GRÁTIS: PEÇA “ANAÏS NIN – À FLOR DA PELE” CONTA A TRAJETÓRIA DA ESCRITORA DE LITERATURA ERÓTICA FEMININA

SÃO PAULO – Estreia a peça Anaïs Nin – À Flor da Pele na Oficina Cultural Oswald de Andrade. O monólogo é encenado por Flávia Couto, que se inspirou nos diários íntimos e correspondências secretas da autora de “A Casa do Incesto” para retratar sua luta pela liberdade artística, sexual e emocional em meados da década de 1930. Em um cenário que remete ao “quarto de palavras” da autora, o público ouve as confissões e mergulha nas aventuras que se passam ora na provinciana Louveciennes (cidade a 30 quilômetros de Paris), ora na capital francesa ameaçada pela Segunda Guerra Mundial, ora na agitada e libertina Nova Iorque.

A relação incestuosa com o pai Joaquín Nin (músico e compositor cubano), a tediosa vida burguesa ao lado de seu marido Hugh Guiler e as aventuras amorosas com o escritor Henry Miller são alguns dos assuntos abordados. Fragmentado em episódios que se passam entre 1931 e 1937, o espetáculo também conta a relação interpessoal de Anaïs com o discípulo de Freud, Otto Rank, e sua experiência com a psicanálise que, segunda ela mesma, permitiu o nascimento do seu verdadeiro eu.

Por se sentir à sombra de homens que passaram por sua vida, Anaïs estabelece seu compromisso com a escrita e a ela dedica sua vida. “O diário me salva da loucura. Ele me mantém viva. E eu quero consagrar à escrita toda energia que me impulsiona para relações humanas insatisfatórias, porque a arte me preenche. Na arte eu encontro o absoluto. Eu gostaria de confiar inteiramente em seres vivos, mas chega sempre um momento em que os seres vivos estão preocupados, de mau humor, ocupados, desatentos e então o interesse se desfaz, o que jamais se produz com o diário. ”

Em outro momento, afirma:  “Eu desafio o Homem. Um após o outro eu procurei um guia, um pai, um mestre, um homem. Eu tenho um marido, um protetor, amantes, um pai, camaradas, mas me falta ainda alguma coisa. Deve ser Deus. Mas eu detesto um Deus abstrato. Eu quero um Deus de carne e osso, encarnado e forte, com dois braços e um sexo. E sem defeitos”.

No palco, o corpo ganha a mesmo peso que a voz. Dirigida por Aline Borsari, a encenação contrasta texto e gestos inspirados no flamenco em um espetáculo que mescla a potência energética do sapateado da dança espanhola a momentos mais suaves da trama. A trilha sonora assinada por Juliano Abramovay acompanha a dramaturgia (do texto e do corpo), levando a diferentes espacialidades que compõem o enredo: a “sinfonia de celofane” da Broadway é contraposta com o jazz que nasce entre os negros do Harlem; a música de orquestra que simboliza o pai compositor se choca com o Flamenco, manifestação artística nascida de exilados, imigrantes e párias da sociedade, do qual emerge Maja, o eu lírico espanhol da autora. Ao longo do espetáculo, o público é transportado dos Estados Unidos a Paris, da vida livre ao cenário de guerra que se aproxima.

Ficha técnica

Texto original: Diários íntimos de Anaïs Nin
Adaptação teatral, interpretação e figurino: Flávia Couto
Direção e cenário: Aline Borsari
Trilha Sonora: Juliano Abramovay
Preparação em Flamenco: Miguel Alonso.
Laboratório Dramático do Ator: Antônio Januzelli
Iluminação, músico e operação de luz: João Jorge
Figurino saia de flamenco: Aire Flamenco y Pasión
Produção: Flávia Couto e Maya Produções
Fotos: Joseph Karadeniz e José Rubens Moldero
Vídeos: Alexis Delabastita

Serviço
Anaïs Nin – À flor da pele
De 19 de junho a 12 de julho – segundas, terças e quartas, às 20h
Oficina Cultural Oswald de Andrade
Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro
Telefone: 3222-2662
Entrada gratuita, com retirada de ingressos uma hora antes.
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 60 minutos
Capacidade: 30 lugares.

Redação Aplauso Brasil (redacao@aplausobrasil.com.br)