Mauricio Machado: “Procurei ser fiel à minha vocação, paixão e a uma necessidade de exercer meu ofício”

 

Nanda Rovere, do Aplauso  Brasil (redacao@aplausobrasil.com.br)

BATALHA1,SÃO PAULO – Nesta parte da entrevista de Maurício Machado ao Aplauso Brasil  ele conta sobre suas atividades como produtor e seus planos para 2013.

AB – Há algum projeto da Manhas e Manias (sua produtora) que já pode adiantar?         

MM – Estamos com cerca de seis projetos inéditos. Abrimos o ano com o clássico do Mauro Rasi. Uma celebração! Desde que Mauro Rasi nos deixou é a primeira vez que ele é montado. Outros que posso já adiantar são: Superadas, que é a segunda obra escrita pela cartunista argentina Maitena (mesma autora de Mulheres Alteradas, que vai virar filme agora), um Kafka que produziremos, o infantil Aprendiz de Feiticeiro, baseado na obra de Goethe, e dois outros bem grandes. Um deles, um musical. Além disso, Mulheres Alteradas, que é um fenômeno do teatro, continua em cartaz. Queremos muito dar continuidade ao espetáculo Só os Doentes do Coração Deveriam Ser Atores, que é uma jóia, uma caixa de música para quem ama teatro. Adoraríamos viajar com ele, mas isso só será possível com patrocínio ou ganhando algum edital.

AB – Além de ator, você é produtor. Como decidiu se dedicar a essa função?

MM – Produzir para mim foi um caminho, antes de mais nada, de sobrevivência financeira e de vida. Ficava triste em ver que não recebia convites para os espetáculos que adoraria ter feito, que não me chamavam para fazer o papel que desejava… Enfim, tem dado muito certo! E é um prazer poder escolher o que se quer fazer e com quem se quer trabalhar. Mas como vivemos um país de rótulos, o ator que se produz, ao menos para os colegas produtores, é esquecido e enterrado!

AB – Fale um pouco sobre como é o trabalho de produtor no Brasil.

MM – Se as pessoas imaginassem o trabalho que dá produzir, elas correriam para lotar os teatros. Um espetáculo, por menor que seja, não gasta menos de 10 meses de produção, tudo isso entre elaboração de projeto, captação, ensaios, etc. Às vezes, tenho um pouco de vontade de estar num projeto onde não tenha que me preocupar com nada a não ser meu exclusivo trabalho como ator. Seriam férias! (risos). O mais difícil na produção, além do patrocínio, é gerenciar pessoas e fazer com que elas entendam a necessidade de cada missão e tarefa: poder contar e confiar nos seus colaboradores, gerenciar seus melindres, suas vaidades e egos. Por outro lado, é um prazer extraordinário ver cada item de uma produção (do produtor executivo, fundamental ao trabalho, ao diretor do espetáculo), cada um dando o seu melhor. Apreciar o talento e a criação das pessoas é um bálsamo, um porto seguro e meu maior tesão.

AB – Te conheci no palco fazendo O Concílio do Amor, início dos anos 1990. De lá pra cá, o que pode dizer da sua carreira?

MM – De lá pra cá, o que posso te dizer? É que fui fiel desde aquela época a meus objetivos, princípios, ética e conduta. Sabia que não seria fácil. Tudo contribuía para eu desistir porque as adversidades eram gigantescas. Venho de família humilde, não tive incentivo deles, não estava inserido em contexto que contribuísse e nunca tive turmas. Procurei ser fiel à minha vocação, paixão e a uma necessidade de exercer meu ofício. Fiz muita coisa. E tudo foi aprendizado. Fui ator absurdamente atuante no mercado de eventos (chegando a animar, no mesmo dia, quatro eventos distintos), fui mestre de cerimônia em feiras, congressos; fiz vídeos institucionais e teatro de empresa, mas o teatro sempre foi uma necessidade vital. O próprio O Concílio do Amor era um espetáculo inacreditável (jamais vi algo parecido), foi um momento sublime, tanto que o espetáculo é histórico.

AB – Quais os trabalhos que você destaca na sua trajetória?

MM – São tantos os trabalhos que posso destacar: As Filhas da Mãe, Em Nome do Pai, Gulliver, o quasímodo de Corcunda de Notre Dame, Cyrano, o fantasma de O Mistério do Fantasma Apavorado (da obra de Oscar Wilde), o Paco de As Traças da Paixão, que foi não só um trabalho apaixonante, mas muito difícil de realizar, as quatro novelas que fiz com papéis distintos… mas, de tudo o que eu fiz, o que mais me provocou revoluções internas, insônia, e depois satisfação e prazer, foi Solidão, a comédia, meu primeiro monólogo.

AB – Você está sempre alternando espetáculos no Rio e São Paulo. Na sua opinião, há mesmo diferenças no teatro feito no Rio e em Sampa?

MM – Sou carioca e moro nas duas cidades. E amo as duas cidades. Acho engraçadas as infindáveis comparações, teses que as pessoas, de um modo geral, têm do teatro de cada cidade. Mas o Rio tem hoje um número de jovens autores incríveis, que injetaram na cena teatral um ânimo. Tem alguns grupos muito bons no Rio. A cidade é muito diferente do que as pessoas pensam. Não produz só espetáculos com atores famosos e comédias. A única diferença mesmo é que, por uma questão de sobrevivência, os grupos no Rio não têm muita continuidade porque não se mantêm com o Fomento, que muitos grupos recebem em São Paulo, o que é extraordinário. Agora, quanto ao público, seus gostos, predileções e modismos são os mesmos: stand-up, comédias, teatros em shopping, teatros bem localizados e chiques, etc. E acho o público paulistano (por incrível que pareça) mais receptivo, mais caloroso, mais aberto para ir ao teatro e assistir o que quer que se vá assistir.

AB – Em 2012 o que te chamou a atenção nas artes cênicas?

MM – Sem sombra de dúvida, o foco no maior dramaturgo que o Brasil já conheceu e que continua e continuará sendo imbatível: Nelson Rodrigues!!

Sobre Maurício Machado:

Maurício Machado iniciou sua carreira no musical Sonhar Colorido,dirigido por Alexandre Mendonça, e, desde então, está sempre com espetáculos em cartaz, no Rio e em São Paulo.

Além de ator, é um dos sócios da produtora e agência de eventos Manhas & Manias de Eventos.

Entre os seus últimos trabalhos que ficaram em cartaz na capital paulista estão: O monólogo Solidão – A Comédia, de Vicente Pereira; As Traças da Paixão, com a atriz Lucélia Santos, de Alcides Nogueira; o infantil Cyrano (ator e produtor); o infantil Avalon, Mulheres Alteradas, adaptação de Andrea Maltarolli para histórias de Maitena, Só os Doentes do Coração Deveriam Ser Atores e Ser Ator , solos com Antonio Petrin (produtor).

Na TV, participou das novelas Cordel Encantado, Cama de Gato, Alma Gêmea, entre outras.

Serviço:

BATALHA DE ARROZ NUM RINGUE PARA DOIS

Teatro das Artes (742 lugares). Avenida Rebouças, 3970 – Shopping Eldorado, 3º piso. Informações: (11) 3034-0075. Sexta e Sábado às 21h30 | Domingo às 19h. Ingressos: Sexta e Domingo R$ 60 | Sábado R$ 70. Duração: 70 minutos. Recomendação: 12 anoS.

Maurício Machado comemora 25 anos de carreira com Batalha de Arroz Num Ringue Para Dois

 

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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