Maria Alice Vergueiro: a despedida da diva transgressora

 

SÃO PAULO – Sempre admirei a trajetória singular de Maria Alice Vergueiro. Descendente de uma família quatrocentona paulistana, desde o começo de sua carreira de atriz optou pelo teatro em sua forma mais radical. Vivenciou o desbunde em sua essência.

Esteve sob a direção de José Celso Martinez Corrêa na histórica encenação de Gracias Señor, em 1972. Na mesma década fundou com Cacá Rosset e Luiz Roberto Galizia o Teatro do Ornitorrinco, um dos mais importantes grupos teatrais atuantes no teatro paulistano. Seu radicalismo como intérprete na década de 1980 se dá quando é dirigida por Gerald Thomas em Eletra Com Creta e por Rubens Rusche em Katastrophé, ambas encenadas em 1986.

Logo em seguida, Maria Alice experimeta pela primeira vez o êxito midiático. Ela e outras divas do teatro paulistano, Jandira Martini e Ileana Kwasinski interpretam as três irmãs da família Abdala na telenovela Sassaricando, de Sílvio de Abreu.

Em 1996, outra transgressão cênica da atriz. Encena o então na época pouco encenado no Brasil, Thomas Bernhard em No Alvo. Foi a primeira vez que a assisti no teatro e lembro do fascínio ao vê-la personificando aquela matriarca autoritária. A peça também sela sua parceria com Luciano Chirolli, que dirigiu o espetáculo e com quem trabalhou novamente em As Três Velhas e Why The Horse.

Estes dois espetáculos supracitados acontecem após Maria Alice ter se tornado o grande fenômeno do Youtube com o curta Tapa na Pantera, dirigido por Esmir Filho, Mariana Bastos e Rafael Gomes. Sendo novamente transgressiva, a atriz interpreta uma velha que fala sobre o uso da maconha. Maria Alice se torna então, ícone de uma nova juventude desbundada

Luís Francisco Wasilewski, especial para o Aplauso Brasil