Joana d’Arc de Schiller é apresentado pela primeira vez no Brasil

Maria Lúcia Candeias, especial para o Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Teatro do Incêndio apresenta texto de Schiller inédito no Brasil

Joana D’Arc é citada na dramaturgia pela primeira vez, ao que parece, em uma das peças históricas de William Shakespeare. Depois disso, virou protagonista de um número incrível de autores. Para citar os mais conhecidos: Friedrich Schiller, Jean Anouilh, Jean Cocteau, Voltaire, George Bernard Shaw e Bertold Brecht.

Isso se deve à polêmica de que poderia ela ser uma farsante bem como uma iluminada. De um modo ou de outro ninguém discorda de que ela comandou as tropas dos franceses que acabaram vencendo os ingleses na guerra dos trinta anos (período medieval). A Igreja Católica só a canonizou em 1920, quinhentos anos após sua morte. Antecipando-se a isso, Schiller (1759-1805) escreveu uma peça em sua homenagem colocando-a não apenas como comandante dos exércitos vencedores, mas como comandada por Deus.

Marcelo Marcus Fonseca, diretor paulista de muitas montagens como A Boa Alma de Sétsuan, de Bertold Brecht, fundou o Grupo Teatro do Incêndio que está em cartaz  neste espetáculo, Joana D’Arc, A Virgem de Orleans, onde ele aparece também como ator. A peça é muito tocante mas, creio que por total respeito a Schiller, mantiveram  todas as palavras do grande pré-romântico alemão que influenciou o romantismo, até na França. Na estréia só havia um problema, eram mais de duas horas, aspecto que me disseram foi corrigido.

Liz Reis vive Joana D'Arc

O espetáculo nos leva ao mundo dos nobres sem tronos e similares, apenas com excelentes figurinos (de Liz Reis, que também brilha na pela da personagem central, e André Latorre, que se encarrega do Rei Charles). A iluminação é de Davi de Brito e Vânia Jaconis.

São ao todo dezessete atores de ótimo nível entre os quais Wanderley Martins.

Pela singeleza e precisão dos componentes visuais e do elenco vale ver.

Espetáculo: Joana D’Arc

Texto: Friedrich Von Schiller

Direção geral: Marcelo Marcus Fonseca

Elenco: Liz Reis, André Latorre, Wanderley Martins, Luis de Tolledo, Marcelo Marcus Fonseca, Thiago Molfi, Urias Garcia, David Guimarães, Cláudio José, Sonia Molfi, João Sant’Ana, Caio Blanco, Giulia Lancellotti, Robson Monteiro, Marcus Fernandes, Talita Righini, Paulo Solar, Louis Caetano, Vander Lins e Eraldo Junior.

Iluminação: Davi de Brito e Vânia Jaconis

Figurinos: Liz Reis e André Latorre

Trilha sonora: Marcelo Marcus Fonseca e Thiago Molfi

Preparação corporal: Liz Reis

Adereços: André Latorre e Beto Silveira

Maquiagem: Robson Monteiro

Assessoria de luta: Tarcísio Lakatos e Sérgio Uberti

Tradução: Mario Vitor Santos

Produção executiva: Cia. Teatro do Incêndio – www.teatrodoincendio.com.br

Fotos: Lenise Pinheiro

Local: Teatro Bibi Ferreira – www.teatrobibiferreira.com.br

Av. Brigadeiro Luiz Antonio, 931 – Tel: 3105-3129

Temporada: quartas e quintas – às 21 horas – Até 4 de agosto

Ingressos: R$ 50,00 (antecipados: www.ingresso.com, (4003-2330) – Gênero: Drama.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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