Miguel Falabella e Marília Pêra protagonizam Alô, Dolly!

Nanda Rovere, do Aplauso Brasil (nanda@aplausobrasil.com.br)

Miguel Falabella e Marília Pêra em "Al^p, Dolly"
Miguel Falabella e Marília Pêra em “Al^p, Dolly”

SÃO PAULO – A versão brasileira do musical americano Hello, Dolly! fará temporada no Teatro Bradesco. A estreia é sábado (2), com duas sessões: às 18h e 21h30. Miguel Falabella assina a adaptação o texto de Michael Stewart, a direção geral e interpreta o personagem Horácio Vandergelder. Músicas e letras: Jerry Herman. Em cena, além de Falabella e Marília Pêra (Dolly Levi), estão 29 atores e uma orquestra com 16 integrantes, com a direção musical de Carlos Bauzys. Os cenários são de Renato Theobaldo e Roberto Rolnik e os figurinos de Fause Haten. Fernanda Chamma é a responsável pela coreografia e Paulo Cesar Medeiros pela iluminação.

A nova encenação de um dos maiores clássicos da Broadway tem o mérito de celebrar o encontro inédito de Marília Pêra e Miguel Falabella nos palcos. No momento, os atores também estão juntos na TV, no seriado Pé na Cova, da rede Globo.

 

Miguel Falabella e Marília Pêra em "Alô, Dolly"
Miguel Falabella e Marília Pêra em “Alô, Dolly”

Marília Pêra vive a protagonista Dolly Levi (que já foi interpretada por Bibi Ferreira, em 1966), viúva casamenteira que faz de tudo para conquistar o rico comerciante Horácio. A história acontece em 1890, numa pequena cidade do estado de Nova Iorque.

Horácio contrata Dolly para que ela lhe arrume uma esposa na capital Nova Iorque. Dolly o apresenta a Irene Molloy (Alessandra Verney), mas decide que ela mesma conquistará Horácio, que apesar de bom partido é avarento e mal-humorado.

Para atingir o seu objetivo, faz diversas armações e também ajuda Ambrósio Kemper (Thiago Machado) a namorar Ermengarda (Brenda Nadler), sobrinha de Horácio, que não aceita o romance porque o rapaz é pobre.

Falabella sempre traz brasilidade aos seus musicais. Em Alo, Dolly! O seu personagem é um caipira que fala com sotaque e aproxima o público da história por sua simplicidade no linguajar.

¨É uma assinatura minha colocar um molho brasileiro no Tio Sam¨, ressalta.

Miguel Falabella e Marília Pêra em "Alô, Dolly"
Miguel Falabella e Marília Pêra em “Alô, Dolly”

Para Falabella aproximar os musicais estrangeiros da nossa realidade é primordial para que o público aprecie e se emocione com as cenas.

¨Não me interessa fazer igual à Broadway, me interessa trazer ao público brasileiro sentimento” afirma.

O multiartista assistiu a primeira versão brasileira de Alô, Dolly! aos 8 anos de idade, ao lado de sua avó, no Teatro João Caetano, Rio de Janeiro. O musical marcou a sua vida. e a partir daquele dia decidiu que queria seguir a carreira artística.

Falabella carregava a vontade de encená-lo um dia, para que, nas próprias palavras do diretor: ¨ os jovens pudessem conhecer e se apaixonar pelo gênero¨.

 Decidiu produzir o musical no momento em que estava escrevendo a novela Aquele Beijo, que teve a participação de Marília Pêra como Maruska, personagem criada especialmente para ela.

Miguel Falabella e Marília Pêra em "Alô, Dolly"
Miguel Falabella e Marília Pêra em “Alô, Dolly”

Falabella sempre quis contracenar com Marília no palco e foi ele quem a convidou para fazer a protagonista do musical. Marília dirigiu o artista, ainda quando ele estudava no Teatro Tablado. Ele foi o responsável pela escolha da atriz para a assinatura de sua primeira direção teatral, ao.sugerir o seu nome para um espetáculo encenado pelos alunos da escola.

Os elogios à amiga e colega de trabalho são inúmeros. Rigor, prazer e respeito ao público e ao fazer teatral são as grandes qualidades da atriz segundo o amigo.

¨Na nossa profissão há muitos fakes e no mundo cada vez mais vulgarizado, que qualquer coisa é mídia, uma atriz como a Marilia precisa ser cuidada e preservada¨, diz.

Segundo o ator e diretor, estar no teatro e na TV juntos cria uma intimidade cênica que contribui para o sucesso do trabalho. ¨Contracenar no teatro e na TV é como fazer músicas juntos. Você vai aprendendo a respiração do colega¨, ressalta Falabella.

Miguel Falabella e Marília Pêra em "Alô, Dolly"
Miguel Falabella e Marília Pêra em “Alô, Dolly”

 

Marília Pêra está muito satisfeita com o trabalho e garante que mesmo com tantos anos de carreira ainda sente um frio na barriga na hora de entrar em cena, ao contrário de Falabella que é sempre brincalhão antes de entrar em cena. Em tom de brincadeira diz que maldiz o dia em que resolveu ser atriz.

Ambos ressaltam, no entanto, que antes de entrarem em cena a preparação é rigorosa. Marília fica em cena todo o tempo, canta e dança, enquanto Falabella tem apenas uma música, ainda no segundo ato (o que o deixa mais relaxado no restante da apresentação).

Uma curiosidade é que Alô, Dolly! também faz parte da trajetória de Marília. Ela fez teste para um papel no musical protagonizado por Bibi Ferreira, mas não foi aprovada. 

A atriz tece muitos elogios ao parceiro de palco e TV, assim como o elenco como um todo, escolhido em sua maioria através de testes, e destaca:

Faz questão de citar que o elenco é muito talentoso e destaca:

¨O Ensemble é muito bom. Além de excelentes profissionais, o elenco é muito amoroso e me dá apoio no palco¨, diz Marília. ¨ Ele alicerça o espetáculo para que os protagonistas possam brilhar, complementa Falabella.

A montagem é a mesma da que foi apresentada no Oi Casa Grande e promete ser um dos maiores sucessos da temporada paulistana neste ano. A expectativa dos atores quanto ao sucesso da temporada é ótima.

Falabella lembra que A Gaiola das Loucas e Hairspray, que ficaram em cartaz no Teatro Bradesco, foram musicais com muito boa receptividade do público.

 

Miguel Falabella e Marília Pêra em "Alô, Dolly"
Miguel Falabella e Marília Pêra em “Alô, Dolly”

Marília pisa pela primeira vez nesse teatro e diz que ficou impressionada com o lugar. Admiradora de São Paulo, a atriz diz que está muito feliz por voltar à cidade: ¨Sempre venho para cá com muitas alegrias e esperanças¨, diz.

Diversos veículos divulgaram matérias com Falabella, que o artista disse que quer se dedicar mais à dramaturgia e para isso, parar de atuar na TV. Afirmou, no entanto, que não pretende parar de atuar no teatro, somente diminuir a quantidade de trabalhos, e se dedicar à direção e dramaturgia.

Falabella tem muitos projetos no teatro. Entre eles, quer produzir um musical brasileiro: Memórias de um Gigolô, de Marcos Rey (um clássico da literatura brasileira que aborda o meretrício dos anos 1930, em São Paulo), mas não consegue patrocínio.

¨É muito mais fácil conseguir patrocínio para musicais estrangeiros devido a pouca estima dos brasileiros pela nossa cultura. Mas aos poucos a gente vai aprendendo a dar valor ao que é nosso. Isso é um aprendizado e vai levar um tempo¨,  afirma.

Depois da temporada paulistana, que termina no dia 02 de junho, Alô, Dolly! segue para capitais, como Porto Alegre e Brasília, e passa por Paulínia, interior de São Paulo.

Breve histórico deHello, Dolly!:

Baseado na peça The Matchmarker – A casamenteira, com texto de Michael Stewart e letras e músicas de Jerry Herman, o musical estreou na Broadway em 1964 e ganhou 10 Prêmios Tony, entre eles o de Melhor Musical, Melhor atriz (Carol Channing), Melhor Libreto, Melhor Trilha, Melhor Direção e Melhor Coreografia.

Já foi remontado três vezes na Broadway, além de ter versões no mundo inteiro. No Brasil, Bibis Ferreira e Paulo Fortes estrelaram a superprodução.

Alô, Dolly! estreou em março de 1966, no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro.

No cinema, a protagonista foi interpretada pela atriz e cantora Barbra Streisand, com direção de Gene Kelly, e indicado a sete Oscars.

 

Ficha Técnica

 

Texto Michael Stewart

Baseado na peça The Matchmarker – A Casamenteira

Músicas e letras Jerry Herman

Versão Brasileira Miguel Falabella

Direção Geral Miguel Falabella

Direção Musical Carlos Bauzys

Coreografias Fernanda Chamma

Cenário Renato Theobaldo e Roberto Rolnik

Figurino Fause Haten

Visagismo Anderson Bueno

Iluminação Paulo Cesar Medeiros

Designer de Som Gabriel D’Angelo

Apresentado por Ministério da Cultura e Honda

Patrocínio SulAmérica e Sem Parar / Via Fácil

Elenco

Marília Pêra – Dolly Levi
Miguel Falabella – Horácio Vandergelder

Alessandra Verney – Irene Molloy

Frederico Reuter – Cornélio Hackl

Ubiracy Paraná do Brasil – Barnabé Tucker

Ester Elias – Minnie Fay

Brenda Nadler – Ermengarda Vandergelder

Ricardo Pêra – Rudolph Reisenweber

Patricia Bueno – Ernestina Ricca

Thiago Machado – Ambrósio Kemper

Ensemble

Alessandra Dimitriu

Carla Vazquez
Ingrid Gaigher
Karin Hils
Mariana Saraiva

Maysa Mundim
Thati Abra
Ale Lima
Arízio Magalhães
Daniel Cabral
Fábio Yoshihara
Guilherme Pereira
Ivan Parente

Renato Bellini

Bailarinos

Jefferson Ferreira
Leandro Marbali
Marcel Anselmé
Thiago Pires
Ygor Zago

Serviço

Alô, Dolly!

Teatro Bradesco(1.439 lugares) -Bourbon Shopping São Paulo – Rua Turiassu, 2.100 – 3º piso – Pompéia. Bilheteria: domingo a quinta, das 12h às 20h; sexta e sábado, das 12h às 22h. Aceita todos os cartões de crédito e débito. Não aceita cheque.Vendas pela Internet: www.ingressorapido.com.br e telefone: 4003-1212.

Quinta às 21h | Sexta às 21h30 | Sábado às 18h e 21h30 | Domingo, às 18h. Ingressos: de R$ 20 a R$ 200. Duração: 160 minutos (intervalo de 15 minutos). Classificação: Livre

Estreia dia 02 de março

Temporada: até 02 de junho

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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