O desespero da incerteza do porvir é o centro de O Salão de Baile Elétrico

Michel Fernandes, do Aplauso Brasil/ iG (Michel@aplausobrasil.com)

Peça do irland^s Enda Ealsh

SÃO PAULO – Chega a causar certa vertigem os longos solilóquios, repletos de detalhes, que são disparados num ritmo que só preserva espaços para a respiração necessária para que os atores de Salão de Baile Elétrico, em cartaz apenas às sextas e sábados no Auditório SESC Pinheiros, consigam   transmitir claramente as palavras criadas por Enda Walsh. Ao dirigir com a simplicidade desejável para dar à luz a poesia do texto interpretada com talento indiscutível, Cristina Cavalcanti desnuda o desespero ansioso do porvir incerto.

São três irmãs que dividem o mesmo teto, sendo que as duas mais velhas – Breda (Angela Barros) e Clara (Lilian Blanc), ambas em interpretações viscerais, a sobrevoar entre o drama, o patético, a volúpia, entre outras paixões, com vigor e talento –  compartilham o trauma da frustração de um relacionamento amoroso não efetivado. O medo ou covardia faz com que ambas permaneçam confinadas na casa revivendo os fatos ocorridos no baile elétrico que motivou suas exclusões do convívio com o tempo real que são compartilhados com Ada (Andréa Tedesco, em excelente interpretação).

Essa prisão ao plano da memória que, fica evidente, é o jogo cotidiano das duas – contar e recontar os últimos instantes que a levaram ao trauma de não consumarem suas iniciações sexuais e amorosas -, a forma de evocarem suas recordações, do gozo ao convencimento de que banir-se da possibilidade de se colocar à mercê da possível rejeição justifica suas exclusões do convívio social, é quebrada pelas frequentes visitas de Patsy (o impecável Edu Guimarães), um peixeiro falastrão e, também, ansioso.

O que era tarefa da irmã 20 anos mais jovem, Ada, o relato informativo do mundo exterior, ganha contornos menos formais com a interferência de Patsy e quebra o clima onírico da representação evocativa de Brenda e Clara à princípio incomodam as irmãs, mas, depois, acaba  sendo a esperança de redenção, com a aproximação romântica entre Ada e o peixeiro. Se o final será feliz? Deixo ao leitor desse texto que confira esse instigante O Salão de Baile Elétrico. Só adianto que há mais que a nostalgia de uma época: a peça parece um instantâneo de nossos dias, onde a realidade fria e onírica das relações virtuais que, aparentemente. nos priva de decepções futuras, nos torna auto-exilados dos reais desejos. Não é à toa que Bate-Papp, texto de Enda montado pela Cia. Arthur Alvim fez bastante sucesso. Angela Barros (frente) e Lilian Blanc em "O Salão de Baile Elétrico"

Ficha técnica:

Direção e tradução: CRISTINA CAVALCANTI

Elenco: ANGELA BARROS, LILIAN BLANC, ANDRÉA TEDESCO e EDU GUIMARÃES

Iluminação: MIRELLA BRANDI

Cenografia e figurinos: CHRIS AIZNER

Trilha sonora: EDUARDO AGNI

Cantor: EDU GUIMARÃES

Cenotécnico: FÁBIO

Costureira: MAICLAIR

Produção executiva: ADRIANA FLORENCE

Produção: LEO DE LEO Produções artísticas

Realização: LNW PRODUÇÕES e Visceral Companhia

Serviço:

Peça: O Salão de Baile Elétrico

Até 22/09 – sextas e sábados

Horário: 20h30

Duração: 80 minutos

Local: SESC Pinheiros (Auditório – 3 º andar)

Capacidade: 101 lugares

Não recomendável para menores de 14 anos

Ingressos: R$ 20 (inteira), R$ 10 (usuário inscrito no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante), R$ 5 (trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculado no SESC e dependentes)

Ingressos à venda pela Rede INGRESSOSESC

SESC Pinheiros

Endereço: Rua Paes Leme, 195

Horário de funcionamento da Unidade: Terças a sextas, das 13 às 22h. Sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h horas

Horário de funcionamento da Bilheteria: Terça a sexta das 10h às 21h30. Sábados das 10h às 21h30, domingos e feriados das 10h às 18h30

Tel.: 11 3095.9400

ESTACIONAMENTO COM MANOBRISTA (VAGAS LIMITADAS): Veículos, motos e bicicletas

Terça a sexta, das 7h às 22h; Sábado, domingo, feriado, das 10h às 19h

(Horários especiais para a programação do teatro)

Taxas: Matriculados no SESC: R$ 6,00 nas três primeiras horas e R$ 1,00 a cada hora adicional

Não matriculados no SESC: R$ 8,00 nas três primeiras horas e R$ 2,00 a cada hora adicional

Para atividades no Teatro, preço único: R$ 6,00
Para informações sobre outras programações www.sescsp.org.br

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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