Lampião e Lancelote promove o encontro entre o sertão nordestino e o universo medieval

Nanda Rovere, do Aplauso Brasil (nanda@aplausobrasil.com.br)

O espetáculo traz cenário e figurinos de tirar o fôlego. Foto João Caldas
O espetáculo traz cenário e figurinos de tirar o fôlego. Foto João Caldas

SÃO PAULO – Lampião e Lancelote  estreia sexta ( 14), às 21 horas, no Teatro do Sesi, na Avenida Paulista.  A direção é de Debora Dubois. Cenários de Duda Arruk e figurinos de Márcio Vinicius.  Elenco: Cássio Scapin como narrador, Daniel Infantini como Lampião e Leonardo Miggiorin como Lancelote. Trilha original:  Zeca Baleiro. Músicos: Bruno Menegatti (rabeca, viola e violão) e Ana Rodrigues (acordeon).

Lampião e Lancelote é o resultado da adaptação do livro homônimo de Fernando Vilela, que está entre os títulos mais premiados do Brasil.

A obra traz a união entre o sertão nordestino e a medieval Avalon do Rei Arthur, através do encontro de dos dois guerreiros mitológicos.

Fernando Vilela criou um encontro inusitado entre o cavaleiro medieval Lancelote e o cangaceiro Lampião: Lancelote (cavaleiro da Távola Redonda do Rei Arthur) desafia o famoso cangaceiro Lampião a um combate diferente das batalhas de guerras tradicionais: eles disputam quem faz o melhor repente.

A linguagem da peça, assim como no livro de Fernando Vilela, é a do cordel e da novela épica de cavalaria, com rima, improviso típico do cordel e o léxico medieval. 

Na peça Lancelote e Lampião duelam. Foto: Joao Caldas
Na peça Lancelote e Lampião duelam. Foto: Joao Caldas

Nas falas de Lampião encontramos a métrica tradicional do cordel e um linguajar mais simples (sextilha heptassilábica, isto é, seis versos com sete sílabas poéticas cada). Já nas falas de Lancelote, foi utilizada uma linguagem mais sofisticada – a setilha (sete versos de sete sílabas).

Fernando Vilela ressalta o esforço de toda a equipe do espetáculo em levar para o tablado a estética da sua obra literária, cuja narrativa surge a partir da junção dos textos e das ilustrações, que muitas vezes são mais importantes do que os diálogos.

Com relação às ilustrações, que inspiraram a elaboração dos figurinos e da indumentária, vale ressaltar que elas funcionam como carimbos. Para retratar o universo de Lancelote são empregadas as iluminuras medievais. Já para …Lampião, são usadas a xilogravura popular e fotografia de época.

Imagens projetadas ambientam a ação. Tons de cobre e prata evocam as balas, os anéis, moedas e as roupas de Lampião. bem como a espada e a lança dos cavaleiros.

A ideia de levar Lampião e Lancelote para o teatro foi acalentada por Vanessa Prieto, que ao ler o livro de Fernando Villela, ficou fascinada pela história. Apresentou o texto à diretora Débora Dubois, que também começou a sonhar com o projeto.

Apesar da montagem preservar a estrutura, o conteúdo e a poesia da obra literária, na versão teatral foi acrescentada a figura de um narrador, interpretado por Cássio Scapin.

Segundo  Scapin, quando a diretora disse que o espetáculo era um musical brasileiro, ele ficou encantado pelo projeto e diz que está satisfeito com o resultado: ¨Sempre quis trabalhar no Sesi e com a Débora. Apesar de estar com vários compromissos, tenho as noites livres e reservei o espaço para os ensaios¨, diz o ator.¨Trabalhar com o Zeca Baleiro também foi algo fenomenal¨, completa.

Daniel Infantini  e Leonardo Miggiorin interpretam Lampião e Lancelote, respectivamente. Têm a função de dar vida a personagens emblemáticos da história e imprimir brasilidade nas suas interpretações.

Leo Miggiorin, assim como Scapin, afirma que está contente com o trabalho. Diz também que o encara como uma possibilidade de aprimoramento artístico: ¨Foi um prazer conhecer a obra de Fernando Villela. Estou nervoso porque faço um guerreiro, não mais um garoto. Posso caminhar um pouco mais no meu desenvolvimento artístico¨, conta Miggiorin.

Um dos destaques entre os demais personagens é a presença de Maria Bonita, interpretada pela atriz Luciana Carnieli, mulher forte que esteve ao lado de Lampião.

Apesar de não ser retratada na peça de forma realista, a sua essência está em cena. ¨Uma mulher emblemática e forte. Que representa a mulher brasileira¨, nas palavras de Luciana.

A participação de Zeca Baleiro na criação da trilha sonora sela uma segunda parceria entre o músico e a diretora Débora Dubois (depois da encenação de Quem Tem Medo de Curupira, que ficou em cartaz no Sesi e trazia a assinatura de Baleiro na trilha e na dramaturgia).

Para a encenação de Lampião e Lancelote, o músico utiliza a trova e o cordel nas canções com características medievais.

 

Ficha técnica:

Livre adaptação: Braulio Tavares do livro Lampião & Lancelote,

de Fernando Vilela

Música Original: Zeca Baleiro

Assistente de Direção: Márcio Macena

Direção e Concepção: Debora Dubois

Elenco:

Cássio Scapin – Narrador

Daniel Infantini – Lampião

Leonardo Miggiorin – Lancelote

Luciana Carnieli – Maria Bonita

Vanessa Prieto – Morgana

Ale Pessôa e Tarita de Souza – Bando de Lampião

Músicos: Ana Rodrigues e Bruno Menegatti

Cenário: Duda Arruk

Figurinos: Márcio Vinicius

Pesquisa e Arte Gráfica: Fernando Vilela

Iluminação: Debora Dubois

Fotografia: João Caldas

Preparação vocal: Tarita de Souza

Preparação corporal e coreografias: Roberto Alencar

Vídeo: Filmes Para Bailar

Direção Musical: Fernando Nunes, Tarita de Souza e Zeca Baleiro

Administração: Vanessa Campanari

Assistente de Produção: Nicole Marangoni

Produtores Associados: Debora Dubois, Edinho Rodrigues, Elza Costa, Vanessa Prieto

Direção de Produção: Brancalyone Produções Artísticas (Edinho Rodrigues e Elza Costa)

Realização: Brancalyone Produções Artísticas e Vanessa Prieto Produções

Serviço:

Lampião e Lancelote

Teatro do SESI-SP (456 lugares)

Av. Paulista, 1313 (Metrô Trianon-Masp)

Informações (11) 3146-7405       / 7406

Vendas na bilheteria do teatro ou 4003-5588 / www.ticketsforfun.com.br

São vendidos dois ingressos por pessoa. Nos dias gratuitos, a distribuição dos ingressos tem início a partir da abertura da bilheteria no mesmo dia do evento. Horário de funcionamento da bilheteria: de quarta-feira a sábado, das 13h às 21h; domingo, das 13h às 20h. São distribuídos dois ingressos por pessoa.

Quinta a Sábado às 21h | Domingo às 20h

Quintas e Sextas – gratuito.

Sábados e Domingos – R$ 10

Duração: 70 minutos

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.