walban.

 

Apesar de cada um ter um tom próprio do seu personagem, o que Jean diz que exigiu de todos foi a verdade na fala e no olhar. “GOMORRA é de um realismo muito cruel. Eu não queria que nenhum dos atores pendesse para o caricatural das suas personagens, algo muito faço nas figuras que temos. Esse é um projeto em que enfiamos a mão no lixo e sem luva para revirar tudo de pior que existe no ser humano e na sociedade”.

 

Oficina Teatro Realista

Além das apresentações extras de GOMORRA – CRIME, REVOLTA E DOR, Jean Dandrah também prepara um workshop de Interpretação: o Realismo no Teatro, de 30 de outubro a 27 de novembro, na Oficina Cultural Oswald de Andrade. Com inscrições feitas pelo site da Oswald até 19 de outubro, a atividade agregar noções básicas da técnica física e vocal do ator e análise de personagens e desenvolver, no participante, sua percepção espacial, temporal, rítmica e sonora, para a representação de situações dramáticas. As técnicas ensinadas são as mesmas que Jean uso para dirigir seu elenco na peça.

 

Serviço 

GOMORRA – CRIME, REVOLTA E DOR – De 18 de outubro a 8 de novembro, sextas, às 21 horas, no Teatro Pequeno Ato. Duração – 90 minutos. Ingressos – R$ 40,00 e R$ 20,00 (meia entrada). Vendas antecipadas: http://www.sympla.com.br/gomorra.  Recomendado para maiores de 16 anos. Direção e dramaturgia: Jean Dandrah. Realização: Grupo PalcoMeu de Teatro. Produção: Litta Mogoff, Giovanna Colaccico, Renata Bittencourt. Fotos: Kim Leekyung. Cenografia: Lisandro Leite. Iluminação: Roberto Herrera. Figurino: Andrea Pera. Elenco: Alessandra Catarina, Daniela Pinfild, Elizeu Costa, Giovanna Colaccico, Jean Dandrah, Lisandro Leite, Litta Mogoff, Luciano Rocha, Maria Luiza Castelar, Maurício Fiori Júnior, Pedro Bonilha, Renata Bittencourt, Wilton Walban.

 

Teatro Pequeno Ato – Rua Dr. Teodoro Baima, 78 – Vila Buarque

 

Oficina Interpretação: Realismo no Teatro. Incrições pelo site https://oficinasculturais.org.br/atividade/interpretacao-o-realismo-no-teatro/ até 19 de outubro. Horários: de segunda a quarta, das 18h30 às 21h30, na Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363).

 

Kyra Piscitelli

Kyra Piscitelli é jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e fez pós-graduação em Globalização e Cultura pela Faculdade de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Escreve sobre teatro e arte desde de 2009. Integra os Juris da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e do Prêmio Aplauso Brasil. Ávida por conhecimento, se não está em viagem ou estudo, só há um lugar para achá-la: o teatro!

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