Maurício Machado comemora 25 anos de carreira com Batalha de Arroz Num Ringue Para Dois

Nanda Rovere, do Aplauso  Brasil (redacao@aplausobrasil.com.br)

 

Maurício Machado e Nívea Stelman dividem o palco do Teatro das Artes
Maurício Machado e Nívea Stelman dividem o palco do Teatro das Artes

SÃO PAULO – Nesta entrevista, o ator fala de como decidiu levar aos palcos o texto Batalha de Arroz Num Ringue Para Dois, que estreia em janeiro, no Teatro das Artes, em SP e do emocionante reencontro com a atriz Nívea Stelmann – que também estrela o espetáculo.

Aplauso Brasil – Como o texto Batalha de Arroz Num Ringue Para Dois chegou até você?

Maurício Machado – Já havia assistido à montagem com o Miguel Falabella e Cláudia Jimenez (aliás, a peça foi escrita para o Miguel fazer). Lendo e relendo textos diversos para dupla de atores, eu me lembrei do texto do Rasi, procurei-o e só encontrei disponível no Rio; depois, casualmente, em conversa com o pesquisador Luís Francisco Wasilewski, ele também me sugeriu o texto. Fui em busca do texto e imaginei que fosse praticamente impossível os direitos serem cedidos para mim. Posso garantir que não foi fácil.

AB – Como convenceu a família a ceder os direitos, uma vez que você já tinha comentado que desde a sua morte nenhum artista tinha conseguido montar textos do dramaturgo?

MM – Acredito que o fato de ter acabado de fazer, com tanto sucesso e repercussão, o espetáculo Solidão, a Comédia ajudou. A peça é um clássico do besteirol do Vicente Pereira, que foi parceiro do Rasi em outros trabalhos. O histórico sério e eclético da Manhas & Manias de Eventos (a produtora do espetáculo), somado à escolha dos profissionais (sobretudo a Jacqueline Laurence, tão amiga e parceira do Rasi em tantos trabalhos), creio que tudo isso pesou para que eu conseguisse os direitos. Temos agora a primeira montagem de um texto do Rasi, depois dele ter nos deixado tão precocemente. Acabou sendo, sem que planejássemos, uma oportuna homenagem aos 10 anos do falecimento dele.
AB – Qual a importância do Rasi para a história do nosso teatro?

MM – Poxa, é enorme! A qualidade dramatúrgica dele é incrível. Não é à toa que ele teve tantos sucessos no teatro. Além de Batalha, podemos destacar Pérola e A Estrela do Lar. Ele conseguia ser popular e, ao mesmo tempo, ter uma sutileza e refinamento na sua obra. Tinha um senso crítico do humano fora do comum, uma lente de aumento nas idiossincrasias humanas. Você podia assistir a um espetáculo dele e encará-lo só e simplesmente como entretenimento, mas ali havia a possibilidade aberta para reflexões sobre o humano. E, para isso, a sua família e as mulheres ao seu redor foram grande estímulo para a sua obra.
AB – O que você pode falar sobre a experiência de atuar nessa peça ao lado da Nívea Stelmann?

MM – É um reencontro meu e da Nívea, depois de nossa experiência juntos no espetáculo Cyrano (2008), onde protagonizamos (eu, o Cyrano de Bergerac e a Nívea, Roxane). Além de ótima atriz, Nívea tem uma qualidade fundamental para mim, que todos os atores deveriam ter: ela é humilde, tranquila, profissionalíssima (sempre pontual, com o texto decoradíssimo), tem ética e caráter. São os pontos mais importantes hoje para eu me envolver numa relação teatral. Não tenho mais saco, nem tempo, para afetação e estrelismos de ninguém.

AB – E como foi a experiência de ser dirigido pela Jacqueline Laurence?

MM – Jacqueline é tudo que eu poderia querer neste momento. Ela é uma enciclopédia teatral, por seu talento, vocação e experiência de vida e profissional. Além disso, traz uma grande qualidade que observei em dois únicos diretores que tive: ela é das melhores diretoras de ator! Uma profissional que está na ‘batalha’ até hoje com garra e que sabe tudo de teatro. É um presente celebrar os meus 25 anos de carreira ao lado dela, que sempre paquerei… Uma honra!

AB – Quais as suas expectativas para 2013 no teatro?

MM – Fazer, fazer, ver, fazer, e ver, sempre que possível. Não sei se poderei fazer todas as peças que gostaria… Por mim, faria teatro de segunda a segunda… (aceito convites, tá??), mas tenho interesse em fazer também cinema e TV.

Ficha técnica:

Texto: Mauro Rasi

Direção: Jacqueline Laurence

Elenco: Nívea Stelmann & Maurício Machado

Participação especial em Off: Miguel Falabella e Jacqueline Laurence

Assistente de Direção: Ana Jansen

Direção de Movimento: Sueli Guerra


Direção Musical e Trilha: Alexandre Elias

Cenário, Adereços e Figurinos: Espetacular – Ney Madeira, Dani Vidal e Pati Faedo

Iluminação: Aurélio de Simoni

Direção de produção: Eduardo Figueiredo

Realização & Produção: manhas & manias de eventos (www.manhasemanias.com.br)

Serviço:

BATALHA DE ARROZ NUM RINGUE PARA DOIS

Teatro das Artes (742 lugares). Avenida Rebouças, 3970 – Shopping Eldorado, 3º piso. Informações: (11) 3034-0075. Sexta e Sábado às 21h30 | Domingo às 19h. Ingressos: Sexta e Domingo R$ 60 | Sábado R$ 70. Duração: 70 minutos. Recomendação: 12 anos

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.