Marcelo Médici arrasa em Eu Era Tudo Pra Ela e Ela me Deixou

Luiz Líbano*

O ator interpreta nove personagens ao lado de Ricardo Rathsam na comédia de Emílio Boechat, com direção de Mira Haar, que fica em cartaz no Teatro FAAP até 4 de dezembro

Marcelo Médici e Ricardo Rathsam em "Eu Era Tudo Pra Ela... e Ela me Deixou"

SÃO PAULO – Apertem os cintos! O piloto não sumiu. E isso não é título de filme! É apenas um convite, ou melhor, um apelo para que o espectador afoito por boa comédia (digo, tragicomédia) vá ao Teatro da FAAP apreciar a peça teatral Eu Era Tudo Pra Ela e Ela me Deixou, cujo título já dispensa quaisquer comentários a respeito do que seja a história. Tentarei ser breve não porque o espetáculo seja menor, muito pelo contrário: a peça de Emílio Boechat — revelação de talento da dramaturgia nacional —, responsável pela hilária Camila Baker Lives in Concert, dispensa quaisquer adjetivos desnecessários.

Bem, na montagem em questão, dirigida pela sábia e articulada Mira Haar, temos Marcelo Médici brincando de representar (nada mais nada menos) 9 personagens. É o que se pode chamar de uma espécie de Meryl Streep (de calças) em cena, com duas vantagens: é produto (talento) nacional e faz a tal peripécia numa única peça. Em questão de segundos (como em Mistério de Irma Vap), o ator transfigura-se em diferentes personas, mostrando que veio para arrebentar e deixar o público tonto de tanto rir, a ponto de quase da cadeira se lançar, por tanto gargalhar.

Ricardo Rathsam cercado pelos nove personagens vividos por Marcelo Médici em "Eu Era Tudo Pra Ela... e Ela me Deixou"

Médici não está sozinho em cena, conta com o privilégio de contracenar com Ricardo Rathsam (que o dirigiu em Cada um com seus pobrema). É preciso dizer mais alguma coisa? Sim! O fato de estarem no palco numa espécie de montagem meio samba do crioulo doido em que os dois atores brilham de forma equivalente. A Marcelo cabe a missão de mostrar a versatilidade que lhe é inerente, o que lhe dá a ousadia de mudar a voz, os trejeitos e o caminhar sem cair do salto na composição de suas crias; já a Ricardo cabe a difícil (nem por isso menor ou pior) missão de encarnar o lado mais dramático da história, a personagem Samuel, o abandonado por Dóris, sua esposa.

Gostaria de ressaltar o figurino assinado pela diretora Mira Haar, a iluminação de Kleber Montanheiro e a cenografia de Marco Lima. Esta última é um espetáculo à parte, pois além de acompanhar a agilidade do texto, da direção e do talento dos atores, abre espaço para um toque que é um sonho, um verdadeiro Sonho de Valsa … Mas esse não será revelado; por outro lado, revelar segredo seria indelicado, para não dizer outra coisa. Então? O que está esperando, caro leitor? Corra! Descabele-se até a bilheteria do teatro ou adquira o seu ingresso pela internet. Vá, deleite-se e confira esse espetáculo ímpar!

Roteiro:

Eu Era Tudo Pra Ela e Ela me Deixou. Autor: Emílio Boechat. Direção e figurino: Mira Haar. Elenco: Marcelo Médici e Ricardo Rathsam. Cenário: Marco Lima. Iluminação: Kleber Montanheiro. Trilha Sonora: Jukebox – Luiz Macedo.Fotos: João Caldas. Produção Executiva: Carmem Oliveira. Direção de Produção: Giuliano Ricca. Produtores Associados: Giuliano Ricca/Marcelo Médici/Ricardo Rathsam
Serviço:
Teatro FAAP (506 lugares). Rua Alagoas, 903, Higienópolis, tel.: 11.3662.7233. Sextas, às 21h30, sábados, às 21h e domingos, às 18h. Ingressos: sexta R$ 50,00, sábado R$ 70,00 e domingo R$ 60,00. Duração: 75 minutos. Classificação Etária: 14 anos. Bilheteria: quarta a sábado, das 14h às 20h; domingo, das 14 às 17h. Serviço de venda de Ingressos: (11) 3662.7233 / 3662.7234. Aceita cartões Visa, Mastercard e Dinners. Estacionamento: gratuito, com vagas limitadas. Temporada: até 04 de dezembro.

*Escrito para o Favo do Mellone

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

1 comentário
  1. Eu tive o privilégio de assitir essa peça.
    O Marcelo não é bom ator,é ótimo.
    Tudo na peça a vale o preço do ingresso.
    Parabéns a todos.

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