Novatos bem-sucedidos

 Crítica de Maria Lúcia Candeias, especial para o Aplauso Brasil (mlcandeias@aplausobrasil.com)

Silvanah Garcia dirige <i>Safo</i>, novo texto de Ivam Cabral
Silvanah Garcia dirige Safo, novo texto de Ivam Cabral

 

Quem costuma ir ao Espaço dos Satyros, certamente já viu Silvanah Santos em cena e agora poderá ver como encenadora. Sua estréia como diretora dá indícios de que tem jeito para essa atividade. Um aquário e um recepiente com areia branca são suficientes para alguns efeitos mágicos conseguidos também pela atriz Patrícia Vilela que apresenta excelente interpretação corporal.

É um espetáculo de 45 minutos (vapt vupt) apresentando texto de Ivam Cabral (a partir de Virginia Woolf e Marguerite Duras), com o título de Safo, que se apresenta às quintas-feiras, 21h30. Tem lá suas qualidades.

Mas o novato mais bem sucedido em cartaz é sem discussão Bertolt Brecht. Na Selva das Cidades foi uma de suas primeiras peças, escrita antes de sua conversão ao marxismo e, por isso mesmo, até desconsiderada pelo autor.

<I>Na Selva das Cidades</I>, um dos primeiros textos de Brecht
Na Selva das Cidades, um dos primeiros textos de Brecht

 

É um texto interessante (talvez um pouco longo, mas é difícil cortar o grande mestre do distanciamento) que foi montado em 1969, por Zé Celso no Oficina. De lá pra cá, permaneceu nas estantes dos estudiosos e na memória do público da época. Marcelo Marcus Fonseca ousou encená-lo e foi bastante bem sucedido.

A obra parece manter um pequeno pé no século 19, defendendo que o homem é essencialmente um animal briguento. O que até o momento parece verdadeiro, mostrando que somos realmente descendentes de animais, nos mantendo um tanto selvagens.

O diretor inclui entre a selvageria, o descaso com a natureza através de ótimos recursos cênicos. O elenco conta com 14 atores, alguns muito experientes como Wanderley Martins, Liz Reis e o próprio diretor. Outros são inteiramente novatos em cena. São eles: Záira Alves, Sérgio Ricardo (que não é o músico e assina a cenografia com Marcelo), Nader Ghosn e Thiago Molfi.

Está em cartaz no Teatro da Funarte, que ficou muito bonito depois de grande reforma, mas que, por enquanto não tem estacionamento. Mesmo assim, Na Selva tem lotado, principalmente de público jovem.

Vale conferir.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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