Marco Ricca é o Boca de Ouro

Maurício Mellone, editor do Favo do Mellone site parceiro do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

"Boca de Ouro"

Sob direção de Marco Antônio Braz, o ator protagoniza o clássico de Nelson Rodrigues que participa do projeto do SESI em homenagem aos 100 anos de nascimento do dramaturgo

SÃO PAULO – Montagem traz a marca registrada de Nelson Rodrigues: o subúrbio carioca dos anos 1940! Nada melhor para a comemoração dos 100 anos de nascimento do dramaturgo pernambucano (mas que foi o mais carioca de todos os cidadãos da cidade do Rio de Janeiro) do que encenar Boca de Ouro. A peça, dirigida por Marco Antônio Braz, retrata a vida do bicheiro Drácula de Madureira, interpretado com maestria por Marco Ricca, que como símbolo de seu poder mandou que um dentista trocasse seus dentes por uma dentadura de ouro! O projeto do SESI Nelson Rodrigues 100 anos inclui também ciclos de leituras dramáticas e debates, além da encenação de A Falecida, protagonizada por Maria Luisa Mendonça: as duas peças são apresentadas simultaneamente e alternadas, às quintas e sextas e aos sábados e domingos.

"Boca de Ouro"

O público entra na sala de espetáculo e o elenco de 13 atores (que participa das duas peças) está no palco se preparando para a encenação. Com o início da peça, há um desfile de escola de samba estilizado, com o bicheiro sendo o grande destaque de um carro alegórico. Corte abrupto e no canto do palco a redação do jornal O Sol com o editor — caracterizado como Nelson Rodrigues que trabalhou em jornal por muito tempo — recebendo a notícia da morte do Boca de Ouro; ele designa um repórter para entrevistar Dona Guigui (Lara Córdulla) , ex-amante do bicheiro, com a intenção de revelar os bastidores da vida do contraventor.

"Boca de Ouro"

Ao se apresentar, o repórter Caveirinha (Alessandro Hernadez) não conta sobre a morte do bicheiro e a mulher começa a descarregar seu ódio contra o ex-amante; mas ao saber a verdade, ela tenta mudar a versão dos fatos.
Com uma linguagem dinâmica, em que as cenas alternam passado e presente, o público vai se inteirando da trama, mesmo já conhecendo o final.

Não por acaso Nelson é considerado o maior dramaturgo brasileiro: em Boca de Ouro fica evidente sua linguagem inovadora e revolucionária.

De acordo com especialistas, esta é uma das obras mais abertas do teatro de Nelson Rodrigues, pois permite diversas leituras. Como o fio condutor da narrativa é a entrevista de Guigui, o perfil do bicheiro sofre modificações durante o relato; é sempre a versão que a amante tem de Boca de Ouro.
No projeto Nelson Rodrigues 100 anos, que permanece no SESI da Avenida Paulista até dezembro, Marco Antônio Braz é o responsável pela direção das duas peças e das leituras dramáticas; já os debates têm curadoria do escritor Ruy Castro.

"Boca de Ouro"

Acompanhe toda a programação pelo site www.sesisp.org.br/cultura

Roteiro:
Boca de Ouro
. Texto: Nelson Rodrigues. Direção geral e artística: Marco Antônio Braz. Assistente de direção: Leo Stefanini. Elenco: Marco Ricca, Rodrigo Fregnan, Léo Stefanini, Rafael Boese, Alessandro Hernadez, Lara Córdulla, Claudinei Brandão, Willians Mezzacapa, Lívia Ziotti, Gésio Amadeu, Luciana Caruso, Jackie Obrigon, Tatiana de Marca e Jady Forte. Cenário e adereços: J.C.Serroni. Figurino: Telumi Hellen. Iluminação:  Wagner Freire. Trilha sonora: Tunica Teixeira. Imagens e projeção: Andre Hã. Fotos: João Caldas. Produção executiva: Egberto Simões. Direção e coordenação de produção: Selma Morente e Célia Forte. Uma produção de Morente Forte Produções Teatrais.

Serviço:Teatro Popular do SESI (466 lugares), Av. Paulista, 1313. Horários: a peça é apresentada alternadamente com A Falecida, sempre às quintas e sextas (20h30) e aos sábados e domingos (17h). Ingressos: quintas e sextas: gratuito; sábados e domingos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Classificação: 14 anos. Duração: 100 minutos. Confirme datas e horários no site: www.sesi.org.br. Temporada: até 25 de novembro.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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