Jorge Takla dirige versão vibrante da ópera rock Jesus Cristo Superstar

Maurício Mellone, para o www.favodomellone.com.br – parceiro do Aplauso Brasil

JESUS CRISTO SUPERSTAR
JESUS CRISTO SUPERSTAR

Depois de versões pelo mundo, este clássico da história universal chega ao país pelas mãos do diretor brasileiro, em roupagem contemporânea. Com Igor Rickli, Negra Li e Alírio Netto nos papéis centrais

SÃO PAULO – Uma superprodução, com 28 atores em cena, 10 músicos sob a regência do maestro Marcos Aragoni, além de um conjunto deslumbrante de cenários, figurinos e iluminação. E, claro, a história tocante de Jesus Cristo em suas últimas semanas de vida contada no ritmo pulsante do rock. É neste clima que o espectador é envolvido desde os primeiros acordes de Jesus Cristo Superstar, em cartaz no Teatro do Complexo Ohtake Cultural.

A consagrada ópera rock, criada no início dos anos 1970 por Andrew Lloyd Webber e Tim Rice, chega ao Brasil com ares contemporâneos sem abandonar o caráter revolucionário da origem. Na versão de Bianca Tadini e Luciano Andrey e direção geral de Jorge Takla, os atores se vestem de jeans, coro, botas e adereços modernos.

“Trata-se de uma obra dinâmica e cheia de energia jovem, com uma música deslumbrante, além de cenários e figurinos contemporâneos, que mexem com o ‘jovem sonhador’ que existe em cada um de nós. Nossa montagem mostra Jesus Cristo e a sua turma como verdadeiros seres humanos, com suas qualidades e defeitos. Como aconteceu no surgimento do rock nos anos 1950, em maio de 1968 e junho de 2013 na Paulista… e como um bom teatro musical de hoje”, assegura Jorge Takla.

JESUS CRISTO SUPERSTAR
JESUS CRISTO SUPERSTAR

Como toda a ópera, a trama de Jesus Cristo Superstar é contada somente pelas canções e mostra as últimas semanas de vida do líder regilioso, desde a chegada dele em Jerusalém  (aclamado pela população) e em plena missão doutrinária, os conflitos e embates políticos com as autoridades locais e do império romano até sua prisão, julgamento e crucificação. O enredo é desenvolvido por três personagens centrais, Jesus Cristo, vivido por Igor Rickli, Maria Madalena, interpretada por Negra Li e Judas Iscariotes, defendido por Alírio Netto (que na versão mexicana viveu Jesus). Os poderosos Pôncio Pilatos, Herodes Antipas e Caifás, interpretados por Fred Silveira, Wellington Nogueira e Rogerio Guedes respectivamente, fazem o contraponto da história.

O musical, mais do que retratar a vida de Jesus, tem um tom político e contestador. As posições opostas diante da vida são mostradas inclusive entre os adeptos do líder: Judas a todo o momento põe em cheque as atitudes do companheiro.

“Jesus de Nazaré era antes de mais nada um revolucionário, que lutava contra a opressão. Ele não era somente um líder religioso. Líder, sim, mas humano, com seus conflitos e dúvidas, como qualquer líder espiritual budista, muçulmano, judeu ou cristão”, argumenta o diretor.

Saí do espetáculo contagiado pelo vigor e dinamismo da montagem. Destaque para o conjunto de elementos cênicos — cenários funcionais, iluminação grandiosa e figurinos elegantes e despojados —, que ao lado do som eletrizante nos remete ao centro da trama histórica. Um único senão: como o enredo procura ressaltar os últimos momentos de vida de Jesus Cristo, fiquei esperando pela ressurreição ao final, que não acontece. O valor dos ingressos também pode ser um fator que afaste as grandes plateias.

Roteiro:
Jesus Cristo Superstar. Texto: Andrew Lloyd Webber e Tim Rice. Direção: Jorge Takla. Elenco: Igor Rickli, Negra Li, Alírio Netto, Fred Silveira, Wellington Nogueira,  Rogério Guedes, Júlio Mancini e mais 21 atores.

Direção musical: Vânia Pajares, Coreografia: Anselmo Zolla, Versão brasileira:  Bianca Tadini e Luciano Andrey, Cenografia: Jorge Takla e Paulo Correa, Figurino:  Jorge Takla e Mira Haar, Designer de som: Fernando Fortes, Designer de luz: Ney Bonfante, Visagismo: Duda Molinos.
Serviço:
Teatro do Complexo Ohtake Cultural (627 lugares), Rua dos Coropés, 88 – Pinheiros, Tel: (11) 3728 4929. Horários: quinta e sexta às 21h, sábado às 17h e 21h e domingo às18h. Ingressos: de R$ 50,00 a R$ 230,00. Vendas na bilheteria do teatro sem taxa ou pela Internet (www.ticketsforfun.com.br), telefone (4003-5588) e pontos de venda (http://premier.ticketsforfun.com.br/shows/show.aspx?sh=pdv) – todos com taxa de conveniência. Classificação: 12 anos. Duração: 2h10min. (intervalo de 15 min) Estacionamento no local. Temporada: até 08 de junho.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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