“Novos Baianos” deseja ser resposta à atual polarização

SÃO PAULO – Uma programada submissão à cultura norte-americana. Uma situação política que, em lugar de agregar pessoas em torno de um Brasil melhor, coloca os indivíduos em alerta com o outro. Onde o coletivo é improvável. Embora pareça o negativo de uma imagem do nosso cotidiano, é o retrato da realidade em que se organizou o coletivo Novos Baianos que dá nome ao musical que está em cartaz no Teatro Antunes Filho.

No final dos anos 1960, bem quando a censura imposta pela Ditadura Militar atingi seu ápice com a publicação, em 1968, do Ato Institucional número 5, o AI-5, um grupo de jovens – Luiz Galvão, Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor, Pepeu Gomes e Baby Consuelo (hoje Baby do Brasil) – iniciava o que seria um movimento que, além de suas idiossincrasias sociais, sacudiu o rock tradicional incluindo nele elementos-símbolo da Música Popular Brasileira (MPB) como o samba, o frevo, o baião etc. Realizavam o modelo antropofágico, concepção oswaldiana atualizado pelos Tropicalistas, deglutiam o rock e os ritmos nacionais recriando um estilo bastante peculiar.

“‘Se o Tropicalismo abriu corações e mentes da juventude do Brasil, os Novos Baianos beberam na fonte e foram além: inventaram o rock brasileiro, aquele que mistura guitarra com pandeiro e apresenta ao Tio Sam o tamborim”, reflete Lucio Mauro Filho que assina a dramaturgia de Novos Baianos.

 

Otávio Muller, diretor do espetáculo, aponta a vida coletiva que o grupo levava, como uma das características da montagem.

 

“Tudo que veio deles foi original e brasileiro. Não existe nada mais teatral que uma gente que sai pelo mundo, fazendo música de porta em porta. Eles coloriram o mundo por onde passaram”, completa Otavio Muller.

 

 

Herdeiros legítimos deste legado, Davi Moraes e Pedro Baby assinam a direção musical.

 

Após concorridas audições, 12 artistas foram selecionados, entre atores, músicos e compositores. Em cena, Barbara Ferr, Beiço, Clara Buarque, Felipe El, Filipe Pascual, Gustavo Pereira, João Moreira, João Vitor Nascimento, Julia Mestre, Mariana Jascalevich, Miguel Freitas e Ravel Andrade cantam, tocam todos os instrumentos e dão vida aos integrantes da banda e outros personagens fundamentais para a história, como João Gilberto, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Tom Zé.

 

O repertório do grupo emoldura as histórias, com sucessos atemporais como ‘Mistério do Planeta’, ‘Preta Pretinha’, ‘Brasil Pandeiro’, ‘A Menina Dança’, ‘Tinindo Trincando’, ‘Brasileirinho’ e ‘Dê um Rolê’.

 

 

Na mesma linha, a direção de arte (cenografia e figurinos) foi desenvolvida por um coletivo, o premiado Opavivará!, que desenvolve ações em que propõe inversões dos modos de ocupação do espaço urbano, através de dispositivos que proporcionam experiências coletivas. Desde sua criação, em 2005, o grupo vem participando ativamente no panorama das artes contemporâneas e já teve seus trabalhos exibidos ao redor do mundo. Recentemente, participaram de mostras em Liverpool, Paris, Lisboa, Barcelona, Viena, Montreal, Nova York e Frankfurt.

 

NOVOS BAIANOS

 

Texto de Lucio Mauro Filho. Direção: Otavio Muller

Direção musical: Davi Moraes e Pedro Baby

 

Colaboração artística: Monique Gardenberg

 

Direção de arte, cenografia e figurino: OPAVIVARÁ!

Com colaboração de cenografia de Paula Dager e figurino de Paula Stroher

Iluminação: Tabatta Martins

Coreografia: Johayne Hildefonso e Gisele Bastos

Visagismo: Rafael Fernandez
Direção de Produção: Clarice Philigret

Assistente de Produção: Fabricio Branco

Produção: Leandro Lepagesse

Produção Executiva: Ciça Castro Neves

Operação de Som: Marcelo Bezerra

Comunicação: Adriana Vieira

Mídia Digital: Fernanda Bravo, Jacidio Junior e Raphael Goes

Design gráfico: Tommy Kenny

Direção de Palco: Marcio Blau

Contrarregras: Cris Lisboa e Luan Lima            

Consultoria Técnica: Andreas Schmidt

 

ELENCO

Barbara Ferr, Beiço, Clara Buarque, Felipe El, Filipe Pascual, Gustavo Pereira, João Moreira, João Vitor Nascimento, Julia Mestre, Mariana Jascalevich, Miguel Freitas e

Ravel Andrade

 

 

SERVIÇO

 

Sesc Vila Mariana

Temporada: 9/11 a 15/12/2019

Quinta a sábado, às 21h. Domingo, às 18h

Local: Teatro Antunes Filho

Duração: 90 minutos

Recomendação etária: 16 anos

Ingressos à venda em:

sescsp.org.br/vilamariana a partir de 29/10, às 12h

Nas unidades do Sesc São Paulo a partir de 30/10, às 17h30

Valores:

R$ 15,00 Credencial Plena

R$ 25,00 Meia

R$ 50,00 Inteira

Recomendação etária 14 anos

 

Sesc Vila Mariana | Informações

Horário de funcionamento da Unidade: terça a sexta, das 7h às 21h30; sábado, das 9h às 21h; e domingo e feriados, das 9h às 18h30

Central de Atendimento: terça a sexta, das 9h às 20h30; sábado, domingo e feriado, das 10h às 18h30

Estacionamento: R$ 5,50 a primeira hora + R$ 2,00 a hora adicional

(Credencial Plena: trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes). R$ 12 a primeira hora + R$ 3,00 a hora adicional (outros). 111 vagas. O estacionamento conta com bicicletário gratuito. 10 vagas.

 

 

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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