O Grupo Galpão é ensemble sem medo de ousar

Michel Fernandes*, do Aplauso Brasil/ iG (Michel@aplausobrasil.com)

Grupo Galpão apresentou "Eclipse" no Festival de Curitiba

CURITIBA – Que o Grupo Galpão, sediado na capital mineira, é dos coletivos teatrais de maior inquietude e seriedade, não há o que objetar. Mesmo ao chegar a seu 30º aniversário, a coragem da trupe continua sua característica principal e, em Eclipse, que estreou no 21º Festival de Curitiba, eles se atiraram vendados e sem medo num terreno que não lhes é habitual, o intimismo filosófico, para trazer à cena discussões  presentes em contos de Checkov, sob direção do russo Juirij Alschitz, quem também assina o roteiro do espetáculo.

Cinco dos atores que compõem o ensemble Galpão – a palavra ensemble, segundo a concepção de Jurij trata-se de um coletivo de atores reunidos e dispostos a pesquisar a arte de interpretar, definição que cai feito luva na mão dos artesãos dessa trupe –, Chico Pelúcio, Inês Peixoto, Júlio Maciel, Lídya Del Picchia e Simone Ordones estão em cena para apreciar um eclipse solar quando, como por magia, a porta do espaço em que estão confinados se tranca e eles ficam presos por lá. E nesse ínterim, divagam em temas como fé, pecado , caos, talento etc.

Grupo Galpão estreia "Eclipse"

O “aqui agora” dialógico dos atores-personagens é quebrado pela narrativa épica emoldurada pela beleza e força filosófica de um Checkov distinto de seus textos dramáticos. Há, ainda, espaço para a metalinguagem tão presente nos trabalhos dessa trupe de saltimbancos que é o Grupo Galpão.

O diálogo intertextual com A Gaivota , peça escrita por Chekov, é evidente desde o princípio com o som de gaivotas sobrevoando o espaço; quando Lydia Del Picchia discorre sobre Talento, sobre sua necessidade em viver para a arte, recordamos do belíssimo e apaixonado discurso de Nina na peça citada acima; além, é claro, da morte da gaivota.

Realização: Grupo Galpão | Direção, Dramaturgia, Cenografia, Figurino e Treinamento: Jurij Alschitz | Elenco: Chico Pelúcio, Inês Peixoto, Julio Maciel, Lydia Del Picchia e Simone Ordones | Assistência de Direção e Preparação Vocal: Olga Lapina | Assistência de Direção e Pesquisa de Figurino: Diego Bagagal | Direção Musical e Arranjos: Ernani Maletta | Iluminação: Chico Pelúcio e Bruno Cerezoli | Vídeo Projeção: André Amparo, Chico de Paula e Bruno Cardieri | Sonoplastia: Ricardo Garcia | Caracterização: Mona Magalhães | Voz em Off: Barbara da Luz, Helena Del Picchia Pelúcio | Tradução: Eloquent Words | Revisão de textos: Eduardo Moreira e Arildo de Barros | Assistência de Cenografia: Amanda Gomes | Cenotécnica: Helvécio Izabel | Construção de Adereços: Raimundo Bento, Glauber Apicela e Tião Vieira | Fotos: Guto Muniz, Miguel Aun e Bianca Aun | Projeto Gráfico: Laura Bastos | Assessora de Comunicação: Beatriz França | Assistente de Comunicação: João Santos | Estagiária de Comunicação: Jussara Vieira | Assistência de Produção: Evandro Villela | Produção Executiva: Anna Paula Paiva e Beatriz Radicchi | Assessoria de Planejamento: Ana Amélia Arantes | Coordenação de Produção: Gilma Oliveira | Patrocínio: Petrobras | Classificação: 12 anos | Duração: 100 minutos.

*Michel Fernandes viajou a convite do Festival de Curitiba

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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