Musical homenageia um dos maiores artistas da MPB

Nanda Rovere, do Aplauso Brasil 

"Milton Nascimento - Nada Será Como Antes, O Musical"
“Milton Nascimento – Nada Será Como Antes, O Musical”

SÃO PAULO – Milton Nascimento – Nada Será Como Antes estreia amanhã (22), às 21h30, no Teatro GEO. A direção assinada pela dupla Charles Möeller e Claudio Botelho. No elenco estão Marya Bravo, Claudio Lins, Tatih Kohler, Pedro Sol, Estrela Blanco, Jules Vandystadt, Cassia Raquel, Wladimir Pinheiro e Sergio Dalcin, que dividem a cena com os músicos Délia Fischer – também responsável pelos arranjos – e Lui Coimbra. Arranjos musicais: Délia Fischer. Arranjos vocais: Jules Vandystadt. Cenografia: Rogério Falcão. Os figurinos são de Charles Möeller. Iluminação de Paulo Cesar Medeiros.

A ideia de montar um espetáculo sobre Milton Nascimento surgiu para comemorar os 70 anos de idade e os 50 de carreira de um dos maiores artistas de nossa MPB.

O projeto começou a ganhar força após uma conversa entre Milton Nascimentos e a dupla de diretores sobre as possibilidades de se produzir um musical com as suas canções. Eles salientam que Milton ama teatro e acompanha todos os trabalhos que assinam. Beatles Num Céu de Diamantes, por exemplo, o músico assistiu oito vezes.

¨Queríamos algo íntimo e todos trabalharam comigo para em algum momento importante da minha vida¨, conta Charles Möeller sobre a escolha do elenco, que entre os destaques tem a presença do ator Claudio Lins, que fez Ópera do Malandro com a dupla de diretores.

Claudio Botelho e Charles Möeller dizem que são artistas por causa de gênios como Chico Buarque e Milton Nascimento. Foi depois de conhecerem o Clube da Esquina que tiveram a certeza que queriam seguir a carreira artística: ¨O Clube da Esquina apareceu e isso mudou as nossas vidas¨, contam.

Milton Nascimento acompanhou os últimos ensaios do musical em sua homenagem e não opinou sobre a encenação, escolha das composições, nem sobre os arranjos. Só deu uma pequena sugestão sobre o acorde de uma Saudade Dos Aviões Da Panair (Milton Nascimento e Fernando Brant).

"Milton Nascimento - Nada Será Como Antes, O Musical"
“Milton Nascimento – Nada Será Como Antes, O Musical”

Sempre que pode faz questão de assistir ao musical e por isso a temporada carioca ganhou um brilho a mais.

Milton Nascimento – Nada Será Como Antes apresenta a obra do cantor e compositor através de 48 canções, sem nenhuma fala.

O objetivo não é mostrar a trajetória pessoal de Milton Nascimento, mas a riqueza de sua obra.  O canto e a interpretação dos atores/cantores, portanto, é o que rege o musical.

O espetáculo, de acordo com os diretores, é todo cantado e mesmo assim é possível entender todos os momentos de alegria e tristeza que as canções expressam. É como se fosse um grande encontro entre jovens, com alegrias, tristezas, sonhos e amores, assim como deve ter sido os encontros dos jovens artistas do Clube da Esquina.

As letras e as harmonias são valorizadas. Cada música é uma pequena peça em que os atores tocam e se revezam em vários instrumentos. Os jovens artistas interagem e interpretam solos.

Os músicos também cantam. ‘Não há uma divisão entre orquestra e atores: todos são uma única voz a serviço de brilhante obra musical de Milton Nascimento¨, explica Cláudio Botelho.

"Milton Nascimento - Nada Será Como Antes, O Musical"
“Milton Nascimento – Nada Será Como Antes, O Musical”

O subtítulo Nada Será Como Antes remete o espectador a uma composição de mesmo nome, mas também expressa um momento de mudanças nas vidas de Möeller e Botelho, que têm uma carreira consagrada no teatro musical e estavam deixando a parceria com a antiga produtora dos seus trabalhos.

Para a criação da montagem, foram meses de pesquisa até a escolha do repertório e a ambientação exata das cenas.

Os diretores revelam que a escolha do repertório foi complicada, bem como guiar os atores/cantores nas interpretações das músicas.

Tiveram que deixar muitas ¨pérolas¨de lado para colocarem no palco composições que representassem as quatro estações do ano, as quais serviram de fio condutor para a encenação.

As quatro estações expressam momentos significativos da trajetória de Milton e a importância do tempo nas suas criações e na sua vida pessoal. ¨Milton é cheio de mistérios. Tem um tempo específico para falar e um olhar ímpar para a vida, destaca Möeler.

A Primavera fala do processo de criação do artista e entre as canções apresentadas nesse momento está Cigarra, parceria com Ronaldo Bastos.

O Verão tem canções de trabalho e que colocam em questão assuntos como a escravidão e a força do povo brasileiro. Raça (Milton Nascimento e Fernando Brant) e Maria Maria (também uma parceria entre Nascimento e Brant) estão entre os destaques.

Outono reflete as dificuldades de expressão artística diante da Ditadura e as canções de caráter metafórico para driblar a censura, como Paula e Bebeto ( Milton Nascimento e Caetano Veloso) e  Milagre dos Peixes (Milton Nascimento e Fernando Brant),que fala de amor e de um mundo sem preconceitos.

O Inverno apresenta os ¨anos de chumbo¨, com composições como Fé Cega, Faca Amolada, de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos e San Vicente (Milton Nascimento e Fernando Brant), que traz a esperança de um futuro melhor.

O final não podia ser triste. Para celebrar uma trajetória musical pautada por composições que evocam, o amor, a amizade, a poesia, o respeito ao próximo e falam de questões políticas com o objetivo de conscientizar o ser humano para a busca de um mundo melhor, Milton Nascimento- Nada Será Como Antes termina com Amor de Índio, composição de Beto Guedes e Ronaldo Bastos, imortalizada na voz de Milton; Nada Será Como Antes, parceria com Ronaldo Bastos; Travessia, outra memorável parceria com Brant; e uma música menos conhecida do que as demais: Que Bom Amigo, do álbum Clube da Esquina II.

O grandioso cenário chama a atenção. Reproduz uma casa mineira e o espírito dos encontros do Clube da Esquina, que para Charles Muller significa utopia, ¨onde existia uma ingenuidade juvenil de mudar o mundo através da música¨, afirma.

A cenografia possui detalhes que destacam o barroco mineiro, com origamis, lustres de renda móveis antigos transformados.  Tudo isso para criar uma casa aconchegante , com as portas sempre abertas para receber os amigos.

Milton Nascimento – Nada Será Como Antes sela a parceria entre os renomados Charles Muller e Claudio Botelho com a GEO, empresa da Globo Comunicação Participações SA. Depois de uma temporada de sucesso no Teatro NET do Rio de Janeiro, a peça chega a São Paulo e deve viajar pelo país.

Ficha técnica:

Criação e direção: CHARLES MÖELLER & CLAUDIO BOTELHO

ELENCO: Claudio Lins, Marya Bravo, Délia Fischer, Cassia Raquel, Estrela Blanco, Jules Vandystadt, Lui Coimbra, Pedro Sol, Sergio Dalcin, Tatih Kohler e Wladimir Pinheiro.

Arranjos musicais: DÉLIA FISCHER

Arranjos vocais: JULES VANDYSTADT

Cenografia: ROGÉRIO FALCÃO

Figurinos: CHARLES MÖELLER

 Iluminação: PAULO CESAR MEDEIROS

 Design de som: MARCELO CLARET

 Coordenação artística: TINA SALLES

 Direção musical: CLAUDIO BOTELHO

 Direção: CHARLES MÖELLER

Realização: Möeller & Botelho, GEO

Serviço:

Milton Nascimento – Nada Será Como Antes Estreia dia 22 de março

Temporada até 26 de maio

Sextas, às 21h30. Sábados, às 18h e 21h. Domingos, às 18h.

Teatro GEO (Rua Coropés, 88 – Pinheiros. São Paulo)

Bilheteria: de segunda a domingo das 12h às 20h ou até o início do espetáculo

Formas de pagamento Dinheiro, cartão de crédito e cartão de débito (todos)

Telefone (11)3728-4929 ou 4930

E-mail bilheteria@teatrogeo.com.br

Vendas por telefone: SHOWCARD

Call Center (11)4003-4939

De Segunda a sexta das 09h às 20h e sábado das 09h às 15h

Vendas pela internetwww.showcard.com.br

Compra sujeita a taxa de conveniência e taxa de entrega

Ingressos: R$ 150 (plateia) e R$ 100 (balcão)

Classificação: 12 anos

Duração: 90 minutos

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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