Morre Kazuo Ohno aos 103 anos

Michel Fernandes, do Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com)

Kazuo Ohno em "La Argentina

Poucos minutos depois de saber da morte de Kazuo Ohno, pelo meu editor Carlos Adão Volpato (Último Segundo – Cultura) que escrevia matéria em que noticiou o ocorrido (CLIQUE AQUI para lê-la), recebi um email do LUME, grupo teatral de Campinas, definitivamente influenciado pelo dançarino, um dos principais difundidores da dança butô, a partir das observações feitas por Ohno, em 1986, ao assistir demonstrações técnicas executadas por Luís Otávio Burnier e Carlos Simioni, fundadores do LUME.

A dança Butô surgiu na década de 1960, por meio do bailarino Tatsumi Hikijata (1928 – 1986), no Japão como negação de todos os tipos de arte praticados na cena japonesa antes da Segunda Guerra Mundial. Os temas utilizados por Hikijata sempre expôs a ferida dolorida da nação atingida pela bomba atômica que dizimou as cidades de Hiroshima e Nagasaki e ficou conhecida por “dança das trevas”.

Em contrapartida, Kazuo Ohno (1906 – 2010) dedicava-se aos temas mais instrospectivos, os que sondavam a alma humana, em movimentos silenciosos que davam vazão ao que estava sombreado no interior, por isso a sua arte é conhecida por “dança da luz”.

Antunes Filho, nosso diretor teatral escafandrista do oceano inconsciente, manteve estreita relação de troca artística e de ideais com Kazuo Ohno, criou Foi Carmen em homenagem aos 100 anos de Ohno, espetáculo concebido em homenagem a La Argentina, primeiro grande sucesso do artista japonês, apresentado em Tokyo.

São inúmeros os órfãos do butô de Kazuo Ohno, mas, como as tradições orientais ganham a eternidade, o legado do artista deixa sólidas raízes.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.