MTPAG 2013: Estudando novas formas de se comunicar

Michel Fernandes é colaborador especial do Projeto Ademar Guerra (michel@aplausobrasil.com)

 

"Casa de Bonecas", de Presidente Prudente
“Casa de Bonecas”, de Presidente Prudente

GARÇA (SP) – Dentre os espetáculos e processos apresentados, a Mostra de Teatro do Projeto Ademar Guerra o horário das 18h marcou as apresentações de uma nova modalidade de projetos com o foco nas pesquisas de linguagens. O curador artístico do Ademar Guerra, Sérgio Ferrara ressaltou a importância em se debruçar em novas formas de se abordar velhos temas. Trabalhos de São José do Rio Preto, Lençóis Paulistas e Presidente Prudente foram os escolhidos a se apresentar.

 

Quadrado, de São José do Rio Preto

Na pele de um cão farejar, o excelente ator Cássio Henrique adentra o teatro e sobe ao palco. Lá é deixado em frente a uma tela em que começam a ser projetadas imagens diversas que passam a dialogar com o perfomer.

Interessante empreendimento de pesquisa, Quadrado parece aproximar-se das inquietações que pairam sobre o teatro contemporâneo: a fusão entre linguagens, priorizando o efeito hibrido que derruba barreiras do que vem a ser teatro, vídeo, instalação.

 

Pele de Anjo e Corpos de Fogo, Lençóis Paulistas

A experimentação aqui  tem menos da interferência midiática e mais nos suportes das diferentes matrizes literárias utilizadas como fragmentos de notícias, poemas, contos etc., todos com estatuto épico na enunciação do texto.

A colagem de textos acerca do universo feminino é tratado de maneira sensível e com belas imagens. Entretanto, cabe à  direção explorar novas dinâmicas espaciais que tornarão a representação mais criativa e sem o perigo da repetição tornar o espetáculo cansativo.

 

Casa de Bonecas, de Presidente Prudente

Os Bárbaros Cia de Teatro apresentou uma proposta bastante ousada e controversa: utilizar as rubricas de Casa de Bonecas, de Ibsen, para narrar a história de Nora e sua vida reprimida por Helmer, seu esposo, que a manipula feito ela fosse sua boneca. Como é uma subversão de um clássico pode desagradar aos mais puristas

Com dramaturgia e direção de Cássio Pires, as descrições referentes às rubricas tem um efeito brilhante de servir como a voz do autor que manipula, a seu bel prazer, à tomada de decisões, às quais ela nem sempre  acata, sendo o ápice disso sua saída de cas, conforme se dá com Nora, em que ela vai até a cabine de som e toma as rédeas do espetáculo, dando blackout. O que acontece depois são arestas que devem ser retiradas.   

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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