Grupo3 de teatro monta peça sobre relações de trabalho no CCBB

Kyra Piscitelli, do Aplauso Brasil (kyra@aplausobrasil.com)

As atrizes Débora Falabella e Yara de Novaes em "Contrações". Foto:  Rodrigo Hypolitho/divulgação
As atrizes Débora Falabella e Yara de Novaes em “Contrações”. Foto: Rodrigo Hypolitho/Divulgação

SÃO PAULO – As relações humanas aparecem como mote de mais um trabalho do Grupo3 de Teatro. No entanto, se as primeiras três peças montadas por eles tratavam do campo do amor, o quarto espetáculo se usa de uma nova temática dentro das relações: o trabalho. Para a montagem de Contrações, os integrantes do grupo Débora Falabella, Yara de Novaes (que dividem o palco nas duas personagens da história) e o produtor Gabriel Paiva convidaram a diretora Grace Passô, do Grupo mineiro Espanca!. A tradução desta montagem é de Silvia Gomez, a trilha original é assinada por Morris Picciotto e tem cenário e figurino de André Cortez.  O espetáculo estreia em 19/10, no Centro Cultural Banco do Brasil.

Recentemente, o público pode acompanhar uma mostra de repertório com três primeiros espetáculos do Grupo3, no Sérgio Cardoso. As montagens de A Serpente, O Continente Negro e o Amor e Seus Estranhos Rumores tem algo em comum com a nova empreitada do grupo: o espetáculo Contrações. Segundo o produtor Gabriel Paiva “as quatro peças têm dramaturgos ousados e falam da relação de dominação entre os homens, seja na família, no amor ou no trabalho”.

No caso de Contrações, a temática é a relação de dominação no trabalho. “É o confronto de

As atrizes Débora Falabella e Yara de Novaes em "Contrações". Foto:  Rodrigo Hypolitho/Divulgação
As atrizes Débora Falabella e Yara de Novaes em “Contrações”. Foto: Rodrigo Hypolitho/Divulgação

duas personagens que trabalham no mesmo lugar em posições diferentes. O espetáculo mostra o quanto é desumano nosso sistema de vida, e o quanto as opções que fazemos de carreira, e em cima de um desejo de sucesso profissional gera uma série de desumanidades”, afirma a diretora Grace Passô.

Mas Grace faz um alerta: o texto do jovem dramaturgo inglês Mike Bartlett não trabalha em cima da realidade e sim de uma linguagem “absurda” – que mistura humor e tragédia com o uso de situações banais e frases feitas. São situações absurdas que de certa forma se assemelham ao cotidiano, mas passam longe das pretensões de um teatro realista.

Para reafirmar essa característica metafórica do espetáculo tudo é aparente. Por exemplo, os iluminadores ficam em cena com as atrizes e os refletores são todos aparentes. A ideia é que em meio a história e a um cenário de escritório, a plateia não se esqueça de que ali é um palco de teatro.

A atriz Débora Falabella, sem querer entregar a história, explica que a peça tem um confronto constante da sua personagem (a funcionária Emma) com a personagem da gerente interpretada por Yara de Novaes.“Contrações começa com a minha personagem sendo questionada sobre um relacionamento amoroso dentro da empresa”.

Para Débora a vida da personagem é a empresa e por isso ela desenvolve todas as relações lá, mas para manter o trabalho faz escolhas sempre em nome do dinheiro e do emprego. “Sem dinheiro você não pode levar nenhum tipo de vida”, diz Débora entoando uma frase de sua personagem que resumiria o espetáculo.

Para a atriz e diretora Yara de Novaes existe em cena um confronto de ideias constantes. “Existe um mecanismo de dominação dessa gerente, uma série de técnicas e a produção de uma verdade que conduz os atos da Emma para onde ela quer.”

Experiência
O Grupo3 percorreu oito cidades do interior paulista para construir o espetáculo. A iniciativa realizada em abril de 2013 fez a peça ser modificada com a presença do público. Ao final de cada apresentação, a plateia podia colocar suas impressões e opiniões sobre o texto e a montagem.

Este processo aconteceu pelo Circuito Cultural Paulista nas cidades de São Sebastião  Pirassununga, Espírito Santo do Pinhal, Limeira, Fernandópolis, Votuporanga, Botucatu e Dois Córregos. Ao todo os ensaios foram vistos por aproximadamente três mil pessoas.

Ficha Técnica:

Texto: Mike Bartlett. Tradução: Silvia Gomez. Direção: Grace Passô. Elenco: Débora Falabella e Yara de Novaes. Cenário e  Figurinos: André Cortez, Iluminação: Alessandra Domingues: Direção Musical e Trilha Sonora: Morris Picciotto. Direção de Produção: Gabriel Paiva. Idealização: Grupo 3 de Teatro

Serviço:

CCBB: Rua Álvares Penteado 112 (próximo às estações Sé e São Bento do Metrô). Temporada: De 19 de outubro até 9 de dezembro. Sábados às 17h30 e 20h, domingos às 18h e segundas às 20h. Duração80 min. Classificação indicativa: 14 anos. Ingressos: R$ 10.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

No Comments Yet

Leave a Reply

Seu email não será publicado

*