Musical sobre Cazuza chega ao Teatro Procópio Ferreira

Redação do Aplauso Brasil (redacao@aplausobrasil.com)

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SÃO PAULO – Mitos como Cacilda Becker, Ayrton Senna, Elis Regina, Cássia Eller, entre tantos outros, morrem de maneira abrupta, inesperada, deixando, além das marcas indeléveis deixadas nas gerações de suas trajetórias, a evidencia do ponto final e de que a memória dos feitos deixados é a melhor maneira de eternizar o ídolo. No rol dos Mitos está a figura de Cazuza, ídolo compositor de diamantes em forma de canções que marcaram a juventude dos anos 1980, celebrado no mudical Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz, O Musical, de Aloísio de Abreu, dirigido por João Fonseca, que estreia nesta sexta-feira (18), no Teatro Procópio Ferreira.

“Não quero que me imitem. Não quero ninguém atrás de mim. Tenho muito medo de ser porta-voz de qualquer coisa”.  Nesta declaração de 1988, Cazuza já profetizava o inevitável. O talento instintivo e avassalador, o temperamento explosivo, a linguagem única e libertária, fizeram dele um ícone sem precedentes na cultura contemporânea produzida no Brasil. Muito mais do que isso: ainda que à revelia foi, mesmo sem pretender sê-lo, o grande cronista da juventude brasileira dos anos 80. Morto em 1990, aos 32 anos, no auge da carreira, foi alçado a precoce e definitivo mito no imaginário brasileiro.

O espetáculo reúne alguns dos maiores clássicos de Cazuza, tanto em carreira solo quanto com a banda Barão Vermelho, como Pro Dia Nascer Feliz e Codinome Beija-Flor. Também os hits Bete BalançoIdeologiaO Tempo Não ParaExageradoBrasilPreciso Dizer que Te Amo e Faz Parte do Meu Show estão presentes no roteiro, que ainda reserva espaço para composições de Cazuza que ele nunca chegou a gravar, como MalandragemPoema e Mais Feliz.

A escolha de Emílio Dantas para o personagem título foi imediata, segundo João Fonseca.

“Trabalhei recentemente com Emílio em outro musical e o considero um talento extraordinário. Desde o começo, achava que ele era o ator ideal para o personagem, o que foi comprovado durante as audições com a aprovação unânime de toda a equipe e da família do Cazuza.”

Emílio, que além de ator também é cantor, precisou emagrecer cinco quilos para o personagem: “Estava predisposto até a perder mais, mas chegamos ao consenso de que não seria necessário, porque há toda a fase dele saudável. Então, para representar a doença, usamos uma energia física mais baixa, maquiagem, luz e figurino”, finaliza.

Para a construção do texto, Aloísio de Abreu partiu das conversas com pessoas próximas a Cazuza e fez uma ampla pesquisa para a criação da estrutura dramática do espetáculo.

“Apesar de frequentar os mesmos lugares, eu não conhecia o Cazuza. Entretanto, sempre tive uma profunda identificação com a obra dele, que tem um quê de crônica da nossa época, revelando de forma rasgada comportamentos típicos dos jovens que todos éramos nos anos oitenta”, explica Aloísio.

Como a vida do personagem foi curta e ao mesmo tempo muito intensa, o autor procurou contar a história de forma ágil, avançando sempre a partir dos momentos de virada na carreira e na vida dele: a descoberta do teatro, o gosto pelo rock, o momento em que resolve cantar, montar uma banda, se profissionalizar, o estouro, as brigas, a mudança no estilo de sua obra, o estrelato solo, a descoberta da doença, a urgência poética no fim das forças. Enfim, momentos que levam a história adiante.

“As músicas se inserem quase como parte do texto. Estrutura de musical mesmo. Claro que tem momento show, mas a trajetória doC azuza é contada através das letras e da poesia dele. Tudo no texto ‘faz parte do show“, complementa.

O diretor conta que os depoimentos de Lucinha Araújo foram fundamentais na estruturação cênica do espetáculo: “A partir das lembranças dela, vamos conhecendo a vida e a obra desse artista e, tal como sua obra, a peça alterna momentos exagerados e de puro rock’n’roll a momentos mais intimistas e delicados”, finaliza.

Um amplo trabalho de pesquisa também foi essencial para a concepção musical do espetáculo. Os diretores musicais Daniel Rocha e Carlos Bauzys conceituaram a sonoridade em diferentes situações: Barão Vermelho não produzido; a gravação do primeiro disco; e, depois do sucesso, já consolidados. A banda solo de Cazuza também é reproduzida com fidelidade.

“Adaptar a obra dele tornando-a cênica e, ao mesmo tempo, empolgante e reconhecível ao público, foi nosso maior desafio”, define Daniel.

Assim, uma das trajetórias mais impressionantes da música brasileira é recriada pela primeira vez nos palcos. Aliás, nada mais oportuno, num momento em que se reascende no país, como poucas vezes se viu, articulações e movimentos em torno da ética, de transparência pública, de honestidade em diversos planos, de dignidade.

“Não sei quem foi o ufanista que jogou essa bandeira. É uma pessoa louca, porque o Brasil não está em condições de receber manifestações como essa. Inflação de 900%, um monte de denúncias de irregularidades, fora o assassinato do Chico Mendes. Eu estou é triste! Desiludido!”, disse Cazuza para mãe, após cuspir na bandeira pátria durante um show em 1988. Hoje, 15 anos depois, “eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades…”,

Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz, o Musical é apresentado pelo Ministério da Cultura, com patrocínio da Sulamérica, Sem Parar, Mills e Eurofarma.

Ficha Técnica:

Texto: Aloísio de Abreu

Direção Geral: João Fonseca

Produção Geral: Sandro Chaim

Com:

Emílio Dantas ou Osmar Silveira (Cazuza)

Atores convidados:

Susana Ribeiro (Lucinha Araújo), Marcelo Várzea (João Araújo) e André Dias (Ezequiel Neves)

Elenco:

Fabiano Medeiros (Ney Matogrosso)

Brenda Nadler (Bebel Gilberto)

Thiago Machado (Frejat)

Igor Miranda (Maurício Barros)

Bruno Narchi (Serginho)

Diego Montez (Guto Goffi)

Saulo Segreto (Dé Palmeira)

Dezo Mota (Caetano Veloso)

Oscar Fabião (Swing masculino)

Sheila Matos (sub Lucinha e Swing feminino)

Direção Musical: Daniel Rocha

Supervisão Musical: Carlos Bauzys

Preparador Vocal: Felipe Habib

Coreografias: Alex Neoral

Cenário: Nello Marrese

Figurino: Carol Lobato

Visagismo: Juliana Mendes

Design de Luz: Daniela Sanches e Paulo Nenem

Design de Som: Gabriel D’Angelo

Apresentado pelo Ministério da Cultura

Patrocínio: Sulamérica, Sem Parar, Mills e Eurofarma

 

CAZUZA – PRO DIA NASCER FELIZ, O MUSICAL 

Teatro Procópio Ferreira (641 lugares)

Rua Augusta, 2.823 – Cerqueira César

Informações: 3083-4475. Reservas e grupos: (11) 3064-7500

Vendas: www.ingressorapido.com.br e tel.: 4003-1212.

Bilheteria: de terça à sábado, das 14h às 19h; domingo, das 14h às 18h ou até o início do espetáculo. Aceita pagamento com cartões de todas as bandeiras. Acesso a deficientes físicos, ar condicionado e entrega de ingressos a domicílio. Estacionamento conveniado na Rua Augusta, 2673 – R$ 13 (período de 4 horas, só aos sábados).

Quinta e Sexta às 21h | Sábado às 17h30 e 21h30 | 

Domingo às 18h 

Ingressos

Quinta: R$ 140 (premium) | R$ 120 (setor II) | R$ 50 (setor III) Sexta: R$ 160 (premium) | R$ 140 (setor II) | R$ 50 (setor III) Sábado e Domingo: R$ 180 (premium) | R$ 150 (setor II) | R$ 50 (setor III)

Duração: 165 minutos (com 15 de intervalo)

Classificação: 14 anos

Estreia dia 18 de Julho

Temporada: até 26 de Outubro

 

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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