Mães e Sogras estreia no Theatro São Pedro

Luís Francisco Wasilewski, especial para o Aplauso Brasil (lfw@aplausobrasil.com)

MÃES & SOGRAS, no Theatro São Pedro

O espetáculo Mães e Sogras tem estreia programada para o próximo dia 2 de Abril, em Porto Alegre. Em entrevista ao Aplauso Brasil, Leandro Sarmatz, o autor da peça fala sobre a criação do texto.

Aplauso Brasil- Como surgiu a ideia de escrever Mães e Sogras?

Leandro Sarmatz – O pontapé inicial foi uma frase que eu imaginei um dia, uma frase muito cruel que sai da boca da Bella a certa altura da peça (e não conto qual é a frase nem sob tortura!), mas a intenção toda tem a ver com algumas coisas que eu pensava na época em relação tanto ao gênero tragicômico quanto ao teatro iídiche. Eu queria jogar com esses gêneros, usá-los de uma maneira irônica, levá-los ao limite – vai daí que não houve temor de explorar alguns clichês. É isso: eu queria manipular os clichês do imaginário judaico (a mãe, as relações familiares, uma certa hipocondria etc) até o limite. E então – espero que eu tenha conseguido – devolvê-los um pouquinho diferentes ao leitor/espectador.
AB – O texto de Mães e Sogras ficou onze anos na estante. Aconteceram leituras, mas nenhuma encenação. Você consegue atribuir uma razão para isso?

LS – Ao longo desse tempo imenso, houve pelo menos três diretores e dois produtores interessados em levar a peça aos palcos – no RS, em SP e no RJ. Mas todos esbarravam no mesmo dilema tostines: não conseguiam levantar recursos porque meu texto nunca havia sido encenado, e meu texto nunca era encenado porque não conseguiam levantar recursos. Em suma: extremamente frustrante. Tive a sorte, porém, de ser procurado pelo Marcelo Adams, o diretor da peça, que conseguiu levantar os recursos e levar finalmente a peça ao palco.

AB – Mães e Sogras satiriza certos comportamentos da comunidade judaíca. Não é espinhoso tratar de forma cômica esse universo?

LS-Talvez seja mesmo espinhoso para algumas pessoas, não posso imaginar cem por cento de adesão a uma peça que fala (e de maneira absolutamente debochada) de câncer, prepúcio, nazismo e alopatia, entre outros temas. Mas é como eu disse na primeira questão: a intenção foi justamente essa, ou seja, explorar de forma cômica essas questões até o limite, até o momento em que o espectador (assim eu espero) ria comigo e se sinta culpado comigo. Porque é disso que se trata a peça: risos e culpa.
AB – Quais outras peças que você tem que estão esperando um encenador?
LS-
Tenho ainda as peças Kaddish (outro texto de humor negro sobre a família, mas a chave aqui é o melodrama), Ponteiros (o teatro do absurdo encontra o nobre ofício da relojoaria), A História do Nariz (rinoplastia, casamento, racismo e entrechos dignos de Twilight Zone) e uma nova, ainda sem nome, sobre um sujeito que, depois de conseguir encenar sua peça, acorda todo santo dia achando que sofre de um mal diferente, do glaucoma à afasia.

Ficha técnica:

Autor: Leandro Sarmatz
Direção: Marcelo Adams
Elenco: Margarida Leoni Peixoto (Bella Molodóvski), Naiara Harry (Anita), Carla Gasperin (jovem paraplégica), Cláudia Lewis (Jussara), Rafael Ferrari (Beto)
Cenário: Rodrigo Lopes
Figurinos: Rô Cortinhas
Iluminação: Fernando Ochoa
Trilha sonora: Marcelo Adams e Rafael Ferrari
Coreografias: Carlota Albuquerque
Produção: Cia. de Teatro ao Quadrado e Rodrigo Ruiz
Realização: Cia. de Teatro ao Quadrado

Serviço:

De 2 a 4 de abril

Theatro São Pedro (Praça Marechal Deodoro, s/n – Centro)

Sexta e sábado, às 21h e domingo, às 18h

Ingressos:

R$ 40 (plateia), R$ 30 (camarote central), R$ 20 (camarote lateral) e R$ 10 (galerias central e lateral)

25% de desconto para Clube do Assinante ZH – titular e acompanhante

50% de desconto na estréia para a Associação Amigos Theatro São Pedro

50% de desconto para idosos. Descontos para estudantes conforme a Lei. 

De 9 de abril a 2 de maio

Teatro Bruno Kiefer – Casa de Cultura Mario Quintana (Andradas, 736 – Centro)

De sextas a domingos, às 20h

Ingressos – R$ R$ 20 no local

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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