MTPAG 2013: No limite entre o tipo e o estereótipo

Michel Fernandes é colaborador especial do Projeto Ademar Guerra (michel@aplausobrasil.com)

"Melhor na //boca do Povo do que Pobre", de Ibirá - crédito  foto Dirceu Cardoso Machado
“Melhor na //boca do Povo do que Pobre”, de Ibirá – crédito foto Dirceu Cardoso Machado

GARÇA (SP) – A cia. Arte das Águas, de Ibirá, bebeu na fonte da comédia popular nordestina, sobretudo nos textos de Ariano Suassuna (O Auto da Compadecida, O Casamento          Suspeitoso, entre outras, para criar Melhor na Boca do Povo do que Pobre para tratar de temas como sexualidade, vingança, conflito de gerações, entre outros. Sob direção  de Antônio Bucca Jr. a peça lança uma reflexão entre os limites do estereótipo e do tipo

Com a morte do coronel Ludovico é revelado um testamento em que o coronel especifica algumas exigências para que seu único filho seja seu único herdeiro: o afeminado herdeiro só terá direito à herança do pai depois de casar, caso contrário a fortuna de Ludovico vai para o convento em que a ex-noiva do rapaz se confinou após ser abandonada pelo mesmo no altar

Com cenografia, adereços e figurinos muito bem cuidados falta à Bucca livrar-se de alguns excessos como a demasiada pontuação das cenas por efeitos sonoros ou à constante recorrência à citações.

ibiraCoeso e talentoso, o elenco precisa de contenção para que  os tipos criados não passem a estereótipos, já que, em lugar da sutileza, o exagero que é fruto do estereótipo, gera interpretações rasas, cópias ditadas pelo senso comum

A dramaturgia final assinada por Antônio Bucca Jr.. fruto de criação  coletiva, merece atenção especial para a questão da supressão de algumas arestas, pois que há cenas que pouco ou nada contribuem para o desenrolar da trama.

Todas esses detalhes sugeridos a serem revistos demonstram o bom impacto causado pelo espetáculo que para ampliar o êxito é preciso selecionar o que deve e não deve ficar

 

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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