Itaú Cultural apresenta “O Tempo das Coisas – Mostra Rumos 2017-2018”

A ÚLTIMA INVENÇÃO

SÃO PAULO – Começa nesta sexta-feira (1º) e vai até domingo (3) a mostra que reúne 17, dentre os 109 projetos selecionados, trabalhos selecionados pela Mostra Rumos – programa de fomento cultural empreendido pelo Itaú Cultural – da edição 2017-2018.

O recorte para a seleção dos projetos que serão exibidos é o conceito de autopoiese – termo criado pelos biólogos e filósofos chilenos Francisco Varela e Humberto Maturana, cuja ideia básica é um sistema organizado autossuficiente.

Com curadoria e expografia da equipe do Itaú Cultural, as obras são exibidas no espaço expositivo, onde também está publicada uma relação dos demais trabalhos, e em apresentações cênicas, musicais, audiovisual, debate e oficinas. Ao fechar o ciclo do edital 2017-2018, a mostra marca, ainda, a abertura das inscrições para a nova edição do programa, o Rumos 2019-2020, um dia antes, 3 de setembro.

Para Galiana Brasil, gerente do Núcleo de Cênicas do Itaú Cultural e membro da Comissão de Seleção do Rumos e da curadoria desta mostra, assim como os sistemas biológicos que trabalham em círculos – cada organismo ao seu tempo, cada tempo operando um ciclo – “o tempo das coisas” conecta tempos e espaços que se abrem e encerram-se em si, mas que estão de alguma maneira em relação.

“Por ser arte, essa relação não é necessariamente natural, mas forjada pelas lentes de uma poética que busca sentidos outros, onde as perguntas são as sentenças mais seguras e esperadas. Qual a conexão entre o campo gravitacional e o ciclo de uma planta? Há poesia na queda?”, observa ela para concluir: “Ainda sobre esta nossa mirada, vale dizer que os ciclos também são culturais – de silenciamento, violência, opressão, assim como de resistência e encontro. O tempo é imperioso, singular, mas as coisas são plurais, e cada uma das 17 obras da mostra abriga, em si, toda a capacidade e potência próprias da criação.”

Entre os pisos 1 e -1 do instituto, O Tempo das Coisas traz nove trabalhos, que, no conjunto, refletem sobre regiões periféricas, violência urbana, esquecimento, e suas implicações artísticas, políticas, sociais e culturais, além dos processos de gentrificação nesses locais. Eles revelam a realidade de pequenos agricultores rurais frente à produção industrial. Abordam, temas como gordofobia, racismo, maternidade, discriminação, entre outros. Trazem, ainda, inovações tecnológicas na arte da animação e na reutilização de objetos descartados em ferros-velhos, transformando-os em arte. Apresentam, ainda, obras inéditas guardadas em acervos de artistas.

Os espetáculos de cênicas e músicaaudiovisualdebate e oficinas exibidos durante o período de realização da mostra são divididos entre as salas Itaú Cultural, Multiuso e Vermelha, além do piso -2. No dia de abertura da mostra tem apresentação da demonstração performática das máquinas A Última Invenção, do Grupo de Teatro de Pernas pro Ar, no espaço expositivo. A atividade se repete até o domingo (3).

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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