Marcos Damigo leva Deus é um DJ ao Festival de Curitiba

Michel Fernandes, do Aplauso Brasil (Michel@aplausobrasil.com)

Maria Ribeiro e Marcos Damigo em "Deus é um DJ"

Com direção de Marcelo Rubens Paiva e a atriz Maria Ribeiro completando o elenco, o texto do alemão Falk Richter é atração até amanhã no Teatro da Reitoria

CURITIBA – Quando Annette Ramershoven, quem traduziu a peça ao lado de Marcelo Rubens Paiva, diretor da montagem, apresentou o texto Deus é um Dj, d alemão Falk Richter, para o ator Marcos Damigo, em 2002, ele leu, aprovou, mas teve de “engavetar” o projeto: ele se preparava para protagonizar Hamlet, sob direção de Francisco Medeiros,no Teatro Popular do SESI (SP).

“Em 2006 o Marcelo me chamou pra ler a peça no Letras em Cena, ciclo de leituras que acontece no auditório do MASP. Foi aí, na presença de uma plateia, que entendi realmente o poder desse texto. Ele tem um mecanismo de jogar com as expectativas do público que  não é possível perceber numa leitura solitária. E desde então, entre idas e vindas e outros projetos, sempre tentava montá-lo”, conta Damigo que, até amanhã apresenta Deus é um Dj fica até amanhã na 21ª edição do Festival de Curitiba, no Teatro da Reitoria, após temporada carioca de sucesso, ano passado.

Escrita em 1998, o texto de Richter parece ser absurdamente factual, uma vez que coloca em cena duas personas que participam de uma espécie de reality-show/ performance em que fatos reais de suas vidas se confundem com a mais pragmática ficção. E essa atualidade que seduziu Marcos Damigo a interpretar a peça.

“Eu acredito que ele dialoga com questões muito atuais, como a necessidade de exposição individual que estamos vivendo, a necessidade de se “vender” nesse mundo virtual como uma pessoa bacana, feliz e ‘desejável’ em vários aspectos. E sem didatismos, mas com muito humor. Os personagens tiram muita onda de si mesmos e do público. E eu acho bom não se levar a sério demais”, pontua o ator, completando que, “a particularidade em Deus é um Dj é a grande engenhosidade do texto: normalmente os espectadores tendem a querer decifrar o que estão vendo, e normalmente o fazem logo no início do espetáculo. Mas o Falk, autor do texto, não deixa isso acontecer tão facilmente, ele protela esse momento, o que exige que o espectador esteja o tempo todo revendo aquilo que ele julga ter acabado de entender”.

Marcos Damigo e Maria Ribeiro em "Deus é um DJ"

Damigo, apesar de carreira impecável no teatro e como protagonista da telenovela Fascinação, do SBT, ganhou projeção nacional com Insensato Coração, telenovela de Gilberto Braga exibida no horário nobre da TV Globo, onde interpretou um professor gay que protagonizou a primeira cena de casamento homossexual na Globo, mas revelou que, em 2012, pretende “mergulhar no exercício teatral”.

“Eu estou cada vez mais mergulhando as quatro patas no teatro, pelo menos é o que se aponta pra esse ano. Devo dirigir dois espetáculos, um deles inclusive é outro texto do Falk Richter, autor de Deus é um DJ, chamado Electronic City. O outro é um texto inglês chamado Eclipse Total (adaptado para o cinema e com Leonardo di Caprio interpretando Rimbaud) que conta a história de Rimbaud e Verlaine. E continuar fazendo o Deus é um DJ, pois acredito que esse espetáculo tem uma carreira longa pela frente!”, completa.

Mais informações:

Site Oficial do Festival de Curitiba www.festivaldecuritiba.com.br


Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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