Lilia Cabral traz a São Paulo o sucesso Maria do Caritó

Maurício Mellone, editor do Favo do Mellone site parceiro do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Lília Cabral é "Maria do Caritó"

De Newton Moreno e direção de João Fonseca, a comédia mostra a atriz como uma solteirona virgem que quer se casar. Com Lilia no elenco estão Eduardo Reyes, Dani Barros, Fernando Neves e Silvia Poggetti

SÃO PAULO – Diversos prêmios, indicações a outros e uma temporada de nove meses de sucesso no Rio de Janeiro, a comédia de Newton Moreno Maria do Caritó acaba de estrear no Teatro FAAP. Lilia Cabral não só vive a protagonista como solicitou a peça ao autor e é uma das produtoras. Envolvimento e entrega totais a um projeto, marca registgrada da atriz, assim como já fez com Divã, sucesso teatral que saltou para as telonas e depois virou série de TV.

Depois de interpretar mulheres densas e sofridas nas telenovelas, desta vez Lilia volta para a comédia, mas com uma personagem que vive um drama. Maria nasceu de um parto difícil, em que a mãe não sobreviveu e seu pai a prometeu a São Djalminha se ela vingasse. Moral da história: a moça permanece virgem até os 50 anos, tem fama de fazer milagres, porém sonha em se casar e faz de tudo para encontrar seu príncipe.

“É cômico para quem vê e trágico para quem vive! A Maria do Caritó sente uma frustração imensa por não ter se realizado como mulher. O que mais me encantou neste texto é que ele fala sobre fé. A personagem não deixa de acreditar”, explica a atriz.
A peça do pernambucano Newton Moreno Maria do Caritó é repleta de crendices e costumes do imaginário popular.  A começar pelo cenário, assinado por Nello Merrese, que traz ícones do interior do país, especificamente do Nordeste brasileiro: dois grandes paus-de-sebo com imagem de Santo Antônio e Santa Maria do Caritó ficam em primeiro plano; completam a cenografia baús de circo, oratórios e alguns caritós, que são prateleiras colocadas bem alto, onde se deixam objetos longe do alcance e das vistas das pessoas. Por isso o termo maria do caritó refere-se àquela que ficou para titia, na prateleira, não se casou

Lília Cabral é "Maria do Caritó" - foto de Claudia Ribeiro

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Atores em vários papéis

Na cena inicial Maria está ao lado de Fininha (Silvia Poggetti), que a ajuda com as simpatias ao santo casamenteiro, para desespero de seu pai (interpretado por Fernando Neves), que a prometeu ao santo e propaga que a filha faz milagres e por isto também é santa. Para completar a confusão, o circo da cidade convence Maria a fazer parte do elenco da companhia e ela se apresenta como cantora — os números musicais são hilários! Outra passagem engraçadíssima da peça: uma beata, também vivida por Silvia Poggetti, diz que Maria, por milagre, fez com que sua galinha voltasse a botar ovos. Detalhe, Dani Barros encarna fielmente uma galinha, que cacareja e põe ovos: a plateia vem abaixo de tanto rir! Assim como Silvia e Dani, Eduardo Reyes se divide em vários papéis, é o charlatão do circo, um coronel pilantra e finalmente José, a versão masculina de Maria do Caritó.

“A personagem central da peça é uma heroína que se equilibra entre sacra e profana, virgem e mundana, santa e palhaça, arquétipo-brincalhão de um feminino desdobrado”, explica Newton Moreno.
Além da precisa direção de João Fonseca, que propicia a espontaneidade na interpretação — Lilia, Silvia e Fernando são velhos amigos e Fernando e Dani encaixaram-se fácil à sintonia dos outros—, os figurinos de J.C Serroni e a iluminação de Paulo Cesar Medeiros completam a impecável montagem de Maria do Caritó, que certamente vai cair no gosto popular dos paulistas, assim como aconteceu no Rio de Janeiro.

Roteiro:

Maria do Caritó. Texto: Newton Moreno. Direção: João Fonseca. Direção de produção: Maria Siman. Elenco: Lilia Cabral, Eduardo Reyes, Fernando Neves, Silvia Poggetti e Dani Barros. Cenários: Nello Merrese. Figurinos: J.C Serroni. Iluminação: Paulo César Medeiros. Direção de movimentos: Kika Freire. Musica original: Alexandre Elias. Fotos: Claudia Ribeiro.Produção executiva: Gabriela Mendonça. Realização: Primeira Página Produções Culturais e Lilia Cabral

Serviço:
Teatro FAAP (500 lugares), Rua Alagoas, 903. Informações e Vendas: 3662.7233 e 3662.7234. Horários: sexta às 21h30, sábado às 21h e domingo às 18h. Ingressos: Sexta, populares R$ 30, sábado R$ 80 e domingo R$ 70. Bilheteria: de quarta à sábado, das 14h às 20h; domingo das 14h às 17h.

Aceita cartão de débito e crédito; não aceita cheque. Estacionamento gratuito, com vagas limitadas. Acesso para deficiente. Ar-condicionado. Duração: 100 minutos. Recomendação: 12 anos. Temporada: até 16 de dezembro

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.