Marcos Caruso e Erom Cordeiro estão no policial Em Nome do Jogo

Nanda Rovere, do Aplauso Brasil (nanda@aplausobrasil.com.br)

Espetáculo vem de temporada premiada , no Rio de Janeiro (foto: Guga Melgar)
Espetáculo vem de temporada premiada , no Rio de Janeiro (foto: Guga Melgar)

SÃO PAULO – Em Nome do Jogo, que fez temporada no Rio de Janeiro e passou por cidades como Curitiba, Campinas, Brasília e Recife, estreia sexta (5) às 21h30, no Teatro Jaraguá. No palco, Caruso está ao lado de Erom Cordeiro. Tradução de Marcos Daud e adaptação de Marcos Caruso e Gustavo Paso, que também assina a direção.

Escrita em 1970, Em Nome do Jogo foi encenada em diversas localidades do mundo e ganhou duas versões cinematográficas. Em 1972, sob a direção de Joseph L. Mankiewicz com Laurence Olivier e Michael Caine. Em 2007 Kenneth Branagh assinou a direção.

Apresenta uma trama recheada de humor ácido e suspense ao contar a história de Andrew Wyke (Marcos Caruso) um escritor de romances policiais apaixonado por teatro e jogos.

Um dos seus maiores prazeres é criar na vida real situações que lhe dê subsídios para as suas ficções ficarem mais instigantes.

Espetáculo vem de temporada premiada , no Rio de Janeiro (foto: Guga Melgar)
Peça é um embate entre dois homens que têm ligação com a mesma mulher (foto: Guga Melgar)

 

O escritor convida o amante de sua esposa, Milo Tindolini, para um encontro e aos poucos o público vai descobrindo o que o levou a essa atitude, já que o seu interesse pela esposa é somente financeiro e ele não vê a hora de se livrar da mulher.

Andrew convence Tindolini a roubar jóias de Marguerite e armam um plano para que tudo pareça um assalto. A cada cena, no entanto, o espectador percebe que há um jogo perigoso entre os personagens, que vai muito além desse acordo.

Em Nome do Jogo foi um sucesso de público e crítica desde a estreia. Fez  11 meses de temporada no Rio de Janeiro e depois viagens para cidades como Campinas e Curitiba. Tem o mérito de apresentar um policial, gênero raro nos palcos.

 

Marcos Caruso e Erom Cordeiro afirmam que a montagem é feita com paixão e por esse motivo a plateia tem apreciado a encenação.

Para Erom Cordeiro o mais encantador é o embate entre os dois homens que têm uma ligação com a mesma mulher. O jogo é proposto e você nunca sabe quem está falando a verdade¨, conta o ator.

Espetáculo ficou onze meses em cartaz no Rio de Janeiro (foto: Guga Melgar)
Espetáculo ficou onze meses em cartaz no Rio de Janeiro (foto: Guga Melgar)

Caruso considera esse trabalho um momento ímpar da sua carreira porque está experimentando um tipo de teatro que ainda não tinha feito. Um teatro

que exige raciocínio do público e que tem como trunfo a palavra.¨Já fiz o teatro do riso, o teatro da emoção, o teatro da reflexão, mas o teatro do raciocínio, eu nunca tinha feito¨, declara o ator.

¨Se eu não for suficientemente convincente, se o meu colega não for convincente, a plateia dorme. Não podemos ser funcionários da arte¨, diz Caruso,  frisando que é necessário estar atento a cada cena para compreender a trama.

“A peça’a é um quebra-cabeças, de jogo e de engendramento; se o público não acompanha a história milímetro por milímetro, ele se perde. Ali o público pensa, ouve e raciocina¨ , acrescenta.
Com relação à criação dos personagens, os quais já foram interpretados por grandes artistas, Cordeiro e Caruso dizem que o texto dá todas as pistas para o ator. A construção é feita no fazer diário, com os atores oferecendo a cada apresentação novas propostas de jogo cênico.

Caruso destaca que  cria os seus personagens através da intuição e a partir de muito estudo. O ator assistiu ao filme com Lauence Olivier, mas tentou distanciar-se ao máximo da interpretação do ator. ¨Busco os meus personagens através do gesto, do andar e do movimento¨, salienta.

Já Cordeiro, que substituiu Emílio de Melo durante a temporada, diz que a ajuda do diretor foi fundamental para  o seu trabalho. Além disso, assistiu várias vezes a montagem antes de integrar o elenco.

A estreia de Em Nome do Jogo marca os 40 anos de profissão de Marcos Caruso. mas ela não foi concebida como uma comemoração dos seus 40 anos de carreira, foi apenas coincidência.

Caruso, no entanto, vive um momento muito importante na sua trajetória.  Demonstra um grande amor pelo seu ofício ao dizer que estar em cena é sempre um enorme prazer: ¨Quando subo no palco estou sempre comemorando¨, fala o ator.

A expectativa é que a peça supere o sucesso que conquistou no Rio e permaneça muito tempo em cartaz.

 O paulistano Marcos Caruso, que já realizou muitos sucessos teatrais em sua cidade natal, diz que é um grande privilégio entrar em cartaz no Teatro Jaraguá porque  está localizado num lugar emblemático (no centro da cidade) e é administrado por um homem de teatro, da família Mamberti.

 

FICHA TÉCNICA:

Elenco: MARCOS CARUSO E EROM CORDEIRO

Texto: ANTHONY SHAFFER

Tradução: MARCOS DAUD

Adaptação: MARCOS CARUSO, GUSTAVO PASO

Direção: GUSTAVO PASO com Co-direção FERNANDO PHILBERT

Concepção e Direção Geral: GUSTAVO PASO

Assistente de Produção: THALITA VAZ

Administração da temporada: JUNIOR GODIM

Iluminação: PAULO CESAR MEDEIROS

Trilha Sonora: CAIQUE BOTKAY

Cenário: GUSTAVO PASO, CARLA BERRI e ANA PAULA CARDOSO

Concepção Visual: GUSTAVO PASO

Figurino e Adereços: TECA FICHINSKI

Assessoria de Imprensa: ALESSANDRA COSTA

Diretora de Produção: LUCIANA FÁVERO

Realização: PASO D’ARTE e CIATEATRO EPIGENIA

 

Serviço:

Em Nome do Jogo

Temporada de 05 de abril a 30 de junho

Teatro Jaraguá

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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