Leia entrevista exclusiva com cineasta de A Saga de Maria

Franklin Catan, especial para o Aplauso Brasil (franklin@aplausobrasil.com)

"A Saga de Maria", de Alexandre Estevanto

Natural de Marília, interior de São Paulo, o cineasta Alexandre Estevanato apresenta a première do longa-metragem A Saga de Maria na próxima sexta­-feira (30). Dia 7 de maio o filme ganha exibição em São José do Rio Preto, no SESC Rio Preto, também, às 20h.

Alexandre Estevanato falou com exclusividade para o Aplauso Brasil, sobre sua trajetória no cinema e sua infância.

Aplauso Brasil – Como foi sua infância em Marília?

Alexandre Estevanato –Tive uma infância bem vivida em Marília, uma época em que brincar na rua de carrinho de rolimã era a brincadeira do momento. Quem tinha Atari era “o cara”, eu não tinha… risos. Cresci com meus pais e meu irmão mais novo, foi uma ótima etapa de minha vida.

AB – Como e quando você descobriu que queria fazer cinema?

AE – Meu pai me presenteou com um projetor Disney quando fiz 10 anos, era um brinquedo que projetava imagens grandes na parede, eram desenhos do Mickey, Pateta, Pato Donald etc., isso me encantou. Eu fazia “sessões de cinema” em casa, convidava os colegas e cobrava 10 centavos de cada um (risos). Isso despertou um apreço muito grande por esta arte já nesta época. Mas a confirmação mesmo veio com a Faculdade.

AB – Você chegou a fazer faculdade na área?

AE – Cursei Publicidade e Propaganda em Marília, tive excelentes professores que desde o 1º ano me auxiliaram , indicando-me os melhores caminhos. Dentre eles, Maria Inês , Roberto Reis, Maria Tereza e todos os outros professores foram de vital importância para despertar meu interesse na área da comunicação, e mais especificamente no cinema. Depois da Faculdade, fiz especialização em cinema e iniciei meu mestrado, ainda não concluído, pela Unimar. Fiz também vários cursos livres na área de roteiro, produção e direção em cinema.

AB – Como você fez para entrar nesse meio que é tão concorrido e pequeno?

AE – Na Verdade a concorrência neste meio acontece de um modo engraçado, a comunicação é uma profissão em que os “egos” são muito aflorados, então creio que ao invés de concorrentes, devemos ter parceiros para somar,  não concorrer. E não é um meio pequeno não, é muito grande, em grandes centros, como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, por isso optei em desbravar o interior, creio que assim, a visibilidade obtida aqui, pode projetar nossos trabalhos Brasil afora, de uma forma um tanto quanto exclusiva, como vem acontecendo.

O cineasta Alexandre Estevanato

AB – Quais foram as principais dificuldades?

AE – São as de sempre, trabalhar com arte em nosso país ainda é um grande desafio, cinema então, nem me fale… (risos). A credibilidade perante possíveis patrocinadores quando se está começando é quase impossível, o empresário ainda tem um certo desconhecimento com relação aos benefícios ao patrocinar um filme por exemplo. No começo, sem muitas referências, o empresário quase sempre recusa o apoio, eu tive na verdade um pouco de sorte, sempre encontrei pessoas que acreditaram em meus trabalhos, desde o começo, minha família é um ótimo exemplo disso.

AB – Quais são os diretores atuais cujo trabalho você admira?

AE – São muitos diretores que me chamam atenção, tanto como expectador, quanto profissionalmente. Gosto muito do trabalho do Fernando Meireles, prata da casa, Jorge Furtado, outro brasileiro guerreiro que se iniciou no cinema em 1989, com o curta-metragem Ilha das Flores. Dos internacionais admiro muito o Martin Scorsese, Quentin Tarantino, Woody Allen, e o meu preferido, Steven Spielberg, acompanho toda sua carreira e me identifico muito com seu modo de conduzir a direção.

AB – Qual seu primeiro trabalho?

AE – Comecei com o curta-metragem Vidas Eternas, de 25 minutos, que produzi em São José do Rio Preto, graças a um edital que ganhei, Fui contemplado pelo roteiro e ganhei uma verba para produzir o filme. Como o dinheiro era insuficiente para custear toda a obra, consegui meus primeiros patrocinadores e parceiros para produzir. O curta conta a história de um casal de jovens apaixonados que fora separados na época da 2ª Guerra Mundial, ele soldado, fora sorteado para ir à Itália combater e ela fica no Brasil, a sua espera.

AB – Quantos e quais filmes (curta e longa) foram feitos por você até hoje?

AE – Produzimos (refere-se a seus colegas de trabalho), até hoje, dois curtas-metragens, o Vidas Eternas e o , e dois longas-metragens, que são o Quando o Céu Era Azul e Muito Mais que Guitarras.

AB – O seu longa-metragem Quando o Céu Era Azul,foi selecionado para a 18º edição do Gramado Cine-Vídeo. Qual a importância desse prêmio para você?

AE – Minha maior consagração profissional até hoje. Este festival é a copa do mundo para o cinema brasileiro e fomos um dos cinco selecionados do País, e tivemos o privilégio de abrir o Festival com nosso filme, foi fantástico, os contatos que fiz neste festival foram muito interessantes também, aprendi muito em todos os festivais que fui até hoje, mas nada comparado ao Festival de Gramado.

AB – Quando o Céu Era Azul é um filme teen. De onde surgiu a idéia de fazer um filme direcionado para o público adolescente?

AE – Na época não pensava em fazer um filme teen, Quando o Céu era Azul, trata-se de uma autobiografia, conta minha história e a de meus amigos de infância, é uma história real, um drama, nosso filme teen é o Muito Mais que guitarras, este sim foi direcionado para o público jovem, o cinema nacional é feito de tendências, e a tendência deste ano que passou foi e ainda carrega traços de uma tendência jovem, então decidimos apostar.

AB – O curta-metragem conta a história de um roteirista de cinema em meio a uma crise existencial que tenta a todo custo desenvolver uma ideia para um novo roteiro. Essa história foi inspirada em você de alguma forma?

AE – Este curta-metragem foi um tiro no pé. Ninguém apostou na ideia, por ser uma ideia forte, um filme existencialista que o telespectador assiste e fica com um nó na cabeça quando chega no fim, ainda sim foi selecionado para o Festival de Cinema de Cabo Frio , no Rio de Janeiro. Não, não foi inspirado em mim. Claro que todo roteirista passa por momentos de bloqueios, mas não foi uma inspiração não, foi uma história fictícia mesmo.

AB – Em A Saga de Maria Antônia a inspiração veio de onde?

AE – Este curta-metragem nasceu da necessidade que sinto em mostrar para as autoridades de nosso país o quanto somos um país desigual, é um grito de socorro para essa gente que sofre tanto todos os dias e muito pouco é feito em sua causa. Falo dos cortadores de cana que sofrem diariamente trabalhando mais de 10, 12 horas, sacrificando seus corpos e suas mentes para sobreviver, quando muito. É um drama que promete fazer com que o espectador saia da sala de exibição ao menos um pouco mais reflexiva.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.