MOSTRA INTERNACIONAL DE TEATRO DE SP APRESENTA NOVE PEÇAS E BUSCA INTERNACIONALIZAÇÃO DA ARTE BRASILEIRA

0
408
Suíte abre a MITsp_ Foto de Florian Leduc

SÃO PAULO – A MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo lançou a programação de espetáculos, atividades reflexivas e pedagógicas de sua quinta edição, que acontece de 1 a 11 de março. Serão nove montagens com a participação de artistas de vários países, como Alemanha, Argentina, França, Polônia, Reino Unido, Suíça, Uruguai, entre outros.  Os ingressos começam a ser vendidos no dia 6 de fevereiro.

O espetáculo Suíte n°2, dirigido pelo francês Joris Lacoste, o artista em foco dessa edição, faz a abertura, no Auditório Ibirapuera, e o encerramento é a performance A gente se vê por aqui – 24hs Globo, dirigida pelo artista brasileiro Nuno Ramos, com duração de 24 horas, entre o Fantástico (o programa dominical, do dia 11 de março), até o Jornal Nacional do dia seguinte (segunda-feira, dia 12).

Com nove espetáculos, a Mostra está tecnicamente menor do que o ano passado, quando dez montagens foram apresentados. No entanto, o evento volta aos dez dias de duração, contra os oito do ano passado.

O orçamento também encolheu. Este ano foram 2, 1 milhões ( mas o orçamento ainda não está fechado) e, no ano passado, 2, 9 milhões. Segundo Antonio Araújo, idealizador da MITsp, “o ano foi difícil e as parcerias garantiram a programação”.

O esforço da organização conseguiu trazer dois dos mais significativos diretores contemporâneos, o suíço Christoph Marthaler e o polonês Krystian Lupa – ambos pela primeira vez em São Paulo – são destaques da programação desta quinta edição da MITsp, com os espetáculos King Size e Árvores Abatidas  – respectivamente, considerados trabalhos importantes de seus repertórios.

Olhar para o Brasil
A ação acontece, pela primeira vez nessa edição, como um projeto piloto, visando promover um conjunto de oito produções contemporâneas nacionais que foram destaque entre 2017 e início de 2018. Com curadoria de de Welington Andrade, Christine Greiner e Felipe Assis – os espetáculos selecionados serão convidados para se apresentarem na quinta edição da MITsp para programadores de festivais nacionais e internacionais.

A iniciativa representa um passo importante para a expansão do reconhecimento do teatro brasileiro no cenário internacional, fomentando sua circulação e visibilidade. “Esse era um sonho antigo que entra como piloto agora”, disse Araújo.

Por esse mesmo caminho, dentro do eixo Ações Pedagógicas, a artista e produtora croata radicada na Espanha, Iva Horvat dará um workshop gratuito para artistas brasileiros, Internacionalização de espetáculosque trata de estratégias de divulgação e de circulação internacional de espetáculos.

Pais Clandestino_Foto de Ariane Cuminale

A programação
As montagens convidadas para 2018 são todas inéditas no Brasil e trazem artistas de diversos países – muitas companhias e projetos unem pessoas de diferentes nacionalidadesÉ o caso, por exemplo, do espetáculo País Clandestino, que tem cinco diretores, de cinco países (Brasil, Argentina, Uruguai, Espanha e França), ou de Palmira, criado pelo grego Nasi Voutsas e pelo francês Bertrand Lesca.

Nesta edição, diferentes obras propõem olhares para a história e a memória. Campo Minadoda diretora argentina Lola Arias, e Sal, de Selina Thompson, atriz do Reino Unido, com direção de Dawn Walton, evocam lembranças e falas para tratar das reminiscências de diferentes formas, sejam de guerras, sejam do colonialismo. Revelam, assim, seus desdobramentos ainda presentes nos nossos dias, reacendendo discussões com pontos de vistas de pessoas comuns, pontuando questões políticas e afetivas.

Em diálogo com a proposta de Campo Minado, Lola Arias ministra um workshop – Meus Documentos – para artistas brasileiros, dentro das Ações Pedagógicas. Nessa atividade ela sugere uma experiência cênica de investigação, por meio de diversos materiais, a partir de uma história que inquiete cada um dos participantes.

É foco da MITsp, em todos os anos, obras que reúnam teatro, música, dança, instalações e outras formas de expressão. King Size, da companhia suíça Théâtre Vidy-Lausanne, dirigido por Christoph Marthaler, é um exemplo de espetáculo em que a música está em diálogo com o teatro, característica da pesquisa intensa do diretor em sua carreira; ou Hamlet, do dramaturgo e diretor Boris Nikitin, que transporta a tragédia de Shakespeare para os dias atuais, usando recursos como a música – além de cantar, um quarteto barroco está no palco – e a performance.

O polonês Krystian Lupa é nome fundamental nesta edição. Sua montagem de Árvores Abatidas, baseada no texto homônimo do autor Thomas Bernard, coloca em cena o refinamento de sua técnica no trabalho de atores e do texto.

De diferentes modos, esses espetáculos exploram a palavra, as possibilidades de comunicação, sua escuta, seus ruídos e seus silêncios. Suíte n°2, projeto do francês Joris Lacoste, representa de forma explicita essa ideia. Seu espetáculo questiona e submete as palavras a um jogo de formas, repetindo-as seguidamente, cantando, falando muito rápido, até que seus sentidos ganhem novas ideias ou percam sua ideia original.

Olhares críticos
Com curadoria de Luciana Romagnolli e Daniele Ávila Small, Olhares Críticos coloca em debate, entre as ações já confirmadas, nas Reflexões Estético-Políticas, o tema “O estatuto da arte no Brasil contemporâneo: liberdade, alteridade, mediação”, discutindo a censura e a violência, tendo em vista o debate público nas artes em 2017. Completam ainda ações previstas para acontecer: os Diálogos Transversais, o Pensamento-em-Processo, o Espaço de Ensaios e a Prática da Crítica.

Segundo a curadora Luciana Romagnolli  a ideia é pensar nas formas como a mediação na arte acontecem ou não acontecem e trazer o tema para perto de todos”.

As ações pedagógicas

RENATO BOLELLI Foto de Ligiana Costa e ABY COHEN Foto de Calen C. Dawkins fazem workshop na, MITsp.

Com curadoria de Maria Fernanda Vomero, inauguraram as atividades da MITsp com abertura de inscrições para workshops e a residência da alemã Susanne Kennedy, que esteve presente na edição passada com o espetáculo Por que o Senhor R. Enlouqueceu? e volta para trabalhar com artistas brasileiros. Ao longo de três semanas, os participantes se aproximarão de sua linguagem cuja ideia principal é o trabalho com novas formas de linguagem verbal aliadas à precisão das expressões corporal e vocal.

Outros workshops também estão previstos e com inscrições já abertas, Internacionalização de espetáculos, com a croata radicada na Espanha Iva Horvat; Meus Documentos, com a argentina Lola Arias; Des–normatividade: possibilidades criativas de expressão, com a sueca Liv Elf Karlén, e Intersecções entre poéticas não-verbais, com os brasileiros Aby Cohen e Renato Bolelli Rebouças.

“As ações estão pautadas sobre as pesquisas individuais dos participantes e  as reflexões e perguntas consideradas fundamentais no momento do Brasil”, disse Andreia Duarte, que representou a curadora Fernanda Vomero, em encontro com a imprensa, na segunda-feira, 29.

Na busca por essa realidade brasileira diversa, os workshops vão abarcar a cidade em diversos pontos, da Fábrica de Cultura Brasilândia e no Pombas Urbanas, na cidade Tiradentes, zona leste.

O Museu da Imigração virou palco
Em parceria com o Goethe-Institut São Paulo e o festival SpielArt, o projeto AudioReflex fará parte da programação da MITsp. Tendo como ponto de partida a migração e integração dos imigrantes, o programa uniu artistas ativos no Brasil (José Fernando de Azevedo, Alejandro Ahmed e Rita Natálio) e outros três ativos na Alemanha (Ariel Efraim Ashbel, Suli Kurban e Claudia Bosse), com a curadoria de Sigrid Gareis,  para produção de uma performance auditiva sobre suas experiências com o tema.

Em um primeiro momento, compuseram três obras em Munique e agora é a vez de comporem obras no Brasil para seu mergulho no tema e produção de suas performances para o Museu da Imigração, onde farão suas pesquisas e suas áudio-obras.

Ficha Técnica

Idealização e Direção Artística: Antônio Araújo

Idealização e Direção Geral de Produção: Guilherme Marques

Direção de Relações Internacionais: Jenia Kolesnikova e Natália Machiaveli

Curadoria dos Olhares Críticos: Luciana Romagnolli e Daniele Ávila Small

Curadoria de Ações Pedagógicas: Maria Fernanda Vomero

Coordenação Executiva de Produção: Rachel Brumana

Coordenação da Assessoria de Comunicação: Marcia Marques | Canal Aberto

Coordenação de Relações Públicas: Carminha Gongora

Coordenação Técnica: André Boll

Coordenação de Logística: Marisa Riccitelli

Coordenação dos Olhares Críticos: Andreia Duarte

Coordenação do Coletivo de Críticos: Julia Guimarães

Coordenação Financeira: Patricia Perez

Assessoria Jurídica: José Augusto Vieira de Aquino

Assistente de Relações Internacionais: Fernando Ruiz Braul

Assistentes de Comunicação: Kelly Santos, Flávia Fontes e Daniele Valério | Canal Aberto

Assistente de Coordenação Técnica: Marta Cesar

Assistente de Coordenação de Logística: Luiza Meira e Paula Malfatti

Assistente de Coordenação Olhares Críticos: João Moreira

Assistente de Coordenação Financeira: Hiago Marques

Redes Sociais: Ana Beatriz Resende e Everton Felisberto | Menu da Música

Redação, Edição e Supervisão de Conteúdo Editorial: Pollyanna Diniz

Tradução de conteúdo técnico e editorial: Patrícia Lopes

Revisão de textos: Grená Conteúdo Mutiplataforma

Projeto Gráfico: Patrícia Cividanes

Colaborador: Fause Haten

Autores do logotipo original da MITsp (2014): André Cortez e Regina Cassimiro

Autora do logotipo MITsp versão 2018: Patrícia Cividanes

Assistente de Arte: Osvaldo Piva

Site: Marina Duca

VT Institucional: Natália Machiaveli

Secretaria MITsp: Daniella Dantas

Serviços Gerais: Jair Nascimento e Cássia Nunes

Para mais informações: http://mitsp.org/2018/

Kyra Piscitelli, do Aplauso Brasil (kyra@aplausobrasil.com.br)

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, deixe seu comentário
Por favor, preencha seu nome

*