O jogo entre atores é destaque em O Arquiteto e o Imperador da Assíria

Michel Fernandes*, do Aplauso Brasil (Michel@aplausobrasil.com.br)

 

COTIA – Não que os demais espetáculos por mim aqui refletidos, desta Mostra de Teatro do Projeto Ademar Guerra 2012 deixou de apresentar trabalhos memoráveis de interpretação, ao contrário, até nas mostras de experimentos cênicos vislumbramos que há muito mais talento fora das capitais do que podemos imaginar, mas o fato é que São José dos Campos recorreu a um clássico da dramaturgia do século 20, O Arquiteto e o Imperador da Assíria, de Fernando Arrabal, para priorizar, com ótimos resultados, a interpretação de Jean de Oliveira e Jonas di Paula.

Como é comum aos textos que se tornam clássicos, há no texto que Arrabal escreveu na década de 1960 coloca em cena dois indivíduos distintos que, em comum, o fato de coabitarem a mesma ilha deserta. Um deles, o Imperador, é o único sobrevivente de um acidente de avião e a ilha em que cai é lar de um habitante primitivo, que depois de dois anos de aprendizado, aprende a linguagem do Imperador que o nomeia “Arquiteto” do Império Assírio.

Ainda em processo, o espetáculo orientado por Léo Antunes, que assina a direção, destaca mais o embate entre o “civilizado” e o “primitivo”, sendo o Imperador transformado em “primitivo” dando espaço instintivo, inclusive, o sexual, revelando uma interessante pista de que o impulso sexual não está relacionado apenas as opção, mas ao desejo.

Nesse primeiro tratamento é notável a síntese de elementos cênicos. O espaço é preenchido pelo vigor das interpretações.

*Michel Fernandes viajou a convite do Projeto Ademar Guerra

 

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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