Medo do desconhecido é o cerne de “Floresta”

SÃO PAULO – Isolados nos confins de uma Floresta – nome da peça escrita e dirigida por Alexandre Dal Farra que estreia na próxima quinta-feira (16), 21h, no SESC Ipiranga –, pai, mãe e filha recebem a inusitada e indesejada visita de duas pessoas e, a partir de então, fantasmas do medo irracional de relacionar-se são despertados.

“A peça se funda em uma espécie de susto: de repente essas pessoas se veem obrigadas a lidar com uma situação de embate que não planejavam enfrentar, e da qual estavam possivelmente fugindo. Ou seja, o trabalho no fundo também fala sobre o medo, em suas diversas manifestações. E sobre a inércia que esse medo provoca. De certa forma as personagens são todas emanações diversas do medo”, explica Alexandre Dal Farra.

A princípio o fato deles se refugiarem no meio do mato e reagirem com repulsa aos forasteiros não é bastante clara, mas à medida que as relações se estabelecem, a tensão aumenta e o acerto de contas mostra-se algo mais complexo do que parecia. Enquanto eles são obrigados a rever as próprias convicções, o mundo lá fora parece entrar em colapso.

A dramaturgia surgiu em torno do seguinte questionamento: como lidar com o inimigo? “Comecei a fazer essa pergunta para algumas pessoas e fiz entrevistas com lideranças indígenas enquanto escrevia o texto, muito embora o foco nunca tenha sido a questão indígena enquanto tema, mas sim, a possibilidade de pensar um pouco sobre maneiras diversas de lidar com essa pergunta, talvez aparentemente ‘nova’ para alguns de nós”, revela o dramaturgo e diretor Alexandre Dal Farra.

Outra referência importante para a encenação é o trabalho do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, que estuda as sociedades ameríndias e propõe que elas não se fundam na conservação de suas estruturas (como a sociedade ocidental), mas na busca por capturar relações exteriores (mutáveis e inconstantes), em troca constante com o que vem de fora, mesmo que esse interesse seja fruto de uma vontade de vingança ou guerra.

Na peça, que não trata diretamente da questão indígena, tanto a família como os invasores – dois lados que se projetam como inimigos – procuram de modos diversos determinar o próprio papel nessa relação a partir da maneira como agem diante do outro. A partir de então, surge o questionamento: “como lidar com uma relação que, embora esteja calcada na diferença e no ódio, ainda assim, é uma relação?”

O elenco é formado por Gilda NomacceNilcéia VicenteSofia BotelhoAndré Capuano e Clayton Mariano.

Ficha técnica:

Texto e Direção: Alexandre Dal Farra.

Elenco: Gilda Nomacce, Nilcéia Vicente, Sofia Botelho, André Capuano e Clayton Mariano. Composição Original: Miguel Caldas. Operação de som: Tomé de Souza. Desenho de Luz:Wagner Antônio. Assistente de Iluminação: Dimitri Luppi Slavov. Cenografia e Figurinos:Alexandre Dal Farra e Clayton Mariano. Vídeo: Flávio Barollo. Direção de Produção: Carla Estefan. Produção Executiva: Gabriela Elias. Administração: Metropolitana Gestão Cultural. Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli. Fotos: Otávio Dantas.

Serviço:

FLORESTA – Estreia dia 16 janeiro de 2020 no SESC IPIRANGA.

Duração: 90 minutos. Classificação: 18 anos. Gênero: Drama.

Ingressos: R$40 (inteira); R$20 meia-entrada); R$12 (credencial plena).

Temporada: De 16 de janeiro a 9 de fevereiro. De quinta a sábado, às 21h; e aos domingos, às 18h.

Sessões extras: Dias 28 e 29 de janeiro; 4 e 5 de fevereiro – Terças e quartas, às 19h30. (Agendamento de escolas e público em geral).

SESC IPIRANGA – Rua Bom Pastor, 822, Ipiranga

Horário de Funcionamento: Terça a sexta, das 7h às 21h30; aos sábados, das 10h às 21h30; domingos e feriados, das 10h às 18h30. Capacidade: 198 lugares.

Informações: (11) 3170-4059.