Grávido: esquetes divertidos sobre como ser pai nos dias de hoje

Maurício Mellone, editor do Favo do Mellone site parceiro do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Comédia coloca questões para pais de primeira viagem

Sob a direção de Alexandra Golik, comédia escrita por três atores — e pais de filhos pequenos — revela a visão masculina da gravidez, geralmente pouco valorizada. Marcelo Laham e Fábio Herford (autores ao lado de Gustavo Kurlat) encarnam no palco as mais engraçadas situações sobre a condição de ser pai

SÃO PAULO – Com um início eletrizante (profusão de luzes e sons), numa espécie de caixa o ator se debate, imitando os movimentos de um feto. Nasceu e agora? Engana-se quem imagina que o nascimento encenado no palco se refere a uma criança. Não, quem acaba de nascer é o PAI! É desta forma que a peça Grávido- a comédia do pai moderno, em cartaz no Teatro Cleyde Yáconis, dá o pontapé inicial numa sequência de esquetes hilários sobre a revolução emocional que o homem vive a partir do momento que sabe da gravidez da esposa.

Dirigida por uma mulher, Alexandra Golik, mas composta por três homens (Marcelo Laham, Fábio Herford e Gustavo Kurlat), a comédia mostra as diversas situações que o homem vive durante a gravidez, desde a notícia (que pode provocar diferentes reações), as dificuldades de lidar com as emoções da mulher durante este período, a sua total incapacidade diante de tarefas domésticas até seu encantamento com a criança que cresce e passa a compartilhar a vida com ele.

Do riso solto à emoção profunda, a peça fala da “imensidão do amor, assunto que não sai de moda e toca a todo o mundo”, de acordo com a diretora.

Marcelo Laham que tem um garoto de quase três anos e Fábio Herford, pai de uma garotinha, protagonizam "Grávido"

No palco, dois dos autores — Marcelo Laham que tem um garoto de quase três anos e Fábio Herford, pai de uma garotinha — protagonizam todos os esquetes sobre a condição de ser pai nos dias de hoje.

E há muitas diferenças: além da tecnologia (a cena da babá eletrônica não deixa ninguém na plateia sem dar boas gargalhadas), o homem atualmente é mais participativo na criação dos filhos, o que não ocorria nos tempos dos nossos avós.

O que o texto enfatiza é que não só a mulher passa pela difícil tarefa de gerar uma criança: o pai também sofre, tem dúvidas, angústias, alegrias, medos e satisfação pela condição de colocar um ser no mundo. Estão como as companheiras, grávidos:
“Contar o que acontece na vida do homem com a gravidez cria um contexto muito propício tanto para uma crítica quanto para uma auto-avaliação de toda a situação, fazendo com que o espetáculo seja ao mesmo tempo bem divertido, mas cheio de ternura e poesia”, explica Alexandra Golik.

Um grande facilitador da conexão entre os esquetes é o cenário de Marco Lima: uma estrutura transparente, como um tapume, que se movimenta e forma desde um quadrado até uma parede divisória; nesta estrutura são projetadas imagens que ligam e complementam as cenas. A iluminação de Wagner Freire também é outra grande aliada para a concepção cênica da direção.

Destaque também para a trilha sonora, assinada por Gustavo Kurlat, o terceiro autor da peça, que contou com a participação especial de Ronnie Von na interpretação da canção que encerra a peça, Até parece.
Fico sempre num dilema em ir a estreias de espetáculos: a adrenalina de toda a equipe no primeiro dia pode ser benéfica para o resultado final e pequenos erros passam despercebidos; por outro lado, há espetáculos que necessitam do contato com o público para que tudo se encaixe e saia tudo bem. A comédia precisa ainda mais desta troca palco/ plateia, há o tempo exato da piada e, às vezes, na estreia há ainda um descompasso entre o texto cômico dito e a receptividade dos espectadores. Foi exatamente isto o que senti em Grávido: em algumas cenas não houve a interação desejada entre ator e público. No entanto, Marcelo Laham na maioria de seus esquetes tem a plateia em suas mãos, tem pleno domínio em cena.

Roteiro:
Grávido
. Texto: Gustavo Kurlat, Marcelo Laham e Fábio Herford. Direção: Alexandra Golik. Elenco: Marcelo Laham e Fábio Herford. Trilha sonora: Gustavo Kurlat. Cenário: Marco Lima. Iluminação: Wagner Freire. Direção de Produção: Fernando Cardoso e Roberto Monteiro.

Serviço:
Teatro Cleide Yáconis (288 lugares), Avenida do Café, 277, Estação Conceição do metrô. Informações: 11 5070 7018. Horários: sextas, às 21h30, sábado, às 21h e domingos, às 18h. Ingressos: sextas R$ 30, sábados R$ 40 e domingos R$ 30. Bilheteria: terça a sexta, das 14 às 20 horas; sábados e domingos das 14 até o início do espetáculo. Pagamento: cartões e dinheiro. Venda pela internet: www.ingressorapido.com.br e telefone: 11 4003 1212. Venda para grupos 11 3334 1358. Estacionamento no local. Censura: 12 anos. Duração: 80 Minutos.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.