COM ESTÉTICA SURREALISTA, PEÇA “CHUVA SECA” EXPÕE A RELAÇÃO ENTRE DORA MAAR E PABLO PICASSO

Redação do Aplauso Brasil (redação@aplausobrasil.com

Atriz Fernanda Roman como Dora no teatro. Foto/crédito: Murillo Basso
Atriz Fernanda Roman como Dora no teatro. Foto/crédito: Murillo Basso

SÃO PAULO – Situado em Paris, o espetáculo Chuva Seca discute as relações humanas a partir das obras fotográficas, artes plásticas e do relacionamento entre Dora Maar e Pablo Picasso. Na peça, a intensidade da vida cotidiana e a relação entre musa inspiradora e artista são os eixos para discutir a posição da mulher na sociedade. Dirigido por Eduardo Chagas, a montagem estreou dia 2 de abril e continua em cartaz até dia 28 de maio,quintas-feiras às 21h no Teatro do Satyros 1, na Praça Roosevelt.

Em cena, a atriz Fernanda Roman vive Dora e relembra passagens de sua vida, como a infância e a adolescência longe de Paris, o retorno e aprendizado com Man Ray e suas criações artísticas. A encenação e o texto criam um paralelo entre a visão da atriz sobre as mulheres contemporâneas e a trajetória de vida de Dora ao lado do pintor.

Dois livros deram a base para o projeto. O primeiro livro, Dora Maar, Prisioneira do Olhar, de Alicia Dujovne Ortiz, fortalece a pesquisa a respeito da vida da fotógrafa surrealista. O segundo, Picasso e Dora – A História da Paixão Conturbada do Maior Pintor do nosso Século, de James Lord, conta – do ponto de vista de alguém próximo – a história da relação amorosa entre os dois.

Por meio de estudo da biografia de ambos, do período histórico, e de relatos pessoais da atriz/autora, criou-se textos em que Dora e a atriz se confundem, trazendo um panorama das relações afetivas a partir da visão da mulher. Eduardo Chagas criou as diretrizes sobre as relações que ocorreram na vida da musa inspiradora e como isso se relaciona com a vida da atriz e de tantas outras mulheres. Natalia Najjar, preparadora corporal, trouxe a sua experiência em dança e yoga para serem aplicadas na cena.

Atriz Fernanda Roman como Dora no teatro. Foto/crédito: Murillo Basso
Atriz Fernanda Roman como Dora no teatro. Foto/crédito: Murillo Basso

Toda partitura corporal criada pela atriz – em conjunto com Natalia – parte das mãos. Dora era conhecida por sempre usar anéis e pintar as unhas semanalmente de vermelho. No cenário, dois principais objetos chamam atenção: uma penteadeira e uma cadeira. A primeira, recheada com as obras de Dora, representa a vida da fotógrafa e pintora. As fotos, os objetos pessoas, as lembranças. Do outro lado do palco, uma cadeira, uma gaiola e uma roda de bicicleta formam a obra que retrata Picasso.

A iluminação do espetáculo usa muito das sombras, com uma penumbra que envolve todo palco e alguns poucos focos que destacam a atriz e os objetos do cenário em cena. Também são usados projetores com filmes com estética surrealista, criados especialmente para o espetáculo.

Ficha Técnica

Texto e Atuação: Fernanda Roman. Direção e Dramaturgia: Eduardo Chagas. Participação Especial em Vídeo: Andressa Cabral, Gabriela Roman, Marilia Adamy, Marina Regis, Natalia Najjar, Neusa Maria e Ricardo Hamzo. Preparação Corporal e Figurino: Natalia Najjar. Cenário: Ricardo Hamzo. Iluminação: Eduardo Chagas. Sonoplastia: Vivi Marques e Taiguara Chagas. Fotografia: Ricardo Hamzo. Edição de Vídeo: Vivi Marques. Produção e Realização: CABRA Produções. Co-produção: Romãs Artísticas

 

Serviço:

Chuva Seca, direção de Eduardo Chagas. Temporada: De 2 de abril a 28 de maio, quintas-feiras às 21h. Ingressos: R$30,00 Local:espaço do Satyros I, Praça Franklin Roosevelt, 222 – Consolacao. Telefone: (11)3258-6345. Capacidade: 60 pessoas Duração: 50 min Classificação: 14 anos

Kyra Piscitelli

Kyra Piscitelli é jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e fez pós-graduação em Globalização e Cultura pela Faculdade de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Escreve sobre teatro e arte desde de 2009. Integra os Juris da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e do Prêmio Aplauso Brasil. Ávida por conhecimento, se não está em viagem ou estudo, só há um lugar para achá-la: o teatro!